A perda de massa óssea se acelera especialmente após a menopausa, aumentando a vulnerabilidade das mulheres ao desenvolvimento de osteopenia, osteoporose e fraturas.
Entre as consequências mais preocupantes estão as fraturas de quadril, que podem comprometer significativamente a mobilidade, a independência e a qualidade de vida.
Nesse contexto, estratégias nutricionais simples e acessíveis vêm sendo investigadas como possíveis aliadas da saúde óssea. Um estudo publicado na revista Advances in Nutrition avaliou justamente o impacto do consumo diário de ameixas secas sobre a densidade mineral óssea de mulheres na pós-menopausa.
Cinco a seis ameixas por dia durante um ano
O estudo controlado e randomizado contou com 235 mulheres na pós-menopausa.
As participantes foram acompanhadas durante um ano e uma das estratégias avaliadas foi o consumo diário de 50 g de ameixas secas, quantidade equivalente a aproximadamente 5 a 6 unidades por dia.
Ao final do período, os pesquisadores observaram benefícios relacionados à preservação da densidade mineral óssea, especialmente na região do quadril.
O resultado é relevante porque justamente essa região apresenta grande importância clínica devido ao impacto que uma eventual fratura pode causar na independência e qualidade de vida das mulheres mais velhas.
Por que a ameixa pode ser interessante para os ossos?
As ameixas secas são alimentos ricos em diferentes compostos bioativos e nutrientes que podem contribuir para a saúde óssea.
O interesse científico pelo alimento não está relacionado apenas ao seu conteúdo mineral, mas também à presença de polifenóis e outros compostos bioativos que podem participar da regulação do remodelamento ósseo e de processos relacionados ao estresse oxidativo e à inflamação.
Assim, o alimento vem sendo estudado não apenas como fonte nutricional, mas como parte de estratégias dietéticas voltadas à preservação da saúde óssea durante o envelhecimento.
Uma estratégia simples de incorporar à rotina
Um dos pontos interessantes dessa pesquisa é a facilidade de incorporar a ameixa seca à alimentação.
A quantidade utilizada no estudo pode ser consumida individualmente como lanche ou adicionada a diferentes preparações, como:
- saladas;
- iogurtes;
- mingaus;
- preparações culinárias;
- vitaminas;
- lanches rápidos.
Essa característica torna a intervenção particularmente interessante do ponto de vista nutricional, já que se trata de um alimento acessível e relativamente fácil de incorporar à rotina.
O que podemos concluir?
Os resultados sugerem que o consumo diário de 50 g de ameixas secas durante 12 meses pode contribuir para preservar a densidade mineral óssea do quadril em mulheres na pós-menopausa.
Apesar dos resultados promissores, é importante lembrar que um único estudo não é suficiente para estabelecer a ameixa seca como estratégia isolada de prevenção de osteoporose ou fraturas. A saúde óssea é multifatorial e depende também de ingestão adequada de nutrientes, atividade física, exposição solar quando apropriada, manutenção de peso saudável e acompanhamento médico e nutricional individualizado.
Conclusão
A ameixa seca, além de ser um alimento facilmente disponível, pode apresentar um papel interessante dentro de estratégias nutricionais voltadas à manutenção da saúde óssea após a menopausa.
No estudo avaliado, o consumo de aproximadamente 50 g por dia, equivalente a 5–6 ameixas, durante um ano, esteve associado à preservação da densidade mineral óssea do quadril.
Os achados reforçam o potencial de alimentos ricos em compostos bioativos como parte de uma abordagem integrada para a saúde óssea durante o envelhecimento.
Relevância para a prática magistral
O estudo também abre uma oportunidade interessante para a farmácia magistral trabalhar o conceito de saúde óssea de forma integrada, indo além da abordagem tradicional baseada exclusivamente em cálcio e vitamina D.
A evidência sobre a ameixa seca pode ser utilizada como conteúdo de atualização científica para ginecologistas, endocrinologistas, geriatras e nutricionistas, especialmente em materiais voltados à mulher na pós-menopausa e ao envelhecimento saudável.
Além disso, o estudo pode servir como ponto de partida para discutir com o prescritor diferentes estratégias nutricionais e nutracêuticas relacionadas à manutenção da densidade mineral óssea, sempre deixando claro que o consumo de ameixas secas é uma estratégia alimentar e não substitui o tratamento indicado para osteopenia ou osteoporose.
Bibliografia consultada:
Damani JJ; et al. The Role of Prunes in Modulating Inflammatory Pathways to Improve Bone Health in Postmenopausal Women. Advances in Nutrition, 2022.
