O magnésio participa de diversos processos fisiológicos, incluindo condução nervosa, metabolismo de hormônios e lipídios, vias bioquímicas cerebrais e diferentes ciclos metabólicos.
Por isso, alterações na concentração desse mineral podem repercutir em diferentes sistemas do organismo e vêm sendo investigadas em condições como diabetes, hipertensão, dislipidemia e transtornos depressivos.
Um estudo publicado na revista Life avaliou justamente a relação entre os níveis endógenos de magnésio e a presença de alterações metabólicas e sintomas depressivos em homens idosos.
Magnésio foi avaliado em 342 homens
O trabalho incluiu 342 homens, com idade média de 61 anos. Entre eles, 78 apresentavam níveis endógenos anormais de magnésio.
Os pesquisadores observaram que justamente esse grupo apresentava maior ocorrência de alterações como:
- diabetes mellitus;
- hipertensão;
- sintomas depressivos;
- outros distúrbios metabólicos.
Os resultados indicaram, portanto, uma associação entre alterações nos níveis de magnésio e a presença dessas condições.
Por que o magnésio pode estar envolvido?
A importância do magnésio pode ser explicada pela sua participação em diferentes processos metabólicos e neurológicos.
O mineral está envolvido em diversas reações bioquímicas e exerce funções relacionadas ao sistema nervoso, metabolismo energético e metabolismo de lipídios e hormônios.
Dessa forma, alterações em sua concentração podem estar relacionadas a mudanças no funcionamento de diferentes sistemas simultaneamente.
No entanto, os resultados do estudo demonstram uma associação, e não permitem concluir que níveis inadequados de magnésio sejam necessariamente a causa do diabetes, da hipertensão ou dos sintomas depressivos.
Conclusão
Entre os 342 homens avaliados, aqueles que apresentavam níveis endógenos anormais de magnésio também apresentaram maior frequência de alterações metabólicas, incluindo diabetes e hipertensão, além de sintomas depressivos.
Os resultados reforçam a existência de uma possível relação entre o status de magnésio, metabolismo e saúde mental em homens idosos.
Embora sejam necessários estudos adicionais para esclarecer a relação causal e determinar se a correção de alterações nos níveis de magnésio pode modificar esses desfechos, os achados reforçam a importância de acompanhar o estado nutricional desse mineral na avaliação individualizada do paciente.
Relevância para a prática magistral
O estudo reforça a importância de considerar o status nutricional de magnésio dentro da avaliação individual do paciente, especialmente em pessoas que apresentam alterações metabólicas ou sintomas relacionados ao humor.
Para a prática magistral, esse tipo de evidência pode contribuir para a discussão com o prescritor sobre a necessidade de avaliar a ingestão e os níveis de magnésio antes de estabelecer uma estratégia de suplementação.
Também reforça um princípio importante da prática magistral: a suplementação não deve ser baseada apenas na presença de uma determinada condição clínica, mas na avaliação individual das necessidades do paciente.
Bibliografia consultada:
Rotter I; et al. The Relationship between the Concentration of Magnesium and the Presence of Depressive Symptoms and Selected Metabolic Disorders among Men over 50 Years of Age. Life, 2021.
