Oligopeptídeos de ginseng podem retardar a senescência celular, aponta estudo experimental

Oligopeptídeos de ginseng podem retardar a senescência celular, aponta estudo experimental

O ginseng (Panax ginseng) é um dos fitoterápicos mais tradicionais da medicina chinesa e vem sendo estudado por apresentar diferentes propriedades farmacológicas, incluindo atividades antioxidante e anti-inflamatória. Historicamente associado à longevidade, o ginseng também tem sido investigado por seu possível papel na proteção contra alterações relacionadas ao envelhecimento.

Entre os compostos obtidos dessa planta estão os oligopeptídeos de ginseng (GOPs), produzidos a partir do Panax ginseng por meio de tecnologia de digestão bioenzimática. Esses peptídeos bioativos despertam interesse não apenas como fonte de aminoácidos, mas também pela possibilidade de exercer efeitos biológicos relacionados ao envelhecimento celular.


O envelhecimento celular e a senescência

A senescência celular é um processo no qual as células interrompem sua capacidade de proliferação e passam por uma série de alterações funcionais. O acúmulo de células senescentes está associado ao envelhecimento e a diferentes doenças relacionadas à idade.

O estresse oxidativo e a inflamação estão entre os fatores capazes de favorecer esse processo. Por isso, estratégias capazes de preservar a integridade celular, reduzir o dano oxidativo e manter a capacidade de renovação das células vêm sendo estudadas no contexto do envelhecimento saudável.

Nesse cenário, pesquisadores investigaram, pela primeira vez, se os oligopeptídeos de ginseng poderiam interferir na senescência celular e quais mecanismos poderiam estar envolvidos.


Estudo avaliou os efeitos dos GOPs em fibroblastos

Para investigar essa hipótese, os pesquisadores utilizaram fibroblastos embrionários de camundongos (NIH/3T3) e induziram experimentalmente um processo de senescência associado ao estresse oxidativo.

Em seguida, avaliaram se a utilização dos GOPs poderia retardar as alterações características do envelhecimento celular.

Os resultados mostraram que os oligopeptídeos foram capazes de interferir em diferentes mecanismos relacionados à senescência.


Oligopeptídeos de ginseng influenciaram o ciclo celular

Um dos efeitos observados foi a inibição da parada do ciclo celular na fase G1, acompanhada por aumento da síntese de DNA durante a fase S.

Esse resultado é relevante porque a senescência celular envolve justamente a interrupção da proliferação. Ao favorecer a progressão do ciclo celular, os GOPs demonstraram potencial para retardar algumas alterações associadas à senescência induzida experimentalmente.

Os pesquisadores também observaram redução na expressão relativa das proteínas p16^INK4A e p21^Waf1/Cip1, marcadores importantes relacionados à parada do ciclo celular e à senescência.


Proteção celular e aumento da atividade da telomerase

Além das alterações no ciclo celular, os GOPs promoveram maior viabilidade celular e proteção do DNA diante do estresse oxidativo.

Outro achado importante foi o aumento da atividade da telomerase.

Os telômeros são estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos que desempenham papel importante na estabilidade do material genético. A atividade da telomerase está relacionada à manutenção dessas estruturas e, por isso, o aumento observado no estudo pode contribuir para explicar parte dos efeitos dos GOPs sobre a senescência celular.

Entretanto, esse resultado deve ser interpretado dentro do contexto experimental: o aumento da atividade da telomerase em células cultivadas não significa, por si só, que a suplementação seja capaz de prolongar a longevidade em humanos.


Estresse oxidativo e inflamação podem estar envolvidos

De acordo com os pesquisadores, os efeitos observados podem estar relacionados à capacidade antioxidante e anti-inflamatória dos oligopeptídeos de ginseng.

O estresse oxidativo pode provocar danos ao DNA, proteínas e membranas celulares, contribuindo para alterações associadas à senescência. Dessa forma, a proteção contra esses danos pode representar um dos mecanismos pelos quais os GOPs retardaram a senescência nos fibroblastos utilizados no estudo.

Os autores também apontam uma possível relação com a proteção mitocondrial, ampliando a hipótese de que os peptídeos possam atuar em diferentes componentes envolvidos no processo de envelhecimento celular.


O que os resultados significam para o envelhecimento saudável?

Os achados são interessantes porque demonstram que os GOPs foram capazes de atuar simultaneamente sobre diferentes características associadas à senescência celular: ciclo celular, síntese de DNA, expressão de marcadores de senescência, viabilidade celular, proteção do DNA e atividade da telomerase.

Isso levanta a possibilidade de que os oligopeptídeos de ginseng possam apresentar potencial geroprotetor, ou seja, capacidade de interferir em mecanismos celulares relacionados ao envelhecimento.

Entretanto, é importante destacar que os resultados foram obtidos em fibroblastos de camundongos em condições experimentais. Ainda são necessários estudos em animais e, principalmente, ensaios clínicos para determinar se esses efeitos também ocorrem no organismo humano.


Conclusão do estudo

O estudo demonstrou que os oligopeptídeos de ginseng (GOPs) foram capazes de retardar a senescência de fibroblastos induzida por estresse oxidativo, promovendo alterações relacionadas à manutenção da viabilidade celular, proteção do DNA, progressão do ciclo celular e aumento da atividade da telomerase.

Os pesquisadores sugerem que os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios dos GOPs, associados à possível proteção mitocondrial, podem estar entre os mecanismos responsáveis pelos resultados observados.

Embora os achados sejam promissores, não permitem afirmar que os GOPs prolonguem a vida ou previnam doenças relacionadas ao envelhecimento em humanos. São necessários estudos adicionais para confirmar esses efeitos e determinar sua relevância clínica.


Relevância para a prática magistral

Para a farmácia magistral, os oligopeptídeos de ginseng representam um ativo de interesse dentro do conceito de envelhecimento saudável e proteção celular, especialmente diante da crescente busca por estratégias nutricionais voltadas à longevidade.

O estudo oferece uma base experimental para investigar os GOPs em formulações destinadas ao suporte antioxidante e à manutenção da saúde celular. Entretanto, como a evidência apresentada é pré-clínica, não é adequado extrapolar diretamente os resultados celulares para benefícios clínicos ou estabelecer uma dose humana com finalidade antienvelhecimento a partir desse trabalho.

Na prática magistral, portanto, o ingrediente pode ser apresentado como uma estratégia experimental promissora, e não como um ativo já comprovado para retardar o envelhecimento ou aumentar a longevidade.

 

Bibliografia consultada:

Zhu N; Xu MH; Li Y. Oligopeptídeos Bioativos de Ginseng ( Panax ginseng Meyer) Suprimem a Senescência Induzida por Estresse Oxidativo em Fibroblastos via Via de Sinalização NAD + /SIRT1/PGC-1α. Nutrients, 2022.

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