Minoxidil oral pode melhorar a alopecia androgenética e o eflúvio telógeno?

Minoxidil oral pode melhorar a alopecia androgenética e o eflúvio telógeno?

O minoxidil é tradicionalmente utilizado no tratamento da queda de cabelo, principalmente em formulações tópicas. Nos últimos anos, entretanto, o uso de minoxidil por via oral em baixas doses passou a despertar interesse entre dermatologistas como uma alternativa para pacientes com diferentes tipos de alopecia.

Uma análise retrospectiva multicêntrica publicada no Archives of Dermatological Research avaliou os resultados do uso prolongado de minoxidil oral em adultos com alopecia androgenética e/ou eflúvio telógeno, comparando-os com pacientes que não receberam o tratamento.


Como foi realizado o estudo?

Os pesquisadores analisaram 210 pacientes adultos, sendo 105 tratados com minoxidil oral e 105 controles.

Entre os indivíduos que receberam o tratamento, o minoxidil foi administrado uma vez ao dia, em doses entre 0,625 e 2,5 mg, durante pelo menos 52 semanas.

O grupo tratado era composto por:

  • 80 mulheres (76,2%), com idade média de 57,5 anos;
  • 25 homens (23,8%), com idade média de 40,4 anos.

Os participantes apresentavam diagnóstico de alopecia androgenética, eflúvio telógeno ou ambas as condições.

A resposta ao tratamento foi avaliada por meio de fotografias clínicas, utilizando uma escala de três categorias: piora, estabilização ou melhora.


Mais da metade apresentou melhora clínica

Após pelo menos um ano de acompanhamento, os resultados mostraram que 52,4% dos pacientes tratados com minoxidil oral apresentaram melhora clínica da condição capilar.

Além disso, 42,9% apresentaram estabilização do quadro.

Isso significa que, considerando conjuntamente melhora e estabilização, a grande maioria dos pacientes avaliados não apresentou progressão aparente da queda de cabelo durante o período de acompanhamento.

Os resultados levaram os autores a considerar que o minoxidil oral em baixa dose pode apresentar potencial como estratégia terapêutica para pacientes com alopecia androgenética e eflúvio telógeno.


Por que o minoxidil oral desperta interesse?

O minoxidil foi originalmente desenvolvido como vasodilatador sistêmico e posteriormente passou a ser utilizado no tratamento da queda de cabelo devido aos seus efeitos sobre o folículo piloso.

A administração oral em doses muito inferiores às utilizadas para seu efeito cardiovascular vem sendo estudada na dermatologia justamente pela possibilidade de oferecer uma ação sistêmica sobre os folículos, o que pode ser interessante em pacientes que apresentam dificuldade de adesão ou resposta inadequada às formulações tópicas.

Entretanto, é importante não interpretar o estudo como demonstração de que o minoxidil oral seja necessariamente superior ao tópico. A pesquisa apresentada não foi desenhada para responder essa questão.


Um resultado promissor, mas que exige cautela

Apesar dos resultados favoráveis, algumas características do estudo limitam a força das conclusões.

Trata-se de uma análise retrospectiva, e não de um ensaio clínico randomizado. Além disso, a avaliação da eficácia foi baseada principalmente em fotografias clínicas e na classificação em melhora, estabilização ou piora.

Esse tipo de desenho pode estar sujeito a fatores de confusão e vieses, especialmente porque pacientes que recebem determinado tratamento podem apresentar características diferentes daqueles que não o recebem.


Minoxidil oral não é isento de riscos

Outro ponto importante para a prática clínica é que, diferentemente do minoxidil tópico, a administração oral produz exposição sistêmica.

Mesmo em baixas doses, podem ocorrer efeitos adversos relacionados à sua ação vasodilatadora, como hipertricose, edema, tontura, palpitações e alterações da pressão arterial.

Por isso, sua utilização deve ser individualizada e acompanhada pelo profissional habilitado, considerando características clínicas, medicamentos em uso e possíveis contraindicações.

A possibilidade de utilizar doses menores não significa que o tratamento seja isento de efeitos sistêmicos.


Conclusão do estudo

A análise retrospectiva multicêntrica sugere que o minoxidil oral em baixas doses, utilizado por pelo menos 52 semanas, pode contribuir para a melhora ou estabilização da alopecia androgenética e do eflúvio telógeno.

Entre os 105 pacientes tratados, 52,4% apresentaram melhora clínica e 42,9% apresentaram estabilização.

Apesar dos resultados promissores, o desenho retrospectivo e a avaliação predominantemente fotográfica limitam a capacidade de estabelecer uma relação causal. Ensaios clínicos controlados e estudos comparativos são necessários para determinar com maior precisão a eficácia, segurança, dose ideal e perfil de pacientes que mais se beneficiam do minoxidil oral.


Relevância para a prática magistral

O estudo é particularmente relevante para a farmácia magistral porque demonstra o crescente interesse dermatológico pelas formulações orais de baixa dose de minoxidil como estratégia para diferentes formas de queda capilar.

A faixa de 0,625 a 2,5 mg uma vez ao dia utilizada no estudo pode servir como referência da prática investigada, mas não deve ser interpretada como uma recomendação universal de dose. A escolha deve ser individualizada pelo prescritor.

Do ponto de vista magistral, a possibilidade de trabalhar com diferentes concentrações permite atender à necessidade de individualização posológica, especialmente quando o objetivo é iniciar o tratamento com doses mais baixas e realizar ajustes conforme resposta e tolerabilidade.

É fundamental, entretanto, que a formulação seja acompanhada de avaliação clínica adequada, uma vez que o minoxidil oral apresenta efeitos sistêmicos e requer monitoramento de segurança.

 

Bibliografia consultada:

Feaster B, Onamusi T, Cooley JE, McMichael AJ. Oral minoxidil use in androgenetic alopecia and telogen effluvium. Arch Dermatol Res. 2023

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