Café pode estar associado à redução do risco de câncer de próstata, aponta meta-análise

Café pode estar associado à redução do risco de câncer de próstata, aponta meta-análise

O câncer de próstata é o tipo de câncer mais frequentemente diagnosticado entre os homens em diversos países. De acordo com a American Cancer Society, aproximadamente 1 em cada 8 homens receberá esse diagnóstico ao longo da vida. Diante dessa elevada incidência, cresce o interesse por estratégias alimentares que possam contribuir para a prevenção da doença.

Entre os alimentos mais investigados está o café. Além de ser uma das bebidas mais consumidas no mundo, ele é rico em compostos bioativos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, despertando o interesse de pesquisadores quanto ao seu possível papel na redução do risco de diversos tipos de câncer.


O que mostrou a meta-análise?

Uma meta-análise publicada na revista BMJ Open reuniu 16 estudos, envolvendo 1.081.586 homens, dos quais 57.732 desenvolveram câncer de próstata.

Os pesquisadores compararam os indivíduos com maior consumo de café com aqueles que consumiam menores quantidades da bebida.

Os resultados mostraram que:

  • o maior consumo de café foi associado a uma redução de 9% no risco de câncer de próstata;
  • cada xícara diária foi associada a uma redução aproximada de 1% no risco da doença.

O café parece proteger diferentes estágios da doença

Quando os pesquisadores analisaram os diferentes tipos de câncer de próstata, observaram resultados ainda mais interessantes.

Entre os homens que consumiam maiores quantidades de café houve:

  • 7% menos risco de desenvolver câncer de próstata localizado;
  • 12% menos risco de desenvolver câncer de próstata avançado;
  • 16% menos risco de morrer por câncer de próstata quando comparados aos indivíduos com menor consumo de café.

Esses dados sugerem que a associação pode ser ainda mais relevante para as formas mais agressivas da doença.


Como o café poderia exercer esse efeito?

A meta-análise não foi desenhada para identificar os mecanismos responsáveis pela associação observada. Entretanto, os autores discutem algumas hipóteses biológicas plausíveis.

Entre elas destacam-se:

  • melhora do metabolismo da glicose;
  • redução das concentrações plasmáticas de insulina;
  • diminuição dos níveis do fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1);
  • ação antioxidante;
  • efeito anti-inflamatório;
  • possível modulação dos hormônios sexuais envolvidos na iniciação e progressão do câncer de próstata.

Esses mecanismos podem contribuir para um ambiente metabólico menos favorável ao desenvolvimento e à progressão tumoral.


Os resultados significam que o café previne câncer?

Ainda não.

Embora a meta-análise tenha encontrado uma associação consistente entre maior consumo de café e menor risco de câncer de próstata, os estudos incluídos são predominantemente observacionais. Portanto, eles demonstram associação, mas não estabelecem relação de causa e efeito.

Além disso, fatores relacionados ao estilo de vida, alimentação, atividade física e outros hábitos podem influenciar parcialmente os resultados observados.

Os próprios autores ressaltam que novos estudos são necessários para confirmar essa associação e esclarecer os mecanismos envolvidos.


Conclusão

Uma ampla meta-análise envolvendo mais de um milhão de homens mostrou que o maior consumo de café esteve associado a uma redução do risco de câncer de próstata, especialmente nas formas avançadas e fatais da doença. Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários estudos adicionais para confirmar uma relação causal e compreender melhor os mecanismos biológicos responsáveis por esse possível efeito protetor.


Relevância para a prática magistral

O crescente número de estudos sobre os compostos bioativos presentes no café reforça o interesse científico por substâncias como ácidos clorogênicos, cafeína, diterpenos e polifenóis, que apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e moduladoras do metabolismo energético. Para a farmácia magistral, esses dados ampliam a discussão sobre estratégias nutricionais e nutracêuticas voltadas à promoção da saúde masculina, sempre como medidas complementares e nunca substituindo o rastreamento, o diagnóstico precoce e o tratamento médico do câncer de próstata.

 

Bibliografia consultada:

Chen X; Zhao Y; Tao Z; Wang K. Coffee consumption and risk of prostate cancer: a systematic review and meta-analysis. BMJ Open, 2021

 

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