L-cisteína reduz alterações associadas ao Alzheimer em estudo experimental

L-cisteína reduz alterações associadas ao Alzheimer em estudo experimental

A doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência no mundo, sendo responsável por aproximadamente 60% a 70% dos casos. Caracteriza-se por um processo neurodegenerativo progressivo que compromete memória, raciocínio e outras funções cognitivas.

Entre os diversos mecanismos investigados na fisiopatologia da doença, a formação de agregados da proteína beta-amiloide (Aβ) e o aumento do estresse oxidativo figuram entre os mais estudados.

Um trabalho conduzido por pesquisadores do Instituto de Distúrbios Cerebrais de Pequim avaliou se a L-cisteína poderia reduzir alterações associadas a uma forma genética rara da doença de Alzheimer.


O que é a mutação E22K?

Embora a maioria dos casos de Alzheimer seja esporádica e ocorra após os 65 anos, existe uma forma hereditária muito menos frequente conhecida como doença de Alzheimer familiar de início precoce.

Nesses casos, mutações genéticas específicas favorecem a formação anormal da proteína beta-amiloide.

Uma dessas alterações é a mutação E22K, localizada na sequência da proteína Aβ.

Essa mutação aumenta a tendência de agregação da proteína e está associada ao desenvolvimento precoce da doença.


Como o estudo foi realizado?

Os pesquisadores utilizaram camundongos geneticamente modificados para expressar a mutação E22K.

Durante o experimento, foram avaliados:

  • deposição de placas beta-amiloides;
  • morte neuronal;
  • desempenho em testes de memória;
  • níveis séricos de peróxido de hidrogênio;
  • atividade da enzima catalase.

Também foi investigado o efeito da administração de L-cisteína, um aminoácido com propriedades antioxidantes.


Quais foram os resultados?

Os animais portadores da mutação apresentaram:

  • maior deposição de placas beta-amiloides;
  • aumento da morte neuronal;
  • pior desempenho em testes de memória;
  • maiores níveis de peróxido de hidrogênio;
  • menor atividade da enzima catalase.

Após o tratamento com L-cisteína, os pesquisadores observaram:

  • redução dos níveis de peróxido de hidrogênio;
  • diminuição da agregação da proteína beta-amiloide associada à mutação E22K.

Esses resultados sugerem que o controle do estresse oxidativo pode influenciar alguns processos envolvidos nesse modelo experimental da doença.


Qual pode ser o papel da L-cisteína?

A L-cisteína é um aminoácido que participa da síntese da glutationa, um dos principais antioxidantes produzidos pelo organismo.

No estudo, sua ação foi atribuída principalmente à capacidade de reduzir o excesso de peróxido de hidrogênio, diminuindo o estresse oxidativo observado nos animais.

Entretanto, ainda não está esclarecido se esse mecanismo teria impacto semelhante em seres humanos com doença de Alzheimer.


A L-cisteína pode tratar a doença de Alzheimer?

Ainda não.

O estudo foi realizado exclusivamente em um modelo animal de uma forma rara e hereditária da doença.

Isso significa que os resultados:

  • não demonstram eficácia clínica em humanos;
  • não comprovam benefício para o Alzheimer esporádico, que representa a grande maioria dos casos;
  • precisam ser confirmados em estudos clínicos antes que qualquer recomendação terapêutica possa ser feita.

Portanto, não há evidências suficientes para indicar a L-cisteína como tratamento da doença de Alzheimer.


Quais são as limitações do estudo?

Apesar dos resultados promissores, algumas limitações devem ser consideradas:

  • estudo realizado apenas em camundongos;
  • utilização de uma mutação genética rara (E22K);
  • ausência de ensaios clínicos em humanos;
  • impossibilidade de extrapolar diretamente os resultados para pacientes com Alzheimer esporádico.

Esses fatores reforçam a necessidade de novas pesquisas antes da aplicação clínica dessa estratégia.


Conclusão

O estudo experimental demonstrou que a L-cisteína reduziu marcadores de estresse oxidativo e diminuiu a agregação da proteína beta-amiloide em camundongos portadores da mutação E22K, associada à doença de Alzheimer familiar de início precoce. Embora esses achados reforcem a importância do estresse oxidativo na fisiopatologia da doença, ainda não existem evidências clínicas que sustentem o uso da L-cisteína como tratamento para pacientes com Alzheimer.


Relevância para a prática magistral

A investigação de compostos com potencial antioxidante continua sendo uma área de interesse na pesquisa sobre doenças neurodegenerativas. 

 

Bibliografia consultada:

Bibligrafia consultada:Jiang W, et a. Single Point Mutation from E22-to-K in Aβ Initiates Early-Onset Alzheimer’s Disease by Binding with Catalase. Oxidative Medicine and Cellular Longevity, 2020.

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