
A cloroquina e a hidroxicloroquina são medicamentos utilizados há décadas no tratamento e na prevenção da malária, além de diversas doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide. Embora apresentem eficácia em indicações específicas, seu uso requer acompanhamento médico devido ao potencial de ocorrência de reações adversas, algumas delas graves.
Conhecer esse perfil de segurança é fundamental para profissionais da saúde, farmacêuticos e pacientes, contribuindo para o uso racional desses medicamentos e para a identificação precoce de possíveis complicações.
Principais efeitos adversos da cloroquina e da hidroxicloroquina
Os efeitos adversos podem envolver diversos órgãos e sistemas do organismo.
Distúrbios hematológicos
Podem ocorrer alterações importantes nas células sanguíneas, incluindo:
- depressão da medula óssea;
- anemia;
- anemia aplástica;
- agranulocitose;
- leucopenia;
- trombocitopenia.
Distúrbios do sistema imunológico
As principais reações incluem:
- urticária;
- angioedema;
- broncoespasmo.
Distúrbios metabólicos
Podem ocorrer:
- anorexia;
- hipoglicemia;
- agravamento da porfiria em indivíduos predispostos.
Distúrbios psiquiátricos
Foram descritos casos de:
- alterações do humor;
- nervosismo;
- psicose;
- comportamento suicida.
Distúrbios neurológicos
Entre os eventos relatados destacam-se:
- cefaleia;
- tontura;
- convulsões.
Distúrbios extrapiramidais
Podem ocorrer alterações motoras como:
- distonia;
- discinesia;
- tremores.
Alterações oculares
Os efeitos oculares merecem atenção especial, principalmente durante tratamentos prolongados.
Entre as alterações descritas estão:
- visão borrada;
- alterações na acomodação visual;
- retinopatia;
- alterações do campo visual;
- escotomas;
- alterações da percepção das cores;
- opacificação da córnea;
- edema de córnea;
- fotofobia;
- maculopatia;
- degeneração macular.
Em muitos casos, as alterações iniciais podem ser reversíveis com a interrupção precoce do tratamento. Entretanto, quando o diagnóstico é tardio, parte das lesões pode tornar-se permanente, justificando o acompanhamento oftalmológico periódico durante o uso prolongado.
Distúrbios auditivos
Podem ocorrer:
- vertigem;
- zumbido;
- perda auditiva.
Alterações cardiovasculares
Embora incomuns, estão entre as reações potencialmente mais graves.
Podem ocorrer:
- cardiomiopatia;
- insuficiência cardíaca;
- bloqueios de condução cardíaca;
- hipertrofia ventricular.
Sempre que surgirem sinais sugestivos de toxicidade cardíaca, deve-se considerar a possibilidade de relação com o tratamento.
Distúrbios gastrointestinais
Os eventos mais frequentes incluem:
- dor abdominal;
- náuseas;
- diarreia;
- vômitos.
Alterações hepáticas
Foram descritos:
- elevação de enzimas hepáticas;
- insuficiência hepática fulminante (rara).
Reações dermatológicas
As manifestações cutâneas variam desde quadros leves até reações graves.
Podem ocorrer:
- erupções cutâneas;
- prurido;
- alterações de pigmentação;
- alopecia;
- fotossensibilidade;
- dermatite esfoliativa;
- pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA);
- síndrome de Stevens-Johnson;
- necrólise epidérmica tóxica;
- DRESS (rash medicamentoso com eosinofilia e sintomas sistêmicos).
Essas últimas representam reações raras, porém potencialmente fatais, exigindo suspensão imediata do medicamento e atendimento médico.
Distúrbios musculoesqueléticos
Podem ser observados:
- miopatia;
- neuromiopatia;
- fraqueza muscular progressiva;
- redução dos reflexos tendinosos;
- alterações da condução nervosa.
Embora muitas dessas alterações sejam reversíveis após a interrupção do tratamento, a recuperação pode levar vários meses.
Considerações importantes
A maioria dos pacientes utiliza cloroquina e hidroxicloroquina sem apresentar eventos graves. Entretanto, como qualquer medicamento, esses fármacos possuem riscos conhecidos e devem ser utilizados apenas nas indicações aprovadas e sob acompanhamento profissional.
Durante tratamentos prolongados, recomenda-se monitoramento periódico, especialmente da função ocular, cardíaca, hepática e hematológica, conforme avaliação clínica.
Conclusão
Cloroquina e hidroxicloroquina apresentam perfil de segurança bem estabelecido, mas seu uso exige atenção devido à possibilidade de efeitos adversos envolvendo diversos órgãos e sistemas. O conhecimento dessas reações auxilia profissionais da saúde na orientação dos pacientes, na identificação precoce de sinais de toxicidade e na promoção do uso racional desses medicamentos.
Relevância para a prática magistral
Embora a manipulação de cloroquina e hidroxicloroquina seja atualmente menos frequente, compreender o perfil de segurança desses fármacos é importante para farmacêuticos e prescritores, especialmente na avaliação de prescrições, orientação aos pacientes e acompanhamento farmacoterapêutico.
Referência consultada: