A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurodegenerativa crônica caracterizada por inflamação, desmielinização e neurodegeneração progressiva. Além das alterações neurológicas, muitos pacientes apresentam aumento do estresse oxidativo, perda de massa muscular, acúmulo de gordura corporal e sintomas depressivos, fatores que impactam significativamente a qualidade de vida.
Um estudo clínico avaliou os efeitos da associação entre galato de epigalocatequina (EGCG) — principal catequina do chá verde — e óleo de coco, fonte de corpos cetônicos, sobre parâmetros metabólicos e emocionais em pacientes com esclerose múltipla. Os resultados mostraram melhora dos sintomas depressivos e redução da gordura abdominal após quatro meses de suplementação.
Esclerose múltipla e alterações metabólicas
Embora a esclerose múltipla seja conhecida principalmente pelos danos ao sistema nervoso central, a doença também está associada a alterações metabólicas importantes, como:
- aumento do estresse oxidativo;
- perda progressiva de massa muscular;
- aumento da gordura corporal;
- fadiga;
- maior prevalência de depressão.
Essas alterações contribuem para a redução da capacidade funcional e piora da qualidade de vida dos pacientes.
Por que estudar o EGCG e o óleo de coco?
O galato de epigalocatequina (EGCG) é o principal polifenol do chá verde e possui reconhecida atividade antioxidante e anti-inflamatória.
Já o óleo de coco favorece a produção de corpos cetônicos, especialmente o beta-hidroxibutirato (BHB), composto utilizado como fonte alternativa de energia pelo cérebro e que vem sendo investigado em diversas doenças neurológicas.
A hipótese dos pesquisadores era que a combinação desses dois compostos pudesse exercer efeitos complementares sobre o metabolismo e os sintomas emocionais da doença.
Como o estudo foi realizado?
Participaram do estudo 51 pacientes com esclerose múltipla, distribuídos aleatoriamente em dois grupos.
O grupo de intervenção recebeu diariamente durante quatro meses:
- 800 mg de EGCG;
- 60 mL de óleo de coco.
O grupo controle recebeu placebo, enquanto ambos seguiram uma dieta isocalórica durante todo o estudo.
Antes e após a intervenção foram avaliados:
- níveis séricos de cortisol;
- albumina;
- beta-hidroxibutirato (BHB);
- percentual de gordura corporal;
- relação cintura-quadril;
- peso corporal;
- percentual de massa muscular;
- sintomas depressivos por meio do Inventário de Depressão de Beck (BDI-II).
Quais foram os resultados?
Ao final dos quatro meses, os pesquisadores observaram no grupo suplementado:
- redução significativa da gordura abdominal;
- diminuição dos sintomas de depressão;
- aumento dos níveis séricos de albumina.
Por outro lado, não foram observadas alterações significativas nos níveis de cortisol entre os grupos.
Qual a possível explicação?
Segundo os autores, o aumento da albumina pode contribuir para reduzir a fração livre circulante do cortisol, uma vez que parte desse hormônio é transportada ligada à albumina.
Embora os níveis totais de cortisol não tenham sido alterados, essa modificação poderia influenciar sua atividade biológica e contribuir para os efeitos observados sobre o humor.
Além disso, o EGCG e os corpos cetônicos apresentam propriedades antioxidantes e metabólicas que podem atuar de forma complementar na fisiopatologia da esclerose múltipla.
Conclusão
Neste estudo, a suplementação diária com 800 mg de EGCG associada a 60 mL de óleo de coco durante quatro meses promoveu redução da gordura abdominal, diminuição dos sintomas depressivos e aumento da albumina sérica em pacientes com esclerose múltipla. Os resultados reforçam o potencial dessa combinação como estratégia complementar no manejo metabólico e emocional da doença.
Relevância para a prática magistral
A associação entre EGCG e óleo de coco representa uma estratégia nutricional interessante para pacientes com esclerose múltipla, reunindo compostos bioativos com potencial ação antioxidante e metabólica. Os resultados deste estudo ampliam o interesse por abordagens complementares voltadas ao suporte nutricional, composição corporal e qualidade de vida nessa população.
Bibliografia consultada:
Platero JL, et al. The Impact of Epigallocatechin Gallate and Coconut Oil Treatment on Cortisol Activity and Depression in Multiple Sclerosis Patients. Life 2021.
