Ácido elágico demonstra potencial neuroprotetor contra déficits cognitivos associados à neuroinflamação

Ácido elágico demonstra potencial neuroprotetor contra déficits cognitivos associados à neuroinflamação

A neuroinflamação tem sido considerada um dos principais mecanismos envolvidos no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas e do declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento. A ativação persistente das células inflamatórias do sistema nervoso central favorece o estresse oxidativo, alterações na neurotransmissão e o acúmulo de proteínas associadas à demência, como a proteína Tau.

Nesse cenário, compostos naturais com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias vêm sendo amplamente estudados. Entre eles, o ácido elágico tem despertado interesse devido ao seu potencial efeito neuroprotetor.

Um estudo experimental publicado recentemente investigou a capacidade do ácido elágico de proteger o cérebro contra alterações cognitivas induzidas por neuroinflamação.


O que é o ácido elágico?

O ácido elágico é um composto fenólico naturalmente encontrado em diversas frutas e vegetais, especialmente em:

  • romã;
  • framboesa;
  • amora;
  • morango;
  • nozes.

É conhecido por apresentar propriedades:

  • antioxidantes;
  • anti-inflamatórias;
  • neuroprotetoras.

Essas características fazem do ácido elágico um dos bioativos mais estudados na prevenção de doenças relacionadas ao estresse oxidativo.


Como o estudo foi realizado?

Os pesquisadores utilizaram 32 ratos Wistar machos, divididos em diferentes grupos experimentais.

Para induzir neuroinflamação, os animais receberam durante oito dias aplicações intraperitoneais de:

  • lipopolissacarídeo (LPS) — 250 µg/kg

ou solução salina.

Duas horas após cada aplicação, os animais receberam:

  • 100 mg/kg de ácido elágico, por gavagem intragástrica;

ou solução salina.

Ao longo do protocolo foram avaliados diversos parâmetros relacionados ao funcionamento cerebral.


O que foi avaliado?

Os pesquisadores analisaram:

  • memória por meio do teste de reconhecimento de objetos;
  • comportamento locomotor (teste de campo aberto);
  • estresse oxidativo;
  • neurotransmissão colinérgica;
  • expressão de células gliais;
  • expressão da proteína Tau fosforilada.

Esses marcadores estão diretamente relacionados aos processos envolvidos na neurodegeneração e no comprometimento cognitivo.


Quais foram os resultados?

Os animais que receberam lipopolissacarídeo desenvolveram comprometimento cognitivo decorrente da neuroinflamação.

Entretanto, a administração de ácido elágico foi capaz de:

  • reduzir o comprometimento da memória;
  • exercer efeito neuroprotetor no modelo experimental;
  • atenuar alterações associadas à neuroinflamação.

Os resultados sugerem que o composto contribuiu para preservar o desempenho cognitivo mesmo diante do processo inflamatório induzido.


Como o ácido elágico pode exercer esse efeito?

Embora os mecanismos completos ainda estejam sendo investigados, o estudo avaliou diversos processos relacionados à neurodegeneração, incluindo:

  • redução do estresse oxidativo;
  • modulação da neurotransmissão colinérgica;
  • influência sobre a ativação das células gliais;
  • alterações na expressão da proteína Tau fosforilada.

Esses mecanismos são considerados importantes no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas e do declínio cognitivo.


Conclusão

Neste modelo experimental de neuroinflamação induzida por lipopolissacarídeo, o tratamento com ácido elágico reduziu o comprometimento cognitivo e demonstrou efeito neuroprotetor. Os resultados reforçam o potencial desse composto bioativo como uma molécula promissora para pesquisas envolvendo alterações cognitivas secundárias à neuroinflamação.


Relevância para a prática magistral

O ácido elágico vem ganhando espaço entre os compostos bioativos estudados na saúde cerebral devido às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Este estudo experimental reforça seu potencial como alvo de interesse em estratégias voltadas à neuroproteção e ao suporte da função cognitiva, especialmente em condições associadas à neuroinflamação.

 

Bibliografia consultada:

Dornelles GL; et al. Ellagic Acid Inhibits Neuroinflammation and Cognitive Impairment Induced by Lipopolysaccharides. Neurochem Res., 2020

 

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