Espinafre pode ajudar a reduzir o crescimento de pólipos intestinais e o risco de câncer colorretal, sugere estudo

Espinafre pode ajudar a reduzir o crescimento de pólipos intestinais e o risco de câncer colorretal, sugere estudo

O câncer colorretal é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o segundo tipo de câncer com maior incidência entre homens e mulheres no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de próstata nos homens e do câncer de mama nas mulheres.

Diversos estudos epidemiológicos já sugeriam que uma alimentação rica em vegetais, incluindo o espinafre, estava associada a um menor risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Agora, uma pesquisa publicada na revista Gut Microbes traz novas evidências sobre os possíveis mecanismos envolvidos nesse efeito protetor.


O que investigou o estudo?

Os pesquisadores avaliaram os efeitos do consumo de espinafre liofilizado em um modelo animal de polipose adenomatosa familiar (PAF), uma doença hereditária caracterizada pelo desenvolvimento de centenas de pólipos intestinais que apresentam elevado potencial de evolução para câncer colorretal.

Na prática clínica, pacientes com PAF frequentemente necessitam de:

  • acompanhamento endoscópico rigoroso;
  • uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs);
  • cirurgia para retirada do cólon devido ao elevado risco de transformação maligna.

O objetivo do estudo foi verificar se o consumo prolongado de espinafre poderia modificar a evolução dessa doença.


Como a pesquisa foi realizada?

Animais geneticamente predispostos ao desenvolvimento de polipose adenomatosa familiar receberam uma dieta suplementada com espinafre liofilizado durante 26 semanas.

Ao final do acompanhamento, os pesquisadores avaliaram o crescimento dos pólipos e realizaram análises metabolômicas para identificar quais compostos poderiam estar relacionados aos efeitos observados.


Quais foram os resultados?

Os animais que consumiram espinafre apresentaram um atraso significativo no crescimento dos pólipos intestinais, sugerindo que o alimento pode contribuir para retardar a progressão da doença.

Segundo os autores, esse efeito poderia, futuramente, representar uma estratégia complementar para reduzir a necessidade de tratamentos mais agressivos em indivíduos de alto risco, embora essa hipótese ainda dependa de confirmação em estudos clínicos.


O mecanismo surpreendeu os pesquisadores

Inicialmente, acreditava-se que a clorofila seria o principal composto responsável pelo efeito protetor do espinafre.

Entretanto, as análises metabolômicas mostraram um resultado diferente.

Os pesquisadores observaram que os efeitos benéficos estavam mais relacionados à presença de:

  • ácidos graxos;
  • ácido linoleico;
  • alterações metabólicas induzidas pelo consumo do espinafre.

Esses achados sugerem que o efeito quimiopreventivo do espinafre pode depender da interação entre seus diversos componentes bioativos, e não exclusivamente da clorofila.


O espinafre pode prevenir o câncer colorretal?

Embora os resultados sejam bastante promissores, é importante destacar que este estudo foi realizado em modelo animal de uma doença hereditária específica.

Dessa forma, ainda não é possível afirmar que o consumo de espinafre previne o câncer colorretal em humanos.

No entanto, os autores sugerem que sua inclusão regular na alimentação pode representar uma estratégia preventiva interessante, especialmente antes do desenvolvimento dos pólipos intestinais.


Conclusão

O estudo publicado na Gut Microbes demonstrou que o consumo prolongado de espinafre foi capaz de retardar o crescimento de pólipos intestinais em um modelo experimental de polipose adenomatosa familiar. Os pesquisadores identificaram que os efeitos parecem estar relacionados principalmente aos ácidos graxos e ao ácido linoleico presentes no vegetal, e não à clorofila, como se acreditava anteriormente. Apesar dos resultados promissores, estudos clínicos ainda são necessários para confirmar se esses benefícios também podem ser observados em humanos.


Relevância para a prática magistral

Os resultados reforçam a importância da alimentação e dos compostos bioativos vegetais na prevenção do câncer colorretal. Embora não exista, até o momento, recomendação para suplementação isolada dos compostos identificados no estudo, a pesquisa amplia o interesse por ingredientes naturais capazes de modular o metabolismo intestinal e reduzir o desenvolvimento de lesões pré-neoplásicas. 

 

Bibliografia consultada:

Chen YS; et al. Dietary spinach reshapes the gut microbiome in an Apc-mutant genetic background: mechanistic insights from integrated multi-omics. Gut Microbes, 2021.

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