Benfotiamina mostra resultados promissores em pessoas com comprometimento cognitivo e doença de Alzheimer

Benfotiamina mostra resultados promissores em pessoas com comprometimento cognitivo e doença de Alzheimer

A benfotiamina é um derivado lipossolúvel da tiamina (vitamina B1) que vem despertando interesse em pesquisas relacionadas à saúde cerebral. Entre os mecanismos investigados está sua possível influência sobre o metabolismo da glicose e a formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs), compostos associados ao processo de declínio cognitivo.

Um estudo publicado no Journal of Alzheimer’s Disease avaliou os efeitos da suplementação de benfotiamina em indivíduos com comprometimento cognitivo leve ou doença de Alzheimer, encontrando resultados preliminares promissores.


Como o estudo foi realizado?

A pesquisa incluiu 70 homens e mulheres com comprometimento cognitivo, que passaram por avaliações neurológicas antes do início do estudo, incluindo exames para confirmar a presença de placas amiloides no cérebro.

Também foram avaliados parâmetros relacionados ao metabolismo da glicose, incluindo hemoglobina glicada (HbA1c) e glicemia de jejum. Os participantes precisavam apresentar HbA1c inferior a 8% e/ou glicemia de jejum inferior a 200 mg/dL.

Outro fator considerado pelos pesquisadores foi o genótipo APOE. A presença da variante APOE4 está associada a maior risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer, quando comparada às variantes APOE2 e APOE3.

Durante o estudo, foram realizadas avaliações cognitivas e exames laboratoriais para acompanhar os efeitos da intervenção.


Benfotiamina aumentou os níveis de vitamina B1

Ao final do período de tratamento, os participantes que receberam benfotiamina apresentaram aumento significativo dos níveis de tiamina em comparação com o grupo placebo.

Mas os resultados mais interessantes apareceram nas avaliações cognitivas.

Os participantes que receberam benfotiamina apresentaram menor deterioração nas pontuações da Escala de Avaliação da Doença de Alzheimer – Subescala Cognitiva em comparação ao placebo.

Na avaliação pela Avaliação Clínica de Demência, os pesquisadores observaram uma deterioração 77% menor entre os participantes que receberam benfotiamina.

Entretanto, esse efeito foi mais evidente nos indivíduos que não apresentavam a variante APOE4, sugerindo que o perfil genético pode influenciar a resposta à suplementação.


E os produtos finais de glicação avançada?

Outro achado importante envolveu os AGEs (advanced glycation end products).

Essas substâncias são formadas quando proteínas ou lipídios reagem com açúcares e vêm sendo investigadas por sua possível relação com processos associados ao envelhecimento e ao declínio cognitivo.

No estudo, a benfotiamina foi associada a uma redução significativa do aumento dos AGEs em comparação ao placebo. Novamente, esse efeito foi mais pronunciado entre os participantes que não apresentavam APOE4.

Esses resultados levantam a possibilidade de que parte dos efeitos observados esteja relacionada à influência da benfotiamina sobre vias metabólicas envolvidas na glicação e no metabolismo da glicose.


Conclusão

A suplementação de benfotiamina apresentou resultados promissores em indivíduos com comprometimento cognitivo, incluindo menor deterioração em testes cognitivos e redução do aumento de AGEs em comparação ao placebo.

Os efeitos foram mais expressivos entre participantes que não apresentavam a variante APOE4, sugerindo que características genéticas podem influenciar a resposta ao tratamento.

Apesar dos resultados encorajadores, os próprios autores destacam a necessidade de um ensaio clínico maior e adequadamente dimensionado para confirmar esses achados e determinar se a benfotiamina poderá ter algum papel na prevenção ou no tratamento da doença de Alzheimer.


Relevância para a prática magistral

A benfotiamina é um insumo que pode despertar interesse na prática magistral quando o objetivo é trabalhar estratégias relacionadas ao metabolismo da vitamina B1 e à saúde cognitiva.

Este estudo é particularmente interessante por explorar uma possível conexão entre tiamina, metabolismo da glicose, formação de AGEs e função cognitiva.

Entretanto, é importante destacar que se trata de um estudo piloto, com número relativamente pequeno de participantes. Os resultados são considerados preliminares e não permitem afirmar que a benfotiamina seja capaz de prevenir, retardar ou tratar a doença de Alzheimer.

Outro ponto relevante é a diferença de resposta observada de acordo com o genótipo APOE4, que reforça a importância de não extrapolar os resultados para todos os pacientes.

 

Bibliografia consultada:

Gibson GE; et al. Benfotiamine and Cognitive Decline in Alzheimer’s Disease: Results of a Randomized Placebo-Controlled Phase IIa Clinical Trial. J Alzheimers Dis, 2020.

 

 

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