Consumo de peixe oleoso pode estar associado a menor risco de diabetes tipo 2

Consumo de peixe oleoso pode estar associado a menor risco de diabetes tipo 2

O consumo de peixes, especialmente os chamados peixes oleosos, é frequentemente associado à saúde cardiovascular devido à presença de ácidos graxos poli-insaturados, principalmente os ômega-3.

Mas será que esse benefício também poderia se estender ao metabolismo da glicose?

Um grande estudo prospectivo observacional realizado no Reino Unido investigou justamente essa questão e encontrou uma associação entre o consumo habitual de peixes oleosos e uma menor incidência de diabetes tipo 2.


Quase 400 mil pessoas foram acompanhadas por mais de 10 anos

Publicado na revista Diabetes Care, o estudo acompanhou quase 400.000 participantes durante pouco mais de 10 anos.

No início da pesquisa, os participantes não apresentavam diabetes, doenças cardiovasculares graves ou câncer. Os pesquisadores avaliaram a ingestão habitual de diferentes grupos alimentares e também investigaram o uso de suplementos de óleo de peixe.

Após o período de acompanhamento, os pesquisadores analisaram a ocorrência de novos casos de diabetes tipo 2.


Uma ou mais porções de peixe oleoso por semana fizeram diferença

Os resultados mostraram que os participantes que consumiam:

  • 1 porção de peixe oleoso por semana; ou
  • 2 ou mais porções por semana

apresentaram uma taxa de incidência de diabetes tipo 2 22% menor em comparação com aqueles que não consumiam peixe oleoso, após os ajustes realizados pelos pesquisadores para diferentes fatores de confusão.

Um resultado interessante também foi observado entre os usuários de suplementos de óleo de peixe.

Os participantes que relataram utilizar regularmente esses suplementos apresentaram uma incidência 9% menor de diabetes tipo 2 em comparação com aqueles que não utilizavam.


O possível papel dos ômega-3

Os peixes oleosos são importantes fontes de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa, especialmente EPA e DHA.

Esses compostos são conhecidos por participar de diferentes processos metabólicos e apresentar efeitos relacionados à saúde cardiovascular e à inflamação.

Os resultados encontrados no estudo levantam a possibilidade de que esses mecanismos também possam estar relacionados ao metabolismo da glicose e ao desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Entretanto, é importante não extrapolar os resultados: o estudo avaliou associações e não demonstrou que o consumo de peixe ou de óleo de peixe seja responsável pela redução do risco de diabetes.


O que ainda precisa ser investigado?

Por se tratar de um estudo observacional, os pesquisadores não conseguem estabelecer uma relação de causa e efeito.

Pessoas que consomem peixe regularmente podem apresentar outros hábitos alimentares e comportamentais associados a um menor risco de diabetes. Mesmo com os ajustes estatísticos realizados, não é possível eliminar completamente a influência desses fatores.

Por isso, os resultados reforçam a necessidade de ensaios clínicos que investiguem especificamente o efeito da suplementação de ômega-3 sobre parâmetros relacionados ao metabolismo da glicose e sobre a incidência de diabetes tipo 2.


Conclusão

O grande estudo prospectivo realizado no Reino Unido encontrou uma associação significativa entre o consumo de peixes oleosos e menor incidência de diabetes tipo 2.

O consumo de uma ou mais porções semanais esteve associado a uma redução de 22% na incidência, enquanto o uso regular de suplementos de óleo de peixe esteve associado a uma redução de 9%.

Os resultados são interessantes e ampliam as evidências sobre os possíveis benefícios metabólicos dos peixes oleosos e do óleo de peixe. Entretanto, novos estudos, especialmente ensaios clínicos, são necessários para confirmar se existe uma relação causal.


Relevância para a prática magistral

O estudo é relevante para a prática magistral principalmente por reforçar o interesse dos ácidos graxos ômega-3 em estratégias relacionadas à saúde metabólica e cardiovascular.

Para a farmácia de manipulação, a associação entre consumo de peixe oleoso, suplementação de óleo de peixe e incidência de diabetes tipo 2 pode ser transformada em material técnico-científico para apresentação a médicos, nutricionistas e outros prescritores, ampliando a discussão sobre os diferentes contextos de utilização dos ômega-3.

 

Bibliografia consultada:

Chen G; et al. Association of Oily and Nonoily Fish Consumption and Fish Oil Supplements With Incident Type 2 Diabetes: A Large Population-Based Prospective Study. Diabetes Care, 2021.

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