A vitamina D desempenha diversas funções no organismo e sua relação com a saúde da pele vem sendo estudada há anos. No entanto, ainda existem resultados conflitantes sobre o papel da vitamina D no desenvolvimento dos cânceres de pele.
Diante disso, pesquisadores investigaram se o uso de suplementos orais de vitamina D estaria associado a um menor risco de desenvolver câncer de pele, especialmente melanoma, uma das formas mais agressivas da doença.
Como foi realizado o estudo?
A pesquisa avaliou 498 adultos, com idades entre 21 e 79 anos, considerados indivíduos com risco aumentado para algum tipo de câncer de pele.
A amostra era composta por:
- 253 homens;
- 245 mulheres.
Os participantes foram classificados em três grupos de acordo com o uso de suplementos orais de vitamina D:
- não utilizavam;
- utilizavam ocasionalmente;
- utilizavam regularmente.
Além disso, os pesquisadores avaliaram as concentrações séricas de 25-hidroxivitamina D3 [25(OH)D], principal marcador utilizado para avaliar o status de vitamina D.
O que os pesquisadores observaram?
Os indivíduos que utilizavam vitamina D regularmente apresentaram menor probabilidade de apresentar melanoma quando comparados àqueles que não utilizavam os suplementos.
A análise também identificou uma associação entre a exposição à vitamina D e menor risco de melanoma.
Esses resultados levantam a possibilidade de que o status de vitamina D possa estar relacionado a mecanismos envolvidos na saúde cutânea e no desenvolvimento do melanoma.
Vitamina D pode prevenir o melanoma?
Ainda não é possível afirmar.
O estudo encontrou uma associação, mas isso não significa que a vitamina D tenha sido responsável pela redução do risco de melanoma.
Diversos fatores podem influenciar tanto os níveis de vitamina D quanto o risco de câncer de pele. Além disso, a exposição solar, por exemplo, apresenta uma relação complexa com a vitamina D e com o desenvolvimento dos cânceres cutâneos.
Portanto, não se deve interpretar esses resultados como evidência de que pessoas devam utilizar doses elevadas de vitamina D para prevenir melanoma.
E os níveis de 25(OH)D?
A avaliação da 25(OH)D é importante porque permite investigar o status de vitamina D no organismo. Entretanto, manter níveis adequados de vitamina D não significa necessariamente que uma pessoa estará protegida contra o melanoma.
Os próprios autores e especialistas ressaltam que a manutenção dos níveis de vitamina D, isoladamente, provavelmente não é suficiente para prevenir ou tratar o melanoma.
Relevância para a prática magistral
O estudo é interessante por explorar uma possível relação entre vitamina D e saúde cutânea, mas os resultados ainda não justificam a utilização de vitamina D especificamente com finalidade de prevenção ou tratamento do melanoma.
Na prática magistral, a suplementação deve ser individualizada e baseada na necessidade nutricional e na avaliação clínica do paciente, respeitando as recomendações e diretrizes vigentes.
E, principalmente, a discussão sobre vitamina D não deve diminuir a importância das estratégias comprovadamente relacionadas à prevenção do câncer de pele, como proteção contra exposição excessiva à radiação ultravioleta e acompanhamento dermatológico quando indicado.
A vitamina D pode ter um papel na biologia da pele, mas ainda estamos longe de afirmar que sua suplementação seja uma estratégia de prevenção do melanoma.
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Bibliografia consultada:
Kanasuo E; et al. Regular use of vitamin D supplement is associated with fewer melanoma cases compared to non-use: a cross-sectional study in 498 adult subjects at risk of skin cancers. Melanoma research, 2022.
