
A curcumina, principal composto bioativo da Curcuma longa, é amplamente conhecida por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Nos últimos anos, pesquisadores também passaram a investigar seu possível papel na preservação da massa óssea, especialmente em situações de perda óssea relacionada à deficiência de estrogênio.
Um estudo publicado em fevereiro de 2021 no Journal of Medical Sciences avaliou se a curcumina poderia proteger os ossos em um modelo experimental de osteoporose.
Como o estudo foi realizado?
Pesquisadores da Central South University, na China, utilizaram ratas submetidas à ovariectomia, procedimento que remove os ovários e provoca deficiência de estrogênio, simulando a osteoporose observada após a menopausa.
Os animais receberam curcumina por via intragástrica durante 12 semanas.
Ao final do tratamento, os pesquisadores avaliaram:
- a microestrutura óssea da mandíbula e do fêmur por microtomografia computadorizada;
- alterações histológicas por coloração com hematoxilina e eosina;
- a expressão de genes relacionados à formação óssea (EZH2, β-catenina e Runx2);
- a expressão da proteína EZH2 por imuno-histoquímica.
Quais foram os resultados?
Os animais tratados com curcumina apresentaram:
- melhora da microestrutura do osso trabecular;
- aumento da formação óssea na mandíbula;
- melhora da estrutura óssea do fêmur;
- alterações na expressão de genes envolvidos na remodelação óssea.
Esses resultados sugerem que a curcumina exerceu um efeito protetor contra a perda óssea induzida pela deficiência de estrogênio nesse modelo experimental.
Como a curcumina pode atuar?
Os pesquisadores sugerem que os efeitos observados estejam relacionados à modulação da via EZH2/Wnt/β-catenina.
Essa via participa da diferenciação dos osteoblastos — células responsáveis pela formação do tecido ósseo — e da manutenção do equilíbrio entre formação e reabsorção óssea.
Ao favorecer essa sinalização, a curcumina poderia estimular a formação de novo tecido ósseo e reduzir a perda de massa óssea.
O que esses resultados significam?
A pesquisa demonstra que a curcumina apresentou resultados promissores em um modelo animal de osteoporose.
Entretanto, é importante destacar que:
- o estudo foi realizado apenas em animais;
- ainda não é possível afirmar que os mesmos benefícios ocorrerão em humanos;
- são necessários ensaios clínicos para confirmar a eficácia, definir doses e avaliar a segurança em pacientes com osteoporose.
Conclusão
O estudo publicado no Journal of Medical Sciences mostrou que a administração de curcumina durante 12 semanas melhorou a microestrutura óssea e estimulou a formação de osso na mandíbula e no fêmur de ratas com osteoporose induzida pela deficiência de estrogênio. Os resultados sugerem que esse efeito possa estar relacionado à modulação da via EZH2/Wnt/β-catenina. Embora promissores, esses achados ainda são experimentais e precisam ser confirmados em estudos clínicos com seres humanos antes que a curcumina possa ser recomendada para o tratamento da osteoporose.
Relevância para a prática magistral
A curcumina é um fitonutriente amplamente utilizado em formulações magistrais devido às suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Estudos experimentais vêm ampliando seu potencial de aplicação para outras áreas, como a saúde óssea. Entretanto, até o momento, seu uso na osteoporose deve ser considerado investigacional, sendo fundamental orientar pacientes de que as evidências clínicas ainda são limitadas e que a suplementação não substitui o tratamento convencional.
Bibliografia consultada:
Jiang Q, et al. Curcumin regulates EZH2/Wnt/β‐Catenin pathway in the mandible and femur of ovariectomized osteoporosis rats. Kaohsiung J Med Sci. 2021.