A osteopenia é uma condição caracterizada pela redução da densidade mineral óssea, representando um estágio intermediário entre a massa óssea normal e a osteoporose. Embora não seja considerada uma doença, a osteopenia aumenta significativamente o risco de fraturas e da progressão para osteoporose, especialmente em mulheres após a menopausa.
O tratamento convencional inclui a suplementação de cálcio e vitamina D, nutrientes essenciais para a manutenção da saúde óssea. No entanto, pesquisas recentes têm investigado se outros nutrientes, como os peptídeos de colágeno, podem potencializar os efeitos dessa estratégia.
Um estudo clínico randomizado, publicado na Journal of Clinical Densitometry, avaliou justamente essa hipótese.
Como o estudo foi realizado?
A pesquisa incluiu 45 mulheres na pós-menopausa com diagnóstico de osteopenia.
Todas as participantes receberam diariamente durante 12 meses:
- 500 mg de cálcio;
- 10 mcg (400 UI) de vitamina D3.
Além disso, 23 mulheres receberam também:
- 5 g de peptídeos de colágeno por dia.
Ao longo do estudo, foram avaliados diversos parâmetros relacionados à qualidade e à densidade óssea.
Quais foram os resultados?
Após um ano de suplementação, o grupo que recebeu peptídeos de colágeno apresentou benefícios adicionais em comparação ao grupo tratado apenas com cálcio e vitamina D.
Os pesquisadores observaram:
- aumento significativo do conteúdo mineral ósseo;
- melhora da densidade mineral óssea na porção trabecular da tíbia;
- aumento da densidade e do conteúdo mineral do osso cortical da tíbia;
- melhora da densidade mineral óssea da coluna lombar;
- alterações sugestivas de melhora nos marcadores de remodelação óssea.
Já o grupo que recebeu somente cálcio e vitamina D não apresentou melhora significativa nesses parâmetros.
O que esses resultados sugerem?
Os autores sugerem que os peptídeos de colágeno podem atuar como um importante adjuvante na manutenção da saúde óssea durante o envelhecimento.
Embora o mecanismo ainda esteja sendo investigado, acredita-se que os peptídeos de colágeno forneçam aminoácidos importantes para a matriz orgânica do osso, favorecendo a remodelação óssea e contribuindo para a manutenção da resistência esquelética.
O papel do colágeno na estrutura óssea
Apesar de o cálcio ser frequentemente lembrado quando se fala em saúde óssea, aproximadamente 90% da matriz orgânica do osso é composta por colágeno tipo I.
Essa matriz funciona como uma estrutura sobre a qual os minerais são depositados, conferindo ao tecido ósseo resistência mecânica e elasticidade.
Dessa forma, estratégias que estimulem a síntese ou o fornecimento de componentes do colágeno podem contribuir para uma melhor qualidade óssea.
Conclusão
O estudo publicado na Journal of Clinical Densitometry demonstrou que a suplementação diária de 5 g de peptídeos de colágeno, associada ao cálcio e à vitamina D3 durante 12 meses, promoveu melhora significativa de diversos parâmetros relacionados à saúde óssea em mulheres na pós-menopausa com osteopenia. Esses achados sugerem que os peptídeos de colágeno podem atuar como um importante adjuvante na prevenção da perda óssea.
Relevância para a prática magistral
Os resultados reforçam o potencial dos peptídeos de colágeno como terapia complementar para mulheres na pós-menopausa com osteopenia. Na prática magistral, a associação de peptídeos de colágeno com cálcio e vitamina D pode representar uma estratégia nutricional interessante para pacientes com redução da densidade mineral óssea, especialmente quando individualizada conforme idade, estado nutricional e fatores de risco para osteoporose. Embora os resultados sejam promissores, a suplementação deve integrar um plano terapêutico que inclua alimentação adequada, atividade física e acompanhamento clínico.
Bibliografia consultada:
Adamidou KL; et al. Effect of Calcium and Vitamin D Supplementation With and Without Collagen Peptides on Volumetric and Areal Bone Mineral Density, Bone Geometry and Bone Turnover in Postmenopausal Women With Osteopenia. Journal of Clinical Densitometry, 2021.
