Astaxantina associada ao treinamento pode melhorar parâmetros metabólicos em homens com obesidade

Astaxantina associada ao treinamento pode melhorar parâmetros metabólicos em homens com obesidade

A obesidade está associada a alterações importantes no metabolismo energético, resistência à insulina, dislipidemia e inflamação crônica de baixo grau. Nesse contexto, estratégias capazes de melhorar a utilização de lipídios como fonte de energia e favorecer o equilíbrio metabólico têm despertado interesse.

A prática de exercícios físicos, especialmente os treinamentos de maior intensidade, apresenta benefícios bem estabelecidos sobre a composição corporal e o metabolismo. Paralelamente, alguns compostos bioativos vêm sendo estudados como possíveis estratégias complementares.

Entre eles está a astaxantina, um carotenoide com propriedades antioxidantes que também tem sido investigado por seus possíveis efeitos sobre o metabolismo lipídico e a inflamação associada à obesidade.


Estudo avaliou astaxantina associada ao treinamento de alta intensidade

Um estudo recente investigou os efeitos de 12 semanas de treinamento intervalado de alta intensidade (HIFT) associado à suplementação de astaxantina sobre adipocinas, resistência à insulina e perfil lipídico de homens com obesidade.

Participaram da pesquisa 68 homens com obesidade, distribuídos aleatoriamente em quatro grupos, com 17 participantes cada:

  • controle;
  • suplementação com astaxantina;
  • treinamento físico;
  • treinamento físico associado à astaxantina.

A suplementação consistiu em 20 mg de astaxantina diariamente, enquanto os participantes do grupo controle receberam placebo.

O protocolo de treinamento foi composto por 36 sessões de HIFT ao longo de 12 semanas, com três sessões semanais e duração de 60 minutos cada.


Combinação apresentou melhora de parâmetros metabólicos

Ao final das 12 semanas, os participantes que realizaram treinamento físico associado à suplementação de astaxantina apresentaram alterações favoráveis em diferentes parâmetros avaliados.

Foram observadas reduções nas adipocinas, no peso corporal, no percentual de gordura e no índice de massa corporal (IMC).

Também foram observadas melhorias no perfil lipídico e em parâmetros metabólicos, sugerindo um possível efeito favorável da combinação entre exercício de alta intensidade e suplementação de astaxantina.

Esses resultados são relevantes porque as adipocinas participam da comunicação entre o tecido adiposo e outros tecidos do organismo e estão relacionadas à regulação do metabolismo energético e à inflamação.


Astaxantina pode potencializar os efeitos do exercício?

A hipótese de que a astaxantina possa complementar os efeitos do treinamento está relacionada às suas propriedades antioxidantes e à possível influência sobre o metabolismo dos lipídios.

Durante o exercício, o organismo aumenta a demanda energética e pode utilizar maior quantidade de ácidos graxos como fonte de energia. A astaxantina vem sendo investigada nesse contexto por sua possível capacidade de influenciar o metabolismo lipídico muscular.

No presente estudo, a associação entre suplementação e HIFT foi acompanhada por melhorias na composição corporal e em parâmetros metabólicos, reforçando o interesse pelo carotenoide como estratégia complementar ao exercício.

Entretanto, como o estudo avaliou diferentes grupos de intervenção, é importante considerar que o treinamento físico por si só também produz efeitos metabólicos importantes. Portanto, os resultados devem ser interpretados como evidência de um possível benefício adicional da astaxantina, e não como demonstração de que a suplementação isoladamente seja responsável por todas as alterações observadas.


Por que esses resultados são relevantes na obesidade?

A redução do excesso de gordura corporal é acompanhada de mudanças importantes no metabolismo e na sinalização produzida pelo tecido adiposo.

Nesse sentido, intervenções capazes de atuar simultaneamente sobre composição corporal, perfil lipídico, resistência à insulina e inflamação podem apresentar interesse dentro de estratégias destinadas ao manejo metabólico da obesidade.

O estudo acrescenta evidências sobre a possibilidade de utilizar a astaxantina como um componente complementar às intervenções relacionadas ao estilo de vida, especialmente quando associada ao treinamento físico estruturado.


Conclusão do estudo

A suplementação de 20 mg/dia de astaxantina associada a 12 semanas de treinamento de alta intensidade esteve relacionada a melhorias na composição corporal, nos níveis de adipocinas e nos perfis lipídico e metabólico de homens com obesidade.

Os resultados reforçam o potencial da astaxantina como estratégia complementar ao exercício físico, mas ainda são necessários estudos adicionais para determinar a magnitude de seu efeito isolado e combinado ao treinamento, além de verificar se os resultados podem ser reproduzidos em diferentes populações.


Relevância para a prática magistral

Para a Farmácia de Manipulação, a astaxantina apresenta interesse crescente em formulações destinadas a estratégias de saúde metabólica, composição corporal, desempenho físico e controle do estresse oxidativo.

O estudo é especialmente interessante porque utilizou uma dose de 20 mg ao dia durante 12 semanas, permitindo relacionar uma quantidade específica do ativo a um protocolo estruturado de exercício. Entretanto, a aplicação desses resultados deve considerar o perfil individual do paciente e o fato de que os benefícios observados ocorreram no contexto de uma intervenção que incluía treinamento físico.

Assim, a astaxantina pode ser considerada uma possibilidade dentro de estratégias magistrais individualizadas para pacientes que também estejam envolvidos em programas de atividade física, mas não deve ser apresentada como substituta do exercício ou como tratamento isolado da obesidade.

 

Bibliografia consultada:

Saeidi A; et al. Astaxanthin Supplemented with High-Intensity Functional Training Decreases Adipokines Levels and Cardiovascular Risk Factors in Men with Obesity. Nutrients, 2023.

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