A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva e multifatorial. Embora seus mecanismos ainda não sejam completamente compreendidos, fatores nutricionais e metabólicos vêm sendo investigados por seu possível papel na saúde do sistema nervoso.
Nesse contexto, pesquisadores avaliaram durante décadas a relação entre o consumo de algumas vitaminas do complexo B e o risco de desenvolver doença de Parkinson.
Os resultados foram apresentados no International Congress of Parkinson’s Disease and Movement Disorders 2022 e envolveram uma grande população de homens e mulheres acompanhados por aproximadamente 30 anos.
O que os pesquisadores avaliaram?
A análise incluiu informações de mais de 80 mil mulheres e quase 50 mil homens.
Durante o acompanhamento, foram avaliados dados relacionados à alimentação, suplementação e ingestão total de:
- ácido fólico (vitamina B9);
- vitamina B6;
- vitamina B12.
Ao longo do período de acompanhamento, 495 mulheres e 621 homens receberam diagnóstico de doença de Parkinson.
E o que foi observado?
Após os ajustes das variáveis analisadas, os pesquisadores observaram que os participantes com maior ingestão total de vitamina B12 apresentaram menor risco de desenvolver doença de Parkinson.
Mas havia uma questão importante: seria possível que a própria doença, ainda antes do diagnóstico, alterasse os hábitos alimentares dos participantes?
Para tentar reduzir esse problema, os pesquisadores analisaram a ingestão de vitamina B12 em diferentes períodos anteriores ao diagnóstico, considerando intervalos de 8, 12, 16 e 20 anos.
A associação mais significativa foi observada quando os pesquisadores consideraram a ingestão de B12 durante o período de 20 anos.
O que isso significa?
Os resultados levantam a hipótese de que uma maior ingestão de vitamina B12 ao longo da vida, especialmente em períodos mais precoces, possa estar associada a um menor risco de ocorrência da doença de Parkinson.
Entretanto, é importante destacar que os dados mostram uma associação, e não comprovam que a suplementação de vitamina B12 seja capaz de prevenir a doença.
Novos estudos serão necessários para entender se existe realmente um efeito protetor e quais mecanismos poderiam explicar essa relação.
Relevância para a prática magistral
A vitamina B12 apresenta grande interesse para a prática magistral dentro das estratégias relacionadas à saúde neurológica e envelhecimento saudável.
Para a farmácia de manipulação, estudos como esse podem contribuir para a elaboração de materiais técnicos direcionados a neurologistas, geriatras, nutrólogos e outros prescritores, apresentando o papel da vitamina B12 e as evidências disponíveis sobre sua relação com doenças neurodegenerativas.
A avaliação individual do estado nutricional também é importante, especialmente porque a necessidade de suplementação deve considerar alimentação, exames laboratoriais, condições clínicas e características individuais do paciente.
Quando falamos em saúde cerebral, talvez a prevenção comece muito antes dos primeiros sintomas.
