Em comemoração ao Dia do Dentista, selecionamos uma revisão clássica publicada na Revista Brasileira de Farmacognosia que reuniu as principais plantas medicinais utilizadas na odontologia.
Embora o trabalho tenha sido publicado em 2007 — e desde então inúmeros estudos tenham ampliado o conhecimento sobre o tema — a revisão continua sendo uma importante referência por catalogar 132 espécies vegetais, distribuídas em 52 famílias botânicas, com potencial de aplicação em diferentes afecções bucais.
Entre todas as espécies avaliadas, seis fitoterápicos concentraram o maior número de evidências científicas disponíveis na época.
As plantas medicinais mais estudadas na odontologia
🌿 Romã (Punica granatum L.)
A romã foi uma das espécies que mais chamou atenção dos pesquisadores.
Diversos estudos demonstraram atividade bactericida e bacteriostática contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas envolvidas na formação do biofilme dental. Em algumas pesquisas, sua atividade antimicrobiana foi comparada à da clorexidina, considerado um dos principais antissépticos utilizados na odontologia.
Além da ação antimicrobiana, a romã também apresenta propriedades:
- antioxidantes;
- anti-inflamatórias;
- auxiliares no tratamento da periodontite;
- benéficas em casos de estomatites.
🌿 Malvarisco (Althaea officinalis L.)
Tradicionalmente utilizado para irritações das mucosas, o malvarisco ganhou destaque por apresentar atividade antimicrobiana contra microrganismos associados às doenças bucais.
Seu elevado teor de mucilagens também favorece ação calmante sobre a mucosa oral.
🌿 Sálvia (Salvia officinalis L.)
A sálvia é uma das plantas medicinais mais utilizadas em enxaguatórios bucais fitoterápicos.
Os estudos destacam principalmente sua atividade:
- antimicrobiana;
- anti-inflamatória;
- auxiliar no controle do biofilme dental.
🌿 Calêndula (Calendula officinalis L.)
Muito conhecida pelo seu efeito cicatrizante, a calêndula também apresentou ação contra bactérias periodontopatogênicas presentes no biofilme dental.
Além disso, possui propriedades:
- anti-inflamatórias;
- cicatrizantes;
- regeneradoras dos tecidos.
Essas características fazem da calêndula uma excelente opção para formulações destinadas ao pós-operatório odontológico e lesões da mucosa oral.
🌿 Malva (Malva sylvestris L.)
A malva foi uma das espécies mais frequentemente citadas na revisão.
Seu uso tradicional é respaldado por propriedades:
- anti-inflamatórias;
- antimicrobianas;
- calmantes da mucosa oral.
Os estudos demonstram potencial no controle do crescimento bacteriano presente no biofilme dental, justificando seu uso em enxaguatórios e soluções para higiene bucal.
🌿 Tanchagem (Plantago major L.)
A tanchagem também apresentou atividade antimicrobiana relevante contra bactérias envolvidas em doenças bucais, sendo uma planta frequentemente empregada na medicina tradicional para processos inflamatórios da cavidade oral.
Outras plantas que merecem destaque
Embora não tenham figurado entre as seis espécies mais citadas da revisão, algumas plantas ganharam bastante espaço na literatura científica nos últimos anos.
Camomila (Matricaria chamomilla)
A camomila apresenta ação anti-inflamatória, calmante e cicatrizante, sendo amplamente estudada em casos de:
- gengivite;
- periodontite;
- inflamações da mucosa oral.
Alguns estudos relatam resultados comparáveis aos obtidos com enxaguatórios contendo clorexidina em determinadas condições clínicas.
Própolis
Apesar de aparecer entre as 132 espécies catalogadas, o própolis ainda possuía poucas publicações específicas na época da revisão.
Desde então, novas pesquisas demonstraram seu potencial principalmente em:
- aftas recorrentes;
- estomatites;
- cicatrização da mucosa oral;
- redução da frequência e duração das lesões ulcerativas.
Sua combinação de atividade antimicrobiana, anti-inflamatória e cicatrizante explica o crescente interesse por formulações contendo própolis para uso odontológico.
Uma oportunidade para a farmácia magistral
A odontologia ainda representa um nicho pouco explorado pelas farmácias de manipulação.
Os extratos vegetais podem ser incorporados em diversas formas farmacêuticas, como:
- enxaguatórios bucais;
- sprays orais;
- soluções para bochechos;
- géis mucoadesivos;
- pomadas orabase;
- pastilhas;
- gomas mastigáveis;
- filmes orodispersíveis.
Essas formulações podem atuar como coadjuvantes no manejo de diferentes condições clínicas, incluindo gengivites, periodontites, estomatites, mucosites, aftas e no pós-operatório odontológico.
Bibliografia consultada:
Oliveira FQ; et al. Espécies vegetais indicadas na odontologia. Rev. bras. farmacognosia, 2007.
Barbosa DN. Análise clínica do efeito de fitoterápicos na redução do biofilme dental e sangramento gengival na doença periodontal. Tese de mestrado. Universidade Estadual da Paraíba, 2011
Lotufo MA; et al. Clinical evaluation of the topical use of propolis in recurrent minor aphthous ulceration. Cienc Odontol Bras 2005
