Probióticos podem reduzir em 45% a recorrência da vaginose bacteriana

Probióticos podem reduzir em 45% a recorrência da vaginose bacteriana

Evidências apontam benefício da suplementação probiótica na manutenção do equilíbrio da microbiota vaginal

A vaginose bacteriana é uma das alterações mais frequentes da microbiota vaginal e apresenta uma característica que dificulta seu manejo: a elevada taxa de recorrência. Embora os probióticos sejam estudados como estratégia para auxiliar na restauração e manutenção do equilíbrio do microbioma vaginal, as evidências sobre sua capacidade de prevenir novos episódios ainda eram consideradas limitadas.

Com o objetivo de avaliar melhor essa relação, pesquisadores realizaram uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados, investigando a eficácia dos probióticos na prevenção da recorrência da vaginose bacteriana em mulheres com 18 anos ou mais.


Probióticos e prevenção da recorrência

Dos 8.162 registros inicialmente identificados, 10 estudos, envolvendo 1.234 participantes, foram incluídos na análise final.

Entre eles, sete compararam o uso de probióticos com placebo, enquanto três avaliaram probióticos em comparação ao tratamento com metronidazol isoladamente.

A análise dos resultados demonstrou que a utilização de probióticos esteve associada a uma redução de 45% no risco de recorrência da vaginose bacteriana em comparação ao placebo ou ao metronidazol.

Segundo os autores, os resultados indicam que a utilização de probióticos pode reduzir em mais de duas vezes a ocorrência de novos episódios após o tratamento.


Quais cepas foram utilizadas?

Um ponto particularmente relevante para a prática magistral é a diversidade de microrganismos avaliados nos estudos.

Entre as cepas utilizadas estavam:

  • Lacticaseibacillus rhamnosus;
  • Limosilactobacillus reuteri;
  • Lactobacillus crispatus;
  • Levilactobacillus brevis;
  • Lactobacillus acidophilus;
  • Streptococcus thermophilus;
  • Lactobacillus gasseri.

As formulações também apresentaram diferenças importantes quanto à via de administração e à quantidade de microrganismos.

Nos probióticos administrados por via oral, as doses variaram de 1,0 a 5,4 bilhões de UFC por dia, enquanto as formulações vaginais apresentaram doses entre 40.000 e 8,0 bilhões de UFC.

A frequência de utilização também variou. Entre os produtos administrados por via oral, a utilização duas vezes ao dia foi a mais frequente. Já os probióticos vaginais foram, em geral, utilizados uma vez ao dia.

O período de utilização antes da avaliação da recorrência variou entre 8 e 60 dias.


O que os resultados significam?

Os resultados reforçam a hipótese de que a modulação da microbiota vaginal pode desempenhar um papel importante na prevenção da recorrência da vaginose bacteriana.

Entretanto, é importante observar que os estudos utilizaram diferentes cepas, doses, vias de administração e períodos de tratamento. Dessa forma, os resultados da meta-análise não permitem afirmar que qualquer probiótico, independentemente de sua composição, produzirá o mesmo efeito.

Os próprios autores destacam a necessidade de novos ensaios clínicos, com maior número de participantes e metodologias mais padronizadas, para estabelecer com maior precisão quais cepas e estratégias de administração apresentam maior eficácia.


Conclusão do estudo

A revisão sistemática e meta-análise demonstrou que a suplementação com probióticos esteve associada a uma redução de 45% no risco de recorrência da vaginose bacteriana quando comparada ao placebo ou ao metronidazol isoladamente.

Os resultados são promissores e reforçam o potencial dos probióticos como estratégia complementar para a manutenção do equilíbrio da microbiota vaginal após o tratamento da vaginose bacteriana. No entanto, ainda são necessários estudos maiores e metodologicamente padronizados para determinar quais cepas, doses e vias de administração apresentam os melhores resultados.


Relevância para a prática magistral

Para a farmácia magistral, o estudo chama atenção principalmente para a possibilidade de trabalhar com formulações probióticas direcionadas à saúde vaginal, considerando que diferentes cepas podem apresentar propriedades distintas.

A escolha do microrganismo, sua concentração em UFC, a via de administração e o período de utilização são aspectos que devem ser considerados individualmente na elaboração de uma estratégia magistral.

Além disso, os resultados reforçam a importância de não tratar “probiótico” como uma categoria única: a eficácia observada em um estudo está relacionada às cepas e às condições específicas avaliadas, não podendo ser automaticamente extrapolada para qualquer produto probiótico.

 

Bibliografia consultada:

Chieng WK; et al. Probiotics, a promising therapy to reduce the recurrence of bacterial vaginosis in women? a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Frontiers in Nutrition, 2022.

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