Uso combinado de antidepressivos e anti-inflamatórios pode aumentar risco de sangramento gastrointestinal

Uso combinado de antidepressivos e anti-inflamatórios pode aumentar risco de sangramento gastrointestinal

A associação entre medicamentos é uma prática comum na rotina clínica, mas algumas combinações podem aumentar o risco de eventos adversos. Entre elas, está o uso concomitante de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).

De acordo com os resultados de uma revisão sistemática e meta-análise, a utilização de um ISRS em pacientes que já fazem uso de AINEs está associada a um aumento significativo do risco de sangramento gastrointestinal superior.


O que são os ISRS?

Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina são uma classe de medicamentos amplamente utilizada no tratamento de transtornos depressivos e outros transtornos psiquiátricos.

Entre os medicamentos pertencentes a essa classe estão:

  • fluoxetina;
  • paroxetina;
  • sertralina;
  • citalopram.

Embora apresentem mecanismos de ação semelhantes, cada medicamento possui características farmacológicas próprias e sua utilização deve ser individualizada de acordo com a condição clínica do paciente.


Por que a combinação com AINEs merece atenção?

Os AINEs são medicamentos utilizados principalmente para o controle de dor e inflamação. Seu uso, especialmente de maneira prolongada, já é conhecido por estar associado a efeitos adversos gastrointestinais.

Quando um ISRS é adicionado ao tratamento de um paciente que utiliza AINEs regularmente, pode ocorrer um aumento adicional do risco de sangramento gastrointestinal.

Essa possibilidade é especialmente relevante porque tanto a indicação do antidepressivo quanto a necessidade de utilização do anti-inflamatório podem ser clinicamente justificadas, tornando importante avaliar cuidadosamente os riscos envolvidos na associação.


Meta-análise identificou aumento de 75% no risco

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Creighton, em Omaha, avaliaram dados de 10 estudos diferentes para investigar o risco associado ao uso simultâneo dessas duas classes de medicamentos.

Os resultados apresentados na reunião anual do American College of Gastroenterology indicaram que a associação entre ISRS e AINEs esteve relacionada a um aumento de aproximadamente 75% nas chances de ocorrência de sangramento gastrointestinal em comparação com o uso de AINEs sem ISRS.

O resultado reforça a importância de considerar possíveis interações e fatores de risco antes de acrescentar um ISRS ao tratamento de pacientes que fazem uso regular de AINEs.


A avaliação do risco deve fazer parte da decisão clínica

O achado não significa que pacientes em uso de AINEs não possam utilizar antidepressivos da classe dos ISRS. A decisão deve considerar a indicação clínica, os benefícios esperados, os fatores individuais de risco e a possibilidade de alternativas terapêuticas.

Quando a utilização concomitante for necessária, o acompanhamento adequado é fundamental para identificar precocemente sinais de possíveis complicações gastrointestinais.


Conclusão

A associação entre ISRS e AINEs foi relacionada a um aumento de aproximadamente 75% nas chances de sangramento gastrointestinal superior em uma revisão sistemática e meta-análise que reuniu dados de 10 estudos.

Os resultados reforçam a necessidade de avaliar cuidadosamente a relação entre risco e benefício antes de associar essas classes de medicamentos, especialmente em pacientes que utilizam AINEs regularmente.

A identificação de possíveis interações medicamentosas é uma etapa importante para promover maior segurança farmacoterapêutica e reduzir o risco de eventos adversos potencialmente graves.


Relevância para a prática magistral

Para a prática magistral, o estudo reforça a importância de uma avaliação criteriosa da farmacoterapia do paciente, especialmente quando a prescrição envolve múltiplos medicamentos.

O farmacêutico pode contribuir para a identificação de associações potencialmente problemáticas, orientando o paciente e mantendo uma comunicação próxima com o prescritor quando houver necessidade de discutir riscos, alternativas ou estratégias para aumentar a segurança do tratamento.

Mais do que desenvolver uma formulação personalizada, a prática magistral exige compreender o paciente de forma integral — incluindo medicamentos em uso, possíveis interações e fatores que possam interferir na segurança e na adesão ao tratamento.

 

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