A disfunção erétil (DE) é uma condição caracterizada pela dificuldade de alcançar ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. Embora possa ocorrer em diferentes faixas etárias, sua frequência aumenta com o envelhecimento.
Quando se fala em tratamento da disfunção erétil, os primeiros medicamentos que costumam ser lembrados são a sildenafila e a tadalafila, inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5) que favorecem o aumento do fluxo sanguíneo para o corpo cavernoso.
Mas além dos medicamentos convencionais, diversos fitoterápicos e nutracêuticos vêm sendo investigados como estratégias complementares para a função sexual masculina.
1. Panax ginseng
O Panax ginseng, especialmente o chamado ginseng vermelho, é um dos fitoterápicos mais investigados para a função sexual masculina.
Duas hipóteses são apresentadas para explicar seus possíveis efeitos na disfunção erétil: uma relacionada à influência sobre mecanismos hormonais envolvidos na ereção e outra relacionada à melhora do fluxo sanguíneo e aumento da disponibilidade de óxido nítrico.
Uma revisão publicada no British Journal of Clinical Pharmacology encontrou evidências de que o Panax ginseng pode apresentar maior eficácia que o placebo na redução dos sintomas de disfunção erétil.
2. Crocus sativus
O Crocus sativus, conhecido como açafrão verdadeiro, também apresenta estudos clínicos relacionados à função sexual.
Ensaios clínicos randomizados e duplo-cegos relataram resultados superiores ao placebo. Entretanto, quando comparado diretamente à sildenafila, os resultados não foram considerados tão promissores.
Assim, embora o Crocus sativus apresente potencial, ainda são necessárias mais evidências para estabelecer seu papel no tratamento da disfunção erétil.
3. Tribulus terrestris
O Tribulus terrestris é frequentemente associado à libido e fertilidade masculina, mas também foi estudado especificamente em pacientes com disfunção erétil.
Formulações contendo esse fitoterápico apresentaram resultados positivos em um ensaio envolvendo mais de 170 pacientes com disfunção erétil.
Estudos experimentais também sugerem uma possível atuação sobre o endotélio e a via do óxido nítrico, mecanismo que poderia contribuir para seus efeitos pró-eréteis.
Entretanto, os resultados disponíveis ainda são heterogêneos e não permitem estabelecer o Tribulus terrestris como equivalente aos tratamentos farmacológicos convencionais.
4. Pycnogenol®
O Pycnogenol®, extrato padronizado da casca de Pinus pinaster, também aparece entre os compostos investigados para disfunção erétil.
Embora alguns estudos tenham relatado resultados favoráveis, o mecanismo de ação ainda não está completamente esclarecido.
Além disso, conforme destacado nas revisões, ainda são limitados os estudos que avaliam especificamente o efeito do Pycnogenol® isoladamente sobre o corpo cavernoso.
Esse ponto é importante porque muitos trabalhos avaliam o ingrediente em associação com outros compostos, dificultando determinar qual componente é responsável pelo efeito observado.
5. Epimedium
O Epimedium é outro fitoterápico tradicionalmente associado à melhora da função sexual.
Uma das hipóteses é que seus compostos possam interferir em mecanismos hormonais relacionados ao desempenho sexual.
Em estudo experimental publicado no The Journal of Sexual Medicine, ratos tratados com extrato de Epimedium apresentaram maior fluxo sanguíneo quando comparados aos animais que não receberam o extrato.
Apesar dos resultados experimentais, ainda são necessários estudos clínicos mais robustos para determinar sua eficácia na disfunção erétil humana.
6. Ginkgo biloba
O Ginkgo biloba apresenta propriedades relacionadas à vasodilatação e circulação sanguínea, mecanismos que despertam interesse no contexto da função erétil.
Alguns estudos também sugerem que o fitoterápico pode ser particularmente interessante em casos de disfunção sexual associada ao uso de antidepressivos ISRS, medicamentos que podem provocar alterações na função sexual.
Nesse contexto, o Ginkgo biloba aparece como uma possibilidade complementar que merece investigação, especialmente em pacientes cuja alteração sexual esteja relacionada ao tratamento antidepressivo.
7. Ioimbina
A ioimbina atua sobre receptores adrenérgicos e pode favorecer mecanismos relacionados à liberação de epinefrina e norepinefrina, além de reduzir determinados estímulos vasoconstritores.
Estudos experimentais apontam possíveis efeitos sobre libido e motivação sexual.
Apesar do interesse histórico da ioimbina na função sexual, seu uso requer atenção especial devido ao seu perfil farmacológico e à possibilidade de efeitos adversos e interações.
Por isso, sua utilização deve ser individualizada e acompanhada por profissional habilitado.
8. Maca peruana
A maca peruana (Lepidium meyenii) é tradicionalmente utilizada para suporte à libido e à função sexual.
Embora a testosterona tenha participação importante na fisiologia sexual masculina, existem poucas evidências de que a maca seja capaz de aumentar significativamente os níveis séricos ou testiculares desse hormônio.
Por outro lado, estudos experimentais sugerem possíveis efeitos sobre a função erétil por meio do aumento da pressão intracavernosa em relação à pressão arterial média.
Assim, seu potencial parece estar mais relacionado à função sexual do que necessariamente à elevação da testosterona.
9. L-arginina
A L-arginina é um aminoácido precursor do óxido nítrico, molécula fundamental para a vasodilatação e para o mecanismo fisiológico da ereção.
As revisões indicam que sua utilização isolada pode apresentar um efeito modesto sobre a disfunção erétil.
Entretanto, resultados mais expressivos foram observados em algumas pesquisas quando a L-arginina foi combinada com outros compostos, como:
- citrulina;
- ornitina;
- Pycnogenol®;
- adenosina;
- inibidores da PDE5, como sildenafila e tadalafila.
Essa possibilidade de associação torna a L-arginina particularmente interessante no contexto da personalização de formulações, embora qualquer combinação com medicamentos deva ser avaliada e prescrita de maneira individualizada.
10. L-carnitina
A L-carnitina também foi investigada como estratégia complementar para a disfunção erétil, porém os resultados ainda são considerados controversos.
Assim como acontece com alguns dos ativos anteriores, os resultados parecem mais favoráveis quando utilizada em combinação com outros nutrientes.
Em um estudo realizado em 2012, 54 homens com disfunção erétil receberam durante três meses uma combinação de L-carnitina, L-arginina e niacina.
O tratamento promoveu melhora da ereção em aproximadamente 40% dos participantes, enquanto pelo menos uma resposta parcial foi observada em até 77% dos indivíduos.
Conclusão
A literatura científica apresenta diferentes fitoterápicos e nutracêuticos investigados para auxiliar na função erétil e na saúde sexual masculina.
Entre os principais estão Panax ginseng, Crocus sativus, Tribulus terrestris, Pycnogenol®, Epimedium, Ginkgo biloba, ioimbina, maca peruana, L-arginina e L-carnitina.
Os mecanismos estudados envolvem principalmente fluxo sanguíneo, óxido nítrico, função endotelial, libido e mecanismos hormonais. Entretanto, a qualidade e a quantidade das evidências variam entre os compostos, e alguns resultados ainda precisam ser confirmados em estudos clínicos maiores.
Relevância para a prática magistral
A disfunção erétil é um tema com grande potencial para a individualização da terapia magistral, principalmente porque diferentes mecanismos podem estar envolvidos na alteração da função sexual.
A variedade de ativos estudados permite que a farmácia desenvolva, em conjunto com o prescritor, estratégias personalizadas de acordo com o perfil do paciente, considerando fatores como circulação, libido, metabolismo e possíveis causas associadas à disfunção erétil.
Além disso, combinações como L-arginina com outros nutrientes e compostos bioativos despertam interesse no desenvolvimento de formulações individualizadas. Entretanto, quando houver associação com medicamentos como sildenafila ou tadalafila, é indispensável que a decisão seja feita pelo prescritor, considerando possíveis efeitos farmacológicos e o perfil clínico do paciente.
Para a farmácia magistral, o mais importante é transformar esse conhecimento em informação técnico-científica de qualidade para o prescritor, apresentando quais ativos possuem evidências clínicas, quais apresentam resultados preliminares e quais ainda dependem de estudos mais robustos.
Bibliografia consultada:
Borrelli F; et al. Herbal Dietary Supplements for Erectile Dysfunction: A Systematic Review and Meta-Analysis. Drugs, 2018
Jang DJ; et al. Red ginseng for treating erectile dysfunction: a systematic review. Br J Clin Pharmacol. 2008
Shindel AW; et al. Erectogenic and Neurotrophic Effects of Icariin, a Purified Extract of Horny Goat Weed (Epimedium spp.) In Vitro and In Vivo. J Sex Med, 2010.
Disponível em Medical News Today. Traduzido e adaptado por Magistral Guide.
Leisegang K; Finelli R. Alternative medicine and herbal remedies in the treatment of erectile dysfunction: A systematic review. Arab J Urol. 2021
Gianfrilli, D., et al. Propionyl‐l‐carnitine, l‐arginine and niacin in sexual medicine: a nutraceutical approach to erectile dysfunction. Andrologia, 2012.
