Abacate pode estar associado a menor risco de doenças cardiovasculares

Abacate pode estar associado a menor risco de doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares, incluindo a doença cardíaca coronariana e o acidente vascular cerebral (AVC), estão entre as principais causas de morte no mundo. Embora diversos fatores estejam envolvidos em seu desenvolvimento, hábitos alimentares e de estilo de vida podem contribuir para a redução do risco cardiovascular.

Entre os alimentos que vêm despertando interesse está o abacate, fruta rica em fibras, potássio, magnésio, gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, além de diferentes fitonutrientes e compostos bioativos.

Mas será que o consumo habitual de abacate está realmente associado a uma menor ocorrência de doenças cardiovasculares?


Mais de 100 mil pessoas foram acompanhadas por décadas

Um grande estudo publicado no Journal of the American Heart Association avaliou dados de 68.786 mulheres participantes do Nurses’ Health Study (NHS) e 41.701 homens do Health Professionals Follow-up Study (HPFS).

No início do acompanhamento, todos estavam livres de câncer, doença cardíaca coronariana e acidente vascular cerebral.

Os participantes foram acompanhados por mais de 30 anos, período no qual os pesquisadores registraram:

  • 9.185 eventos de doença cardíaca coronariana;
  • 5.290 casos de AVC.

A alimentação dos participantes foi avaliada por meio de questionários de frequência alimentar, permitindo aos pesquisadores relacionar o consumo habitual de abacate com a ocorrência de eventos cardiovasculares.


Duas porções de abacate por semana fizeram diferença

Os participantes que consumiam pelo menos duas porções de abacate por semana apresentaram:

  • 16% menor risco de doença cardiovascular;
  • 21% menor risco de doença cardíaca coronariana;

quando comparados àqueles que raramente ou nunca consumiam abacate.

Para o estudo, uma porção correspondia a metade de um abacate ou meia xícara de abacate.

Esses resultados sugerem que a inclusão regular do alimento na dieta pode estar associada a um perfil cardiovascular mais favorável.


O que acontece quando o abacate substitui outros alimentos?

Uma das análises mais interessantes do estudo avaliou o que aconteceria quando o abacate substituísse determinados alimentos da dieta.

A substituição de meia porção diária de margarina, manteiga, ovo, iogurte, queijo ou carnes processadas, como bacon, pela mesma quantidade de abacate foi associada a uma redução de aproximadamente 16% a 22% no risco de eventos cardiovasculares.

Esse resultado chama atenção porque sugere que o benefício pode estar relacionado não apenas à presença do abacate na alimentação, mas também ao alimento que ele substitui.

Por outro lado, substituir meia porção diária de abacate por uma quantidade equivalente de azeite, oleaginosas ou outros óleos vegetais não demonstrou benefício cardiovascular adicional.


Por que o abacate pode ser interessante para a saúde cardiovascular?

O abacate apresenta uma composição nutricional bastante particular.

Entre seus componentes estão:

  • gorduras monoinsaturadas;
  • ácidos graxos poli-insaturados;
  • fibras alimentares;
  • potássio;
  • magnésio;
  • fitonutrientes;
  • compostos bioativos.

Dados populacionais anteriores também indicam que pessoas que consomem abacate tendem a apresentar maiores concentrações de HDL-colesterol, menor prevalência de síndrome metabólica e menores valores de peso corporal, IMC e circunferência da cintura.

Essas características ajudam a explicar por que o alimento vem sendo estudado no contexto da saúde cardiovascular.


É importante interpretar os resultados com cautela

Apesar do grande número de participantes e do longo período de acompanhamento, é importante lembrar que esse estudo é observacional.

Portanto, os resultados demonstram uma associação entre o consumo de abacate e menor risco cardiovascular, mas não comprovam que o abacate seja responsável diretamente pela redução desses eventos.

Além disso, pessoas que consomem abacate regularmente podem apresentar outros hábitos alimentares e comportamentais mais saudáveis, que também podem influenciar o risco cardiovascular.

Assim, o abacate deve ser entendido como parte de um padrão alimentar saudável, e não como um alimento isolado capaz de prevenir doenças cardiovasculares.


Conclusão

O acompanhamento de mais de 110 mil adultos por mais de três décadas encontrou uma associação entre o consumo regular de abacate e menor risco de doenças cardiovasculares.

O consumo de pelo menos duas porções semanais foi associado a 16% menos risco de doença cardiovascular e 21% menos risco de doença cardíaca coronariana.

Além disso, a substituição de determinados alimentos, especialmente fontes de gorduras saturadas e carnes processadas, pelo abacate esteve associada a uma redução de até 22% no risco de eventos cardiovasculares.

Embora os resultados sejam promissores, por se tratar de um estudo observacional, não é possível estabelecer causalidade. O benefício deve ser interpretado dentro do contexto de uma alimentação equilibrada e de hábitos de vida saudáveis.


Relevância para a prática magistral

O estudo apresenta o abacate como um alimento de interesse dentro de estratégias voltadas à saúde cardiovascular e ao metabolismo.

Para a prática magistral, o tema pode ser utilizado como ponto de partida para materiais técnico-científicos destinados a cardiologistas, endocrinologistas, nutricionistas e outros prescritores, especialmente em conteúdos relacionados a alimentação, perfil lipídico, síndrome metabólica e prevenção cardiovascular.

 

Bibliografia consultada:

Lorena S. Pacheco et al. Avocado Consumption and Risk of Cardiovascular Disease in US Adults. Journal of the American Heart Association, 2022

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