
O tratamento de lesões da mucosa oral, como aftas, estomatites, úlceras traumáticas e processos inflamatórios, apresenta um desafio importante: a permanência do medicamento no local de aplicação.
A saliva, os movimentos da língua e a deglutição reduzem rapidamente o tempo de contato dos fármacos com a mucosa, podendo comprometer sua eficácia.
Nesse contexto, a pomada Orabase destaca-se como um veículo farmacêutico desenvolvido para aumentar a adesão do medicamento à mucosa oral, formando um filme protetor que prolonga o contato do ativo com a lesão.
O que é a pomada Orabase?
A Orabase é uma base mucoadesiva constituída por uma fase oleosa e uma fase aquosa, desenvolvida para aderir à mucosa oral.
Após a aplicação, forma uma película que:
- aumenta o tempo de permanência do medicamento;
- reduz a remoção pela saliva;
- protege mecanicamente a lesão;
- favorece a ação local do princípio ativo.
Essas características fazem da Orabase uma das bases mais utilizadas em formulações magistrais destinadas ao tratamento de afecções da cavidade oral.
Quando a Orabase é indicada?
A base pode ser utilizada em formulações destinadas ao tratamento de diversas condições da mucosa oral, como:
- aftas recorrentes;
- estomatites;
- lesões traumáticas;
- processos inflamatórios da mucosa;
- infecções fúngicas ou bacterianas, conforme indicação clínica.
A escolha do princípio ativo deve sempre considerar o diagnóstico e a finalidade terapêutica.
Farmacotécnica clássica da pomada Orabase
A seguir, apresenta-se uma formulação farmacotécnica clássica utilizada como referência para o preparo da base.
Fase 1 – Oleosa
| Ingrediente | Quantidade (%) |
|---|---|
| Gel de petrolato e polietileno | 40 |
Fase 2 – Aquosa
| Ingrediente | Quantidade (%) |
|---|---|
| Carboximetilcelulose (CMC) | 0,5 |
| Pectina | 10 |
| Gelatina | 0,5 |
| Conservante | q.s. |
| Água purificada | q.s.p |
Observação: Esta corresponde a uma formulação farmacotécnica clássica. A composição da base pode variar conforme a referência técnica, a farmacopeia adotada ou a padronização de cada serviço.
Modo de preparo
- Aquecer a água até a fervura.
- Dissolver o conservante e a carboximetilcelulose (CMC).
- Adicionar a gelatina sob agitação.
- Incorporar a pectina lentamente até completa homogeneização.
- Deixar a fase aquosa resfriar.
- Incorporar cuidadosamente à fase oleosa até obtenção de uma base homogênea.
Quais princípios ativos podem ser incorporados?
Diversos medicamentos de uso tópico podem ser veiculados em Orabase, de acordo com a indicação clínica.
Entre os mais utilizados destacam-se:
- triancinolona;
- gentamicina;
- neomicina;
- bacitracina;
- cetoconazol;
- nistatina;
- tinturas, quando compatíveis com a formulação.
Sempre que possível, recomenda-se solubilizar ou dispersar previamente o princípio ativo na fase em que apresentar maior solubilidade, favorecendo sua distribuição uniforme na formulação.
Quais são as vantagens da Orabase?
Entre os principais benefícios dessa base farmacêutica estão:
- elevada mucoadesividade;
- maior tempo de contato do medicamento com a lesão;
- proteção mecânica da mucosa;
- redução da remoção pela saliva;
- melhora potencial da eficácia terapêutica local.
Essas características tornam a Orabase especialmente útil para medicamentos cujo efeito depende da permanência prolongada sobre a mucosa oral.
Conclusão
A pomada Orabase é uma base farmacêutica mucoadesiva amplamente empregada em formulações destinadas ao tratamento de lesões da cavidade oral. Sua capacidade de aderir à mucosa e formar uma película protetora prolonga o tempo de contato do medicamento com o tecido, favorecendo a ação local dos princípios ativos. Conhecer sua composição, preparo e indicações é fundamental para a prática da farmácia magistral.
Relevância para a prática magistral
A escolha do veículo é um dos fatores que mais influenciam o sucesso terapêutico de formulações tópicas para a mucosa oral. Bases mucoadesivas, como a Orabase, permitem maior retenção do medicamento no local de aplicação, podendo otimizar a eficácia clínica de ativos anti-inflamatórios, antimicrobianos e antifúngicos. Além disso, a correta avaliação da compatibilidade entre o princípio ativo e a base é essencial para garantir estabilidade, homogeneidade e desempenho da formulação.