Seis ativos despigmentantes com eficácia comparável à hidroquinona, segundo estudos clínicos

Seis ativos despigmentantes com eficácia comparável à hidroquinona, segundo estudos clínicos

A hidroquinona é considerada o padrão-ouro no tratamento do melasma e de outras hiperpigmentações há mais de 50 anos. No entanto, seu perfil de segurança permanece motivo de debate. Desde 1986, sua toxicidade vem sendo avaliada pelo Cosmetic Ingredient Review (CIR) devido ao potencial carcinogênico observado em estudos experimentais, levando diversos países a restringirem ou limitarem seu uso em produtos cosméticos.

Nesse cenário, cresce o interesse por ativos despigmentantes que apresentem eficácia semelhante, porém com melhor tolerabilidade. Diversos estudos clínicos já compararam alternativas à hidroquinona no tratamento do melasma e outras hipercromias.

Confira seis ativos que apresentam resultados promissores.


1. Niacinamida

A niacinamida é um dos ativos mais estudados como alternativa à hidroquinona.

Em um estudo clínico randomizado, duplo-cego, 27 pacientes com melasma aplicaram:

  • creme de niacinamida 4% em um lado da face;
  • creme de hidroquinona 4% no lado contralateral.

As avaliações colorimétricas mostraram que ambos os tratamentos promoveram melhora significativa da pigmentação. Embora a hidroquinona tenha apresentado uma proporção discretamente maior de respostas classificadas como boas ou excelentes (55% versus 44%), essa diferença não foi estatisticamente significativa.

Além disso, outros estudos demonstram que a niacinamida pode apresentar resultados ainda melhores quando associada ao ácido tranexâmico.


2. Vitamina C tópica

A vitamina C também foi comparada diretamente à hidroquinona em um ensaio clínico duplo-cego.

No estudo, 16 mulheres com melasma utilizaram:

  • ácido ascórbico 5% em um lado da face;
  • hidroquinona 4% no outro lado.

A hidroquinona apresentou maior percentual de respostas clínicas consideradas boas ou excelentes (93% versus 62,5%).

Entretanto, as avaliações colorimétricas não mostraram diferenças estatisticamente significativas entre os tratamentos.

Um dos principais destaques foi a segurança:

  • vitamina C: 6,2% de eventos adversos;
  • hidroquinona: 68,7% de eventos adversos.

3. Extrato de alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)

O extrato de alcaçuz possui ação inibitória sobre a melanogênese e também apresenta atividade anti-inflamatória.

Em dois estudos clínicos, formulações contendo:

  • extrato de alcaçuz 2%;
  • extrato de alcaçuz 4%,

obtiveram resultados superiores à hidroquinona na redução dos escores do Melasma Area and Severity Index (MASI).

Outro estudo demonstrou resultados ainda mais expressivos quando o extrato foi associado à vitamina C a 5%.


4. Ácido azelaico

O ácido azelaico é um dos despigmentantes mais utilizados na prática dermatológica.

Em um estudo envolvendo 29 mulheres com melasma, o creme de ácido azelaico 20% apresentou desempenho superior ao creme de hidroquinona 4% após dois meses de tratamento.

Os escores médios de MASI foram:

  • Ácido azelaico: 3,8
  • Hidroquinona: 6,2

Esses resultados reforçam seu potencial como alternativa terapêutica para hiperpigmentações.


5. Ácido tranexâmico

O ácido tranexâmico vem ganhando destaque tanto na forma oral quanto tópica para o tratamento do melasma.

Em um estudo com 60 pacientes, foram comparados:

  • hidroquinona 2% aplicada diariamente;
  • ácido tranexâmico lipossomal 1,8%;
  • ácido tranexâmico 5% associado ao microagulhamento semanal.

As taxas de melhora da hiperpigmentação foram:

  • Hidroquinona: 27,8%
  • Ácido tranexâmico lipossomal: 30%
  • Ácido tranexâmico 5% + microagulhamento: 33,3%

Os resultados sugerem eficácia semelhante entre as estratégias avaliadas.


6. Cisteamina

A cisteamina é uma molécula naturalmente presente nas células humanas e vem sendo considerada uma das alternativas mais promissoras à hidroquinona.

Em um estudo clínico com 40 mulheres portadoras de melasma facial, foram comparados:

  • cisteamina 5%;
  • hidroquinona 4%,

durante 120 dias de tratamento.

A redução dos escores MASI foi de:

Após 60 dias

  • Cisteamina: 24%
  • Hidroquinona: 41%

Após 120 dias

  • Cisteamina: 38%
  • Hidroquinona: 53%

Apesar da hidroquinona apresentar redução numérica maior do MASI, tanto a avaliação fotográfica quanto a colorimetria mostraram melhora semelhante entre os grupos, sem diferença estatisticamente significativa.


Conclusão

Embora a hidroquinona continue sendo uma das principais opções para o tratamento do melasma, diversos estudos clínicos demonstram que ativos como niacinamida, vitamina C, ácido azelaico, ácido tranexâmico, cisteamina e extrato de alcaçuz apresentam eficácia significativa no clareamento da pele, muitas vezes com melhor tolerabilidade. A escolha da estratégia terapêutica deve ser individualizada, considerando o perfil do paciente e as características da hiperpigmentação.


Relevância para a prática magistral

As restrições regulatórias e as preocupações relacionadas ao uso prolongado da hidroquinona impulsionaram a busca por ativos despigmentantes com melhor perfil de segurança. Na prática magistral, ativos como niacinamida, ácido tranexâmico, ácido azelaico, vitamina C, cisteamina e extrato de alcaçuz permitem o desenvolvimento de formulações individualizadas, podendo ser utilizados isoladamente ou em associações sinérgicas conforme o tipo de hiperpigmentação, sensibilidade cutânea e resposta clínica do paciente. A seleção dos ativos deve considerar o mecanismo de ação, a tolerabilidade e o objetivo terapêutico.

 

Bibliografia consultada:

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