Catequinas do chá verde podem beneficiar articulações e músculos? O que mostram as evidências

Catequinas do chá verde podem beneficiar articulações e músculos? O que mostram as evidências

 

O envelhecimento está associado a alterações progressivas do sistema musculoesquelético que podem comprometer a mobilidade, a independência e a qualidade de vida. Entre as condições mais frequentes destacam-se a osteoartrite, caracterizada pela degeneração da cartilagem articular, e a sarcopenia, definida pela perda progressiva de massa e força muscular.

Nos últimos anos, compostos bioativos presentes no chá verde (Camellia sinensis), especialmente as catequinas, têm despertado interesse devido às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Uma revisão publicada na revista Antioxidants reuniu as evidências disponíveis sobre o papel dessas substâncias na saúde das articulações e dos músculos esqueléticos.


O que são as catequinas do chá verde?

As catequinas são compostos fenólicos pertencentes ao grupo dos flavonoides.

Entre elas, destaca-se a epigalocatequina galato (EGCG), considerada a principal responsável pelos efeitos biológicos atribuídos ao chá verde.

Diversos estudos experimentais sugerem que essas substâncias apresentam atividade:

  • antioxidante;
  • anti-inflamatória;
  • moduladora da sinalização celular;
  • protetora contra o estresse oxidativo.

Esses mecanismos justificam o interesse em sua aplicação nas doenças relacionadas ao envelhecimento.


Como as catequinas podem atuar na osteoartrite?

Segundo a revisão, estudos experimentais sugerem que as catequinas podem contribuir para a saúde da cartilagem por diferentes mecanismos, incluindo:

  • redução da produção de mediadores inflamatórios;
  • estímulo de processos anabólicos envolvidos na manutenção da cartilagem;
  • modulação da expressão de microRNAs relacionados ao metabolismo da matriz extracelular;
  • diminuição da morte de condrócitos;
  • redução da degradação do colágeno articular.

Esses efeitos podem ajudar a preservar a estrutura da cartilagem em modelos experimentais.


E nos músculos esqueléticos?

Em relação à sarcopenia, os estudos analisados sugerem que as catequinas podem favorecer:

  • equilíbrio entre síntese e degradação de proteínas musculares;
  • melhora do metabolismo energético mitocondrial;
  • redução do estresse oxidativo;
  • manutenção da homeostase muscular;
  • atenuação da perda de massa muscular associada ao envelhecimento.

Esses mecanismos ainda estão sendo investigados, especialmente em humanos.


O que a revisão científica encontrou?

A revisão reuniu mais de 25 estudos sobre o tema.

De forma geral, os autores concluíram que as catequinas do chá verde apresentam potencial para contribuir com a manutenção da saúde musculoesquelética durante o envelhecimento.

Entretanto, a maior parte das evidências deriva de estudos experimentais e pré-clínicos, enquanto os ensaios clínicos em humanos ainda são limitados.


Conclusão

As catequinas do chá verde, especialmente a EGCG, apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que podem contribuir para a manutenção da saúde das articulações e dos músculos durante o envelhecimento. Estudos experimentais sugerem benefícios relacionados à preservação da cartilagem e à redução da perda muscular. Novos ensaios clínicos são necessários para definir a eficácia, a segurança e os protocolos ideais de suplementação.


Relevância para a prática magistral

Os extratos padronizados de chá verde ricos em EGCG despertam interesse crescente na farmácia magistral devido ao seu potencial antioxidante e anti-inflamatório. Entretanto, a indicação deve ser individualizada e baseada nas evidências clínicas disponíveis, considerando possíveis contraindicações, interações medicamentosas e a qualidade do extrato utilizado. O farmacêutico magistral pode desempenhar papel importante na seleção de matérias-primas padronizadas e na orientação quanto ao uso seguro desses produtos.

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Referencias consultadas:

Luk HY, et al. Impacts of Green Tea on Joint and Skeletal Muscle Health: Prospects of Translational Nutrition. Antioxidants, 2020.

 

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