Preparar a base de um xarope com açúcar ou utilizá-lo como principal edulcorante em formulações magistrais é uma opção da Farmácia de Manipulação. Porém, existe uma tendência crescente no mercado magistral de substituir o açúcar por outros tipos de adoçantes, especialmente aqueles de origem vegetal, diante do aumento de evidências científicas sobre os possíveis impactos do consumo excessivo de açúcar na saúde.
Uma meta-análise publicada no Journal of Affective Disorders avaliou 10 estudos observacionais, envolvendo 365.289 participantes, dos quais 37.131 apresentaram depressão.
Os pesquisadores buscaram avaliar a relação entre o consumo de bebidas adoçadas com açúcar e o risco de desenvolver depressão.
O que os pesquisadores observaram?
Em comparação com pessoas que não consumiam bebidas adoçadas com açúcar, aquelas que ingeriam uma quantidade equivalente a aproximadamente 2 xícaras de refrigerante de cola por dia apresentaram um aumento de cerca de 5% no risco de depressão.
Entre os participantes que consumiam o equivalente a aproximadamente 3 latas de refrigerante de cola por dia, o risco estimado foi cerca de 25% maior.
Os resultados apontam, portanto, para uma associação entre maior consumo de bebidas adoçadas com açúcar e maior risco de depressão.
Mas atenção!
É importante destacar que os estudos avaliados eram observacionais. Dessa forma, os resultados demonstram uma associação entre o consumo de bebidas açucaradas e a depressão, mas não permitem afirmar que o açúcar seja responsável diretamente pelo desenvolvimento da doença.
Outros fatores relacionados ao estilo de vida e à alimentação também podem influenciar essa associação.
E o que isso representa para a Farmácia Magistral?
O resultado reforça a importância de avaliar cuidadosamente a escolha dos edulcorantes utilizados em formulações magistrais, especialmente em preparações destinadas ao uso contínuo.
A substituição do açúcar por alternativas adequadas pode ser uma estratégia interessante para reduzir a quantidade de açúcar presente em determinadas formulações, sempre considerando a finalidade da preparação, as características do paciente, a estabilidade da fórmula e as propriedades tecnológicas do edulcorante escolhido.
Menos açúcar na formulação pode ser uma escolha interessante — mas, assim como acontece com qualquer ingrediente, a decisão deve considerar o contexto e a necessidade individual de cada paciente.
Bibliografia consultada:
Hu D; Cheng L; Jiang W. Sugar-sweetened beverages consumption and the risk of depression: A meta-analysis of observational studies. Journal of Affective Disorders, 2019.
