A prática regular de atividade física vem sendo associada a diversos benefícios para a saúde cerebral. Um estudo apresentado na 74ª Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia investigou uma questão importante: pessoas com melhor condicionamento físico teriam menor risco de desenvolver doença de Alzheimer?
Para responder a essa pergunta, pesquisadores da Washington DC VA Medical Center acompanharam 649.605 veteranos militares, com idade média de 61 anos e sem sinais de doença de Alzheimer no início do estudo. O acompanhamento durou, em média, nove anos.
Quanto maior o condicionamento, menor a incidência de Alzheimer
Todos os participantes realizaram um teste em esteira ergométrica para avaliar a capacidade do organismo de transportar oxigênio até os músculos e utilizá-lo durante o exercício.
A partir dos resultados, os participantes foram divididos em cinco grupos, de acordo com o nível de aptidão física.
A diferença entre os grupos foi significativa. Entre aqueles com menor condicionamento físico, foram registrados 9,5 casos de Alzheimer por 1.000 pessoas/ano. No grupo com maior aptidão física, esse número caiu para 6,5 casos por 1.000 pessoas/ano.
Além disso, foi observada uma relação gradual: quanto maior o nível de condicionamento físico, menor foi a taxa de desenvolvimento da doença.
O grupo mais condicionado apresentou 33% menos risco
Mesmo depois de ajustar os resultados para outros fatores que poderiam influenciar o desenvolvimento da doença, a associação permaneceu.
Em comparação com o grupo de menor aptidão física:
- o grupo mais condicionado apresentou 33% menos probabilidade de desenvolver Alzheimer;
- o segundo grupo mais condicionado apresentou redução de 26%;
- o terceiro grupo, redução de 20%;
- e o segundo grupo menos condicionado, redução de 13%.
Os resultados sugerem, portanto, que mesmo pequenas diferenças no nível de condicionamento físico podem estar associadas a diferenças no risco de desenvolver Alzheimer.
Como a atividade física poderia proteger o cérebro?
Os mecanismos envolvidos ainda estão sendo investigados, mas existem algumas hipóteses biologicamente plausíveis.
A atividade física pode favorecer o fluxo sanguíneo cerebral, a conectividade entre diferentes regiões do cérebro e a manutenção do volume cerebral. Além disso, o exercício pode contribuir para o controle de fatores que estão associados ao risco de demência, como hipertensão, doença cardiovascular, acidente vascular cerebral, depressão e distúrbios do sono.
Dessa maneira, os benefícios do exercício sobre o cérebro provavelmente não dependem de um único mecanismo, mas de uma combinação de efeitos cardiovasculares, metabólicos e neurológicos.
Conclusão
O estudo envolvendo mais de 649 mil participantes encontrou uma associação consistente entre maior aptidão física e menor risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer ao longo de aproximadamente nove anos de acompanhamento.
Os participantes com maior nível de condicionamento apresentaram 33% menos probabilidade de desenvolver Alzheimer em comparação com aqueles com menor aptidão.
Relevância para a prática magistral
Para a farmácia magistral, o estudo reforça uma mensagem importante: a prevenção e o cuidado com a saúde cognitiva não devem estar concentrados exclusivamente em suplementos ou medicamentos.
O profissional prescritor pode trabalhar a saúde cerebral dentro de uma abordagem ampla, considerando atividade física, sono, alimentação, saúde cardiovascular e outros fatores modificáveis. Nesse contexto, a farmácia de manipulação pode atuar como parceira na individualização de estratégias nutricionais quando houver indicação, sempre associadas às medidas de estilo de vida.
Para a equipe de visitação, esse tipo de evidência também pode ser transformado em conteúdo técnico para discussão com prescritores, ajudando a farmácia a apresentar uma abordagem mais completa sobre envelhecimento saudável, cognição e prevenção.
