Melatonina melhora a qualidade do sono? O que mostra uma revisão com 23 estudos clínicos

Melatonina melhora a qualidade do sono? O que mostra uma revisão com 23 estudos clínicos

 

A melatonina é um hormônio naturalmente produzido pela glândula pineal que desempenha papel fundamental na regulação do ritmo circadiano, sincronizando o ciclo sono-vigília com a alternância entre claro e escuro.

Nos últimos anos, seu uso como suplemento tem sido amplamente estudado para diferentes distúrbios do sono.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada no Journal of Neurology reuniu os resultados de 23 ensaios clínicos randomizados para avaliar se a suplementação de melatonina melhora a qualidade do sono em adultos.


Como o estudo foi realizado?

Pesquisadores da Universidade de Ciências Médicas de Teerã selecionaram 23 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 1.965 participantes com diferentes condições de saúde.

Os estudos apresentavam:

  • acompanhamento entre 2 e 24 semanas;
  • doses variando de 2 a 10 mg por dia;
  • amostras entre 16 e 711 participantes.

A qualidade do sono foi avaliada utilizando o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI), um dos instrumentos mais utilizados em pesquisas clínicas sobre sono.


O que é o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI)?

O PSQI é um questionário validado que avalia diversos aspectos do sono durante o último mês, incluindo:

  • qualidade subjetiva do sono;
  • tempo para adormecer (latência);
  • duração do sono;
  • eficiência do sono;
  • despertares noturnos;
  • uso de medicamentos para dormir;
  • impacto do sono nas atividades diurnas.

Pontuações menores indicam melhor qualidade do sono.


Quais foram os resultados?

A análise conjunta dos estudos mostrou que os participantes que utilizaram melatonina apresentaram melhora significativa na qualidade do sono, quando comparados aos grupos controle.

Os benefícios foram observados em diferentes grupos de pacientes, incluindo indivíduos com:

  • distúrbios respiratórios;
  • doenças metabólicas;
  • distúrbios do sono.

Os pesquisadores também verificaram que tanto doses até 3 mg quanto doses superiores a 3 mg estiveram associadas à melhora do PSQI.


Como a melatonina atua?

Ao contrário dos medicamentos hipnóticos tradicionais, a melatonina não promove o sono por sedação direta.

Sua principal função é sinalizar ao organismo que chegou o momento fisiológico de dormir, atuando na regulação do relógio biológico localizado no núcleo supraquiasmático do hipotálamo.

Por esse motivo, ela costuma apresentar melhores resultados em situações relacionadas à desorganização do ritmo circadiano, como:

  • jet lag;
  • trabalho em turnos;
  • atraso da fase do sono;
  • redução fisiológica da produção de melatonina com o envelhecimento.

A idade influencia a produção de melatonina?

Sim.

A produção endógena de melatonina tende a diminuir com o avanço da idade.

Essa redução é considerada um dos fatores que podem contribuir para o aumento da frequência de distúrbios do sono em idosos, embora não seja a única causa da insônia nessa população.


O que dizem as evidências atuais?

A meta-análise reforça que a melatonina pode melhorar a qualidade do sono em diferentes contextos clínicos.

Entretanto, sua eficácia varia conforme a causa do distúrbio do sono. As evidências mais consistentes concentram-se em condições relacionadas à alteração do ritmo circadiano, enquanto os benefícios para outros tipos de insônia podem ser mais modestos.

Assim, a indicação deve ser individualizada e baseada na avaliação clínica.


Conclusão

A revisão sistemática com meta-análise publicada no Journal of Neurology demonstrou que a suplementação de melatonina esteve associada à melhora da qualidade do sono em adultos avaliados por meio do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI). Embora os resultados reforcem o papel da melatonina na regulação do sono, a heterogeneidade dos estudos indica que seus efeitos podem variar conforme a condição clínica e as características dos pacientes. 


Relevância para a prática magistral

A melatonina é um dos ativos mais utilizados na prática magistral para estratégias relacionadas ao sono e ao ritmo circadiano. O farmacêutico deve considerar fatores como dose, horário de administração, forma farmacêutica (liberação imediata ou prolongada) e objetivo terapêutico, além de orientar que a suplementação deve ser acompanhada de medidas de higiene do sono. A individualização da terapia é essencial para otimizar os resultados clínicos.

 

Bibliografia consultada:

Gholamini F, et al. Effect of melatonin supplementation on sleep quality: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Journal of Neurology, 2021

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