O papel da microbiota intestinal no desenvolvimento do diabetes tipo 2 tem despertado crescente interesse da comunidade científica. Alterações na composição das bactérias intestinais, associadas ao comprometimento do metabolismo hepático, parecem contribuir para a progressão da doença e de suas complicações. Nesse contexto, um estudo publicado na revista BMC Complementary Medicine and Therapies investigou os efeitos do extrato etanólico das folhas de amoreira (Morus alba) sobre a glicemia, a microbiota intestinal e a estrutura do glicogênio hepático em um modelo experimental de diabetes tipo 2.
Os resultados mostraram que o tratamento foi capaz de melhorar parâmetros metabólicos importantes, além de promover alterações favoráveis na microbiota intestinal e restaurar a estrutura do glicogênio armazenado no fígado.
O que foi avaliado?
Os pesquisadores utilizaram um modelo experimental de diabetes tipo 2 induzido por dieta rica em gordura associada à administração de estreptozotocina.
Os animais foram divididos em três grupos:
- ratos saudáveis (controle);
- ratos com diabetes tipo 2;
- ratos diabéticos tratados diariamente com extrato etanólico de folhas de amoreira (200 mg/kg/dia).
Ao final do experimento, foram avaliados:
- níveis de glicose sanguínea;
- composição da microbiota intestinal;
- estrutura do glicogênio hepático.
Melhora da microbiota intestinal
Uma das principais descobertas do estudo foi a capacidade do extrato de folhas de amoreira em modular a microbiota intestinal.
Os pesquisadores observaram que o tratamento promoveu uma reversão parcial da disbiose intestinal, aproximando a composição bacteriana daquela observada nos animais saudáveis.
Como a microbiota participa diretamente do metabolismo energético, da inflamação e da resistência à insulina, essa modulação pode representar um dos mecanismos envolvidos nos efeitos metabólicos observados.
Glicogênio hepático apresentou recuperação estrutural
Além das alterações intestinais, o estudo demonstrou melhora na estrutura do glicogênio hepático.
Nos animais diabéticos, o glicogênio apresentava uma organização considerada frágil e desestruturada. Após o tratamento com o extrato de folhas de amoreira, os pesquisadores observaram uma restauração dessa estrutura, tornando o glicogênio mais estável.
Esse resultado sugere melhora no armazenamento e no metabolismo da glicose pelo fígado.
Redução da glicemia
Os pesquisadores também verificaram redução dos níveis de glicose sanguínea nos animais tratados com o extrato de folhas de amoreira.
Embora o estudo tenha focado principalmente na microbiota intestinal e na estrutura do glicogênio hepático, os resultados reforçam o potencial do fitoterápico como modulador do metabolismo glicêmico em modelos experimentais de diabetes tipo 2.
O que esse estudo acrescenta?
Os achados reforçam a hipótese de que parte dos benefícios metabólicos da Morus alba pode estar relacionada à interação entre intestino e fígado.
Além da redução da glicemia, o extrato mostrou capacidade de:
- modular a microbiota intestinal;
- melhorar a organização estrutural do glicogênio hepático;
- favorecer o equilíbrio metabólico em animais diabéticos.
Esses mecanismos ampliam o entendimento sobre as possíveis ações da folha de amoreira além do controle glicêmico isolado.
Conclusão
Neste modelo experimental de diabetes tipo 2, o extrato etanólico das folhas de amoreira promoveu redução da glicemia, melhorou parcialmente a disbiose da microbiota intestinal e restaurou a estrutura do glicogênio hepático. Os resultados contribuem para a compreensão dos múltiplos mecanismos de ação da Morus alba e reforçam seu potencial como alvo de pesquisas voltadas ao metabolismo glicêmico.
Relevância para a prática magistral
A Morus alba já desperta interesse na prática magistral por seu uso em formulações voltadas ao metabolismo da glicose e ao controle metabólico. Este estudo amplia esse racional ao demonstrar que seus efeitos podem envolver também a modulação da microbiota intestinal e a melhora do metabolismo hepático da glicose, mecanismos que vêm recebendo atenção crescente nas estratégias de cuidado ao paciente com alterações metabólicas.
Bibliografia consultada:
Liu ZZ; et al. Ethanol extract of mulberry leaves partially restores the composition of intestinal microbiota and strengthens liver glycogen fragility in type 2 diabetic rats. BMC complementary medicine and therapies, 2021
