Abacate pode reduzir gordura visceral em mulheres com sobrepeso e obesidade

Abacate pode reduzir gordura visceral em mulheres com sobrepeso e obesidade

A gordura abdominal não se distribui de maneira uniforme. Parte dela fica armazenada logo abaixo da pele, sendo chamada de gordura subcutânea, enquanto outra parcela se acumula mais profundamente, ao redor dos órgãos internos, sendo conhecida como gordura visceral.

A maior quantidade de gordura visceral está associada a alterações metabólicas e a um maior risco de desenvolvimento de diabetes. Diante disso, pesquisadores avaliaram se o consumo diário de abacate poderia modificar a distribuição da gordura abdominal em adultos com sobrepeso ou obesidade.

Os resultados, publicados no Journal of Nutrition, mostraram uma redução da gordura visceral e uma melhora na proporção entre gordura visceral e subcutânea entre as mulheres que consumiram um abacate por dia.


Gordura visceral e subcutânea: qual é a diferença?

Embora ambas sejam formas de armazenamento de energia, a localização dessas gorduras é diferente.

A gordura subcutânea está localizada logo abaixo da pele e representa grande parte da gordura corporal perceptível externamente. Já a gordura visceral está localizada na cavidade abdominal, envolvendo órgãos internos.

A gordura visceral apresenta particular interesse do ponto de vista metabólico porque sua maior quantidade está associada a alterações relacionadas à resistência à insulina e ao risco de doenças cardiometabólicas.

Por isso, além de avaliar o peso corporal, compreender onde a gordura está sendo armazenada pode ser importante para avaliar o impacto de determinadas estratégias alimentares sobre a saúde metabólica.


Estudo avaliou o efeito de um abacate por dia

O estudo incluiu 105 adultos com sobrepeso ou obesidade, que foram divididos em dois grupos.

Durante 12 semanas, um dos grupos recebeu refeições que incorporavam um abacate por dia. O grupo controle recebeu refeições com ingredientes e quantidade de calorias semelhantes, mas sem abacate.

Antes e após o período de intervenção, os pesquisadores avaliaram a quantidade e a distribuição da gordura abdominal dos participantes. Também foi realizado um teste de tolerância à glicose para investigar possíveis alterações no metabolismo da glicose.


Mulheres apresentaram redução da gordura visceral

Os resultados mostraram diferenças importantes de acordo com o sexo dos participantes.

Entre as mulheres que consumiram um abacate diariamente, houve redução da gordura visceral e também uma diminuição da proporção entre gordura visceral e gordura subcutânea.

Esse resultado sugere uma possível redistribuição da gordura abdominal, favorecendo uma menor concentração relativa de gordura visceral.

Nos homens, entretanto, não foram observadas mudanças significativas na distribuição da gordura abdominal.


Consumo de abacate não melhorou a tolerância à glicose

Apesar das alterações observadas na distribuição da gordura abdominal, o consumo diário de abacate não provocou melhora significativa na tolerância à glicose.

Esse resultado é importante porque mostra que a redução da gordura visceral observada no estudo não foi acompanhada, pelo menos durante as 12 semanas avaliadas, por uma melhora mensurável nesse marcador do metabolismo da glicose.

Portanto, os resultados não permitem afirmar que o consumo diário de abacate seja capaz de prevenir ou controlar o diabetes.


Por que o efeito pode ter sido diferente entre homens e mulheres?

Uma das observações mais interessantes do estudo foi justamente a diferença entre os sexos.

A redução da gordura visceral foi observada nas mulheres, enquanto os homens não apresentaram alteração significativa na distribuição da gordura abdominal.

Os pesquisadores destacam que esses resultados reforçam a necessidade de investigar de maneira mais aprofundada como o sexo pode influenciar a resposta metabólica aos alimentos e aos padrões alimentares.

Ainda não é possível estabelecer, a partir desse estudo isoladamente, quais mecanismos seriam responsáveis pela diferença observada.


O que esses resultados significam na prática?

O abacate é fonte de gorduras monoinsaturadas, fibras e outros componentes nutricionais, e sua inclusão em uma alimentação equilibrada pode contribuir para diferentes aspectos da saúde.

Neste estudo específico, entretanto, o principal achado foi relacionado à distribuição da gordura abdominal em mulheres, e não à perda de peso ou à melhora da tolerância à glicose.

Assim, os resultados devem ser interpretados dentro do contexto de uma alimentação equilibrada e não como evidência de que o consumo isolado de abacate seja capaz de promover emagrecimento ou prevenir o diabetes.


Conclusão

O consumo diário de um abacate durante 12 semanas foi associado à redução da gordura visceral e da proporção entre gordura visceral e subcutânea em mulheres com sobrepeso ou obesidade.

Apesar desse efeito favorável na distribuição da gordura abdominal, não foram observadas melhorias significativas na tolerância à glicose, e os mesmos resultados não foram identificados nos homens.

A pesquisa contribui para ampliar a compreensão sobre a influência de determinados alimentos na distribuição da gordura corporal e destaca a importância de considerar diferenças entre homens e mulheres nas respostas metabólicas. Novos estudos poderão esclarecer se esses efeitos se mantêm por períodos mais longos e quais mecanismos estão envolvidos.


Relevância para a prática magistral

O estudo chama atenção para a importância de estratégias nutricionais que não tenham como único objetivo a redução do peso corporal, mas também considerem a composição e a distribuição da gordura corporal.

Para a prática magistral, esse conceito pode ser interessante na abordagem de pacientes com sobrepeso, obesidade e risco cardiometabólico, especialmente quando associado a estratégias individualizadas envolvendo alimentação, atividade física e nutrientes ou compostos bioativos com evidências científicas.

 

Bibliografia consultada:

Khan NA, et al. Avocado Consumption, Abdominal Adiposity, and Oral Glucose Tolerance Among Persons with Overweight and Obesity. The Journal of Nutrition, 2021.

 

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