Ivermectina: conheça os principais efeitos adversos e cuidados durante o uso

Ivermectina: conheça os principais efeitos adversos e cuidados durante o uso

A ivermectina é um medicamento antiparasitário amplamente utilizado no tratamento de diversas parasitoses, como estrongiloidíase, oncocercose, escabiose e outras infestações por helmintos e ectoparasitas. De modo geral, apresenta um perfil de segurança favorável quando utilizada nas indicações aprovadas e sob orientação de um profissional de saúde.

Assim como qualquer medicamento, porém, a ivermectina pode causar efeitos adversos, cuja frequência e intensidade variam de acordo com a dose utilizada, a condição clínica do paciente e a doença tratada.

Conhecer essas reações é importante para promover o uso racional do medicamento e orientar adequadamente os pacientes.

Principais efeitos adversos da ivermectina

As reações adversas podem envolver diferentes órgãos e sistemas do organismo.

Distúrbios gastrointestinais

Os eventos gastrointestinais são os mais frequentemente relatados e incluem:

  • diarreia;
  • náuseas;
  • dor abdominal;
  • anorexia;
  • constipação;
  • vômitos.

Distúrbios respiratórios

Embora incomum, pode ocorrer:

  • exacerbação da asma brônquica em pacientes predispostos.

Reações cutâneas

As manifestações dermatológicas descritas incluem:

  • prurido;
  • erupções cutâneas;
  • urticária;
  • edema facial;
  • edema periférico.

Distúrbios do sistema nervoso central

Podem ocorrer:

  • tontura;
  • sonolência;
  • vertigem;
  • tremores;
  • cefaleia.

Esses sintomas costumam ser transitórios e tendem a desaparecer após a suspensão do tratamento.


Distúrbios musculoesqueléticos

Entre as reações descritas estão:

  • astenia (fraqueza muscular);
  • mialgia (dor muscular).

Alterações cardiovasculares

Em alguns pacientes podem ocorrer:

  • hipotensão ortostática;
  • taquicardia.

Reação de Mazzotti

Pacientes tratados para determinadas infecções parasitárias, especialmente a oncocercose, podem apresentar a chamada reação de Mazzotti.

Essa reação não é causada diretamente pela toxicidade da ivermectina, mas pela intensa resposta inflamatória desencadeada após a morte das microfilárias.

Os sinais e sintomas podem incluir:

  • artralgia;
  • sinovite;
  • dor abdominal;
  • aumento e sensibilidade dos linfonodos, principalmente cervicais, axilares e inguinais;
  • prurido;
  • urticária;
  • edema;
  • febre;
  • erupções cutâneas.

Alterações oftalmológicas

Também associadas principalmente ao tratamento da oncocercose, podem ocorrer:

  • sensação de desconforto ocular;
  • edema palpebral;
  • conjuntivite;
  • uveíte anterior;
  • ceratite;
  • limbite;
  • coriorretinite ou coroidite.

Essas manifestações estão relacionadas à resposta inflamatória decorrente da destruição das microfilárias presentes nos tecidos oculares.

Quando os efeitos adversos merecem atenção?

Embora a maioria das reações seja leve e autolimitada, sintomas persistentes, intensos ou sinais sugestivos de reações alérgicas graves devem motivar avaliação médica imediata.

O uso da ivermectina deve sempre respeitar as indicações aprovadas, a dose prescrita e as orientações do profissional de saúde, evitando a automedicação.

Conclusão

A ivermectina apresenta um perfil de segurança bem estabelecido quando utilizada corretamente. Seus efeitos adversos são, em geral, leves e transitórios, sendo os distúrbios gastrointestinais e neurológicos os mais frequentes. Entretanto, determinadas reações, como a reação de Mazzotti e manifestações oftalmológicas, podem ocorrer em tratamentos específicos de infecções parasitárias e exigem acompanhamento adequado.

Relevância para a prática magistral

O conhecimento do perfil de segurança da ivermectina permite ao farmacêutico magistral orientar adequadamente pacientes e prescritores quanto ao uso correto do medicamento, contribuindo para a prevenção da automedicação, para o reconhecimento precoce de reações adversas e para a promoção do uso racional de antiparasitários.

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