Por que a ranitidina foi proibida no Brasil? Entenda a decisão da Anvisa

Por que a ranitidina foi proibida no Brasil? Entenda a decisão da Anvisa

A ranitidina foi um dos medicamentos mais utilizados para o tratamento de doenças relacionadas ao excesso de ácido gástrico, como refluxo gastroesofágico, gastrite e úlceras. No entanto, em agosto de 2020, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou sua retirada definitiva do mercado brasileiro.

A decisão foi oficializada por meio da Resolução-RE nº 3.259/2020, que proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, importação, manipulação e propaganda de medicamentos contendo cloridrato de ranitidina.


O que motivou a proibição?

A medida foi adotada devido à possibilidade de formação da substância N-nitrosodimetilamina (NDMA) durante a degradação espontânea da molécula de ranitidina.

A NDMA pertence ao grupo das nitrosaminas, compostos classificados como impurezas de preocupação toxicológica por apresentarem potencial carcinogênico quando ocorre exposição acima de limites considerados seguros por longos períodos.


O problema estava na fabricação?

Não necessariamente.

Segundo a Anvisa, o principal problema identificado foi que a própria molécula da ranitidina apresentava instabilidade, podendo gerar NDMA espontaneamente durante o armazenamento do medicamento.

Até aquele momento, não havia sido identificada uma forma capaz de impedir ou estabilizar essa degradação, motivo pelo qual a proibição tornou-se definitiva.


O que determina a Resolução-RE nº 3.259/2020?

A resolução estabeleceu a proibição de:

  • comercialização;
  • distribuição;
  • fabricação;
  • importação;
  • manipulação;
  • propaganda;

de todas as apresentações de medicamentos contendo cloridrato de ranitidina.


O que é a NDMA?

A N-nitrosodimetilamina (NDMA) é uma nitrosamina que pode ser formada em determinadas condições durante processos industriais ou pela degradação de algumas moléculas farmacêuticas.

Sua presença em medicamentos passou a ser amplamente monitorada por agências regulatórias internacionais após a identificação dessa impureza em diferentes fármacos.


A ranitidina ainda pode ser manipulada?

Não.

A resolução da Anvisa também proibiu expressamente a manipulação de medicamentos contendo cloridrato de ranitidina no Brasil.


Existem alternativas terapêuticas?

Sim.

A retirada da ranitidina do mercado não deixou os pacientes sem opções terapêuticas. Atualmente existem outros medicamentos utilizados para reduzir a secreção de ácido gástrico, pertencentes a diferentes classes farmacológicas, cuja escolha deve ser realizada pelo prescritor conforme a condição clínica de cada paciente.


Conclusão

A proibição definitiva da ranitidina no Brasil ocorreu devido ao risco de formação espontânea de N-nitrosodimetilamina (NDMA), uma impureza de potencial carcinogênico. Como não foi possível garantir a estabilidade da molécula durante seu armazenamento, a Anvisa determinou a retirada definitiva do medicamento do mercado, incluindo sua fabricação, comercialização e manipulação.


Relevância para a prática magistral

A retirada definitiva da ranitidina reforça a importância do monitoramento contínuo da qualidade, estabilidade e segurança dos insumos farmacêuticos. O episódio também evidenciou a necessidade de rigor na avaliação de impurezas potencialmente tóxicas, como as nitrosaminas, tema que passou a receber maior atenção das agências regulatórias em todo o mundo. Para a farmácia magistral, acompanhar essas atualizações regulatórias é essencial para garantir conformidade sanitária e segurança ao paciente.

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