Ensaio clínico sugere que o extrato de romã pode contribuir para melhorar a respiração e reduzir limitações provocadas pelos sintomas da asma
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada pelo estreitamento e inchaço dos brônquios, podendo provocar falta de ar, chiado, tosse e sensação de aperto no peito. Embora os sintomas possam desaparecer entre as crises, a inflamação das vias aéreas permanece como um dos principais componentes da doença.
Nesse contexto, compostos com propriedades antioxidantes e moduladoras da inflamação, como os encontrados na romã (Punica granatum), vêm despertando interesse como possíveis estratégias complementares.
Extrato de romã é avaliado pela primeira vez em pacientes com asma alérgica
Um ensaio clínico publicado na Frontiers in Pharmacology avaliou, pela primeira vez em humanos com asma alérgica, os possíveis efeitos da suplementação com extrato de Pomegranate (romã) sobre os sintomas da doença e parâmetros relacionados à inflamação.
O estudo envolveu 64 homens e mulheres com asma alérgica, que foram divididos para receber 250 mg de extrato de Pomegranate, duas vezes ao dia, ou placebo, durante oito semanas.
No início e ao final do estudo, os pesquisadores avaliaram os sintomas da asma e realizaram análises sanguíneas, incluindo a contagem de células inflamatórias.
Melhora dos sintomas respiratórios
Após oito semanas de suplementação, os participantes que receberam o extrato de Pomegranate apresentaram melhora da falta de ar durante o dia e à noite quando comparados ao grupo placebo.
Também foi observada uma redução da limitação das atividades provocada pelos sintomas da asma, indicando possível impacto positivo do extrato sobre aspectos funcionais da doença.
Esses resultados sugerem que a utilização do extrato de romã pode contribuir não apenas para os parâmetros inflamatórios, mas também para a percepção dos sintomas e para a capacidade dos pacientes de realizar suas atividades cotidianas.
Redução de eosinófilos e neutrófilos
Outro resultado observado chamou atenção para o possível efeito anti-inflamatório do extrato.
Ao final das oito semanas, houve redução dos níveis de eosinófilos e neutrófilos em comparação às avaliações realizadas no início do estudo.
Os eosinófilos estão particularmente relacionados à resposta inflamatória característica da asma alérgica, enquanto os neutrófilos também participam de processos inflamatórios das vias aéreas.
A redução dessas células pode ajudar a explicar, ao menos em parte, os resultados observados nos sintomas respiratórios. Entretanto, os achados não permitem estabelecer que a redução desses marcadores seja diretamente responsável pela melhora clínica.
Potencial antioxidante e modulador da inflamação
O interesse pela romã na asma está relacionado principalmente à presença de compostos bioativos capazes de exercer atividade antioxidante e efeitos sobre processos inflamatórios.
Como o estresse oxidativo e a inflamação participam da fisiopatologia da asma, esses mecanismos oferecem uma justificativa biológica para investigar o extrato de Punica granatum como estratégia complementar.
É importante destacar, porém, que este foi o primeiro ensaio clínico avaliando o extrato em pessoas com asma alérgica. Portanto, os resultados são promissores, mas ainda precisam ser confirmados por estudos maiores e com períodos de acompanhamento mais prolongados.
Conclusão do estudo
A suplementação com 250 mg de extrato de Pomegranate duas vezes ao dia durante oito semanas esteve associada à melhora da falta de ar diurna e noturna e à redução da limitação das atividades relacionadas à asma em comparação ao placebo.
Além disso, os participantes apresentaram redução de eosinófilos e neutrófilos, sugerindo uma possível influência do extrato sobre processos inflamatórios associados à asma alérgica.
Os resultados são iniciais, mas indicam que o extrato de romã pode apresentar potencial como estratégia complementar no manejo da asma alérgica, sendo necessários novos estudos para confirmar sua eficácia e esclarecer seus mecanismos de ação.
Relevância para a prática magistral
Para a farmácia magistral, o estudo chama atenção para o potencial do extrato de Punica granatum em formulações direcionadas ao suporte da saúde respiratória, especialmente quando há interesse em estratégias que associem propriedades antioxidantes e moduladoras da inflamação.
A dose utilizada no ensaio — 250 mg, duas vezes ao dia — é particularmente relevante para a interpretação do estudo, mas não deve ser automaticamente extrapolada para outras apresentações ou extratos de romã, uma vez que a composição dos produtos pode variar conforme a matéria-prima e sua padronização.
Além disso, os resultados devem ser interpretados como terapia complementar, e não como substituição do tratamento convencional da asma. A individualização da formulação e a escolha de um extrato adequadamente caracterizado são fundamentais para aproximar a prática magistral das evidências disponíveis.
Bibliografia consultada:
Hosseini SA; et al. Does pomegranate extract supplementation improve the clinical symptoms of patients with allergic asthma? A double-blind, randomized, placebo-controlled trial. Frontiers in Pharmacology, 2023.
