Carnitina: qual a importância para bebês prematuros?

Carnitina: qual a importância para bebês prematuros?

A carnitina é obtida por meio da alimentação e também produzida pelo organismo. Sua principal função é transportar ácidos graxos de cadeia longa para dentro das mitocôndrias, onde podem ser utilizados para a produção de energia.

Mas seu papel pode ir além do metabolismo energético.

Estudos anteriores sugerem que a carnitina também pode estar envolvida no desenvolvimento do sistema nervoso, despertando interesse especialmente quando falamos de bebês prematuros.


Por que os prematuros merecem atenção?

Bebês nascidos antes de 32 semanas de gestação apresentam maior risco de deficiência de carnitina.

Isso pode ocorrer pela combinação de:

  • estoques teciduais limitados;
  • síntese endógena ainda imatura;
  • ingestão insuficiente.

Pensando nisso, pesquisadores avaliaram a relação entre os níveis de carnitina e diferentes indicadores de crescimento e desenvolvimento cerebral em bebês prematuros.


O que o estudo avaliou?

Os pesquisadores acompanharam os níveis de carnitina de bebês prematuros durante as cinco primeiras semanas após o nascimento.

Também calcularam a ingestão de nutrientes, incluindo carnitina, e avaliaram sua relação com:

  • crescimento;
  • peso;
  • perímetro cefálico;
  • dimensões cerebrais;
  • tamanho do cerebelo, determinado por ressonância magnética.

E quais foram os resultados?

A ingestão de carnitina e as concentrações séricas de carnitina livre e acilcarnitina de cadeia curta estiveram associadas ao crescimento dos bebês prematuros e ao tamanho do cerebelo.

Além disso, a ingestão dietética de carnitina apresentou correlação com as concentrações séricas dessas substâncias.

Segundo os pesquisadores, esse achado sugere que os níveis séricos de carnitina livre e de acilcarnitina de cadeia curta podem funcionar como marcadores da ingestão de carnitina.


E a suplementação?

Aqui está um ponto importante.

Tanto o leite materno quanto as fórmulas infantis fornecem carnitina, embora em quantidades diferentes.

A carnitina também pode ser administrada por via parenteral. Entretanto, as evidências sobre os benefícios dessa suplementação em prematuros ainda são contraditórias, e seu uso não é geralmente recomendado pelas diretrizes atuais de nutrição parenteral para essa população.

Por isso, ainda não é possível afirmar que todo bebê prematuro precise receber suplementação de carnitina.

Novos estudos são necessários para esclarecer se a suplementação pode ser necessária em situações específicas, principalmente durante nutrição parenteral prolongada, e se o enriquecimento do leite materno com carnitina poderia apresentar benefícios em determinados prematuros.


Relevância para a prática magistral

A carnitina apresenta interesse para a prática magistral especialmente dentro do contexto de nutrição pediátrica individualizada.

O estudo reforça a importância de avaliar as necessidades nutricionais de prematuros de maneira individual, considerando alimentação, condições clínicas, crescimento e acompanhamento laboratorial.

Para a farmácia de manipulação, esse tipo de evidência também pode contribuir para a produção de materiais técnicos direcionados a pediatras e neonatologistas, apresentando o papel metabólico da carnitina e as evidências disponíveis sobre sua utilização em prematuros.

Entretanto, por se tratar de uma população extremamente vulnerável, qualquer suplementação deve ser realizada sob avaliação e prescrição do profissional responsável pelo acompanhamento do bebê.

Na neonatologia, pequenos detalhes nutricionais podem fazer parte de grandes decisões. E a carnitina ainda é uma peça desse quebra-cabeça que a ciência está tentando compreender.

 

Bibliografia consultada:

Manninen S; et al. A ingestão de carnitina e os níveis séricos se associam positivamente com o crescimento pós-natal e o tamanho do cérebro a termo em bebês muito prematuros. Nutrientes , 2022.

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