Testosterona pode melhorar a função sexual e o bem-estar de mulheres na pós-menopausa

Testosterona pode melhorar a função sexual e o bem-estar de mulheres na pós-menopausa

A testosterona é um hormônio produzido tanto por homens quanto por mulheres, embora em concentrações diferentes. Com o envelhecimento, seus níveis tendem a diminuir em ambos os sexos, podendo contribuir para alterações na libido e na resposta sexual.

Nesse contexto, uma revisão sistemática e meta-análise publicada na The Lancet Diabetes & Endocrinology avaliou os efeitos da reposição de testosterona sobre a função sexual e o bem-estar de mulheres, especialmente durante a pós-menopausa.


O que a revisão avaliou?

Os pesquisadores reuniram 46 relatórios referentes a 36 estudos randomizados, totalizando dados de 8.480 mulheres, a maioria na pós-menopausa.

Os estudos compararam o uso de testosterona com placebo ou outras terapias hormonais e avaliaram diferentes aspectos da função sexual feminina.

Em comparação aos grupos controle, as mulheres que receberam testosterona apresentaram melhora em diversos parâmetros, incluindo:

  • desejo sexual;
  • excitação;
  • resposta aos estímulos sexuais;
  • orgasmo;
  • prazer sexual;
  • autoimagem;
  • preocupação relacionada à atividade sexual;
  • angústia ou desconforto relacionado à vida sexual.

Os resultados indicaram, portanto, que a testosterona não estaria relacionada apenas ao aumento do desejo sexual, mas poderia proporcionar uma melhora mais ampla da experiência sexual.


Sexualidade também está relacionada ao bem-estar

A função sexual pode influenciar diretamente aspectos emocionais e a percepção que a mulher tem sobre si mesma.

Por isso, os resultados observados na revisão são particularmente relevantes para mulheres na pós-menopausa que apresentam redução da libido ou insatisfação com a vida sexual.

A melhora da resposta sexual pode contribuir para uma percepção mais positiva da própria sexualidade, da autoimagem e, consequentemente, do bem-estar geral.


O que os resultados significam na prática?

Os achados da meta-análise são importantes porque reúnem dados de um número expressivo de mulheres e demonstram benefícios da testosterona em diferentes dimensões da função sexual.

Entretanto, os resultados não significam que toda mulher na pós-menopausa deva utilizar testosterona. A decisão de realizar terapia hormonal deve considerar indicação clínica, avaliação individual e acompanhamento profissional.

Além disso, os resultados apresentados dizem respeito principalmente à função sexual, não devendo ser extrapolados automaticamente para outras finalidades relacionadas à testosterona.


Conclusão

A revisão e meta-análise publicada na The Lancet Diabetes & Endocrinology, envolvendo 8.480 mulheres, encontrou evidências de que a reposição de testosterona pode melhorar diferentes aspectos da função sexual feminina, incluindo desejo, excitação, orgasmo, prazer e resposta aos estímulos.

Os resultados são especialmente relevantes para mulheres na pós-menopausa que apresentam alterações na função sexual e reforçam a importância de uma abordagem individualizada para o manejo dessas queixas.


Relevância para a prática magistral

A testosterona é um hormônio de grande interesse para a prática magistral, especialmente no atendimento de mulheres na pós-menopausa com queixas relacionadas à função sexual.

A evidência apresentada pode contribuir para a elaboração de materiais técnico-científicos direcionados a ginecologistas, endocrinologistas e profissionais que atuam com saúde da mulher, abordando de forma objetiva o papel da testosterona na função sexual feminina.

 

Bibliografia consultada:

Islam RM; et al. Safety and efficacy of testosterone for women: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trial data. The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2019.

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