A alimentação desempenha um papel importante na saúde do sistema nervoso, e cada vez mais estudos têm investigado a influência de nutrientes antioxidantes sobre doenças neurodegenerativas. Uma pesquisa publicada na revista Neurology mostrou que indivíduos com maior ingestão dietética de vitaminas C e E apresentaram um risco significativamente menor de desenvolver doença de Parkinson quando comparados àqueles com menor consumo desses nutrientes.
Segundo os pesquisadores, a associação foi ainda mais evidente quando a ingestão de ambas as vitaminas era elevada, sugerindo um possível efeito complementar entre esses antioxidantes.
O que foi avaliado?
O estudo acompanhou 41.058 adultos suecos sem diagnóstico prévio de doença de Parkinson durante um período médio de 18 anos.
No início da pesquisa, todos os participantes responderam questionários sobre:
- alimentação habitual;
- prática de atividade física;
- peso e altura;
- histórico médico;
- outros fatores relacionados ao estilo de vida.
Com base na ingestão alimentar, os participantes foram divididos em três grupos conforme o consumo de vitaminas C e E:
- baixa ingestão;
- ingestão intermediária;
- alta ingestão.
Durante o acompanhamento, 465 participantes desenvolveram doença de Parkinson.
Vitamina C foi associada a menor risco
Entre os indivíduos com maior consumo de vitamina C foram observados:
- 64 casos de Parkinson por 100.000 pessoas/ano.
Já entre aqueles com menor ingestão:
- 132 casos por 100.000 pessoas/ano.
Após o ajuste para fatores como idade, sexo, índice de massa corporal e atividade física, os pesquisadores observaram que o grupo com maior ingestão apresentou um risco 32% menor de desenvolver a doença de Parkinson.
Vitamina E apresentou resultados semelhantes
Resultados muito parecidos foram observados para a vitamina E.
A incidência foi de:
- 67 casos por 100.000 pessoas/ano entre aqueles com maior consumo;
- 110 casos por 100.000 pessoas/ano entre os participantes com menor ingestão.
Após os ajustes estatísticos, o maior consumo de vitamina E também esteve associado a uma redução de 32% no risco de doença de Parkinson.
Por que vitaminas C e E podem exercer esse efeito?
As vitaminas C e E são importantes antioxidantes naturais.
Esses nutrientes ajudam a neutralizar espécies reativas de oxigênio (radicais livres), reduzindo o estresse oxidativo e a inflamação celular — mecanismos frequentemente envolvidos na degeneração dos neurônios produtores de dopamina.
A perda progressiva dessas células caracteriza a doença de Parkinson e está diretamente relacionada aos sintomas motores da doença, como tremores, rigidez muscular, lentidão dos movimentos e alterações do equilíbrio.
O que esse estudo acrescenta?
Embora hábitos saudáveis já sejam reconhecidos como importantes para a saúde cerebral, este estudo reforça a possível contribuição da alimentação rica em antioxidantes na prevenção de doenças neurodegenerativas.
Os autores observaram que indivíduos com maior ingestão simultânea de vitaminas C e E apresentaram menor risco de desenvolver Parkinson ao longo do acompanhamento, sugerindo que esses nutrientes podem atuar de forma complementar na proteção neuronal.
Conclusão
Nesta grande coorte acompanhada por aproximadamente 18 anos, maiores ingestões alimentares de vitaminas C e E foram associadas a um menor risco de desenvolvimento da doença de Parkinson. Os achados reforçam a importância de uma alimentação rica em antioxidantes como parte de um estilo de vida saudável e contribuem para a compreensão dos fatores nutricionais envolvidos na saúde cerebral.
Relevância para a prática magistral
As vitaminas C e E são frequentemente empregadas na prática magistral devido às suas propriedades antioxidantes e ao papel no controle do estresse oxidativo. Os resultados deste estudo reforçam o interesse científico sobre esses nutrientes dentro de estratégias voltadas ao envelhecimento saudável e à saúde neurológica, ampliando o racional para formulações individualizadas destinadas ao suporte antioxidante e à proteção celular.
Bibliografia consultada:
Hantikainen E; et al. Dietary Antioxidants and the Risk of Parkinson Disease: The Swedish National March Cohort. Neurology, 2021
