A síndrome das pernas inquietas (SPI), também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição caracterizada por sensações desconfortáveis nas pernas que provocam uma necessidade irresistível de movimentá-las. O movimento costuma proporcionar um alívio temporário dos sintomas.
O tratamento pode envolver medicamentos que atuam sobre diferentes mecanismos, incluindo sistemas dopaminérgicos e canais de cálcio, além de outras opções terapêuticas em casos específicos.
Mas será que um extrato vegetal também poderia auxiliar no controle dos sintomas?
Onde entra o Pycnogenol?
O Pycnogenol® é um extrato padronizado obtido da casca do Pinus pinaster, rico em compostos fenólicos.
Entre suas propriedades estudadas estão efeitos relacionados à inflamação e à circulação sanguínea, características que despertaram o interesse dos pesquisadores em investigar sua possível aplicação na síndrome das pernas inquietas.
O que mostrou o estudo?
Para testar essa hipótese, pesquisadores avaliaram 45 pacientes com síndrome das pernas inquietas.
Os participantes foram divididos em dois grupos:
- Pycnogenol®: 150 mg/dia;
- Placebo.
A intervenção teve duração de 4 semanas.
Ao final do período, os participantes que receberam Pycnogenol® apresentaram melhora nas medidas utilizadas para avaliar os sintomas da síndrome das pernas inquietas, em comparação ao grupo placebo.
Além disso, foi observada melhora do fluxo sanguíneo, um achado de interesse considerando que alterações circulatórias, incluindo insuficiência venosa, já foram descritas em parte dos pacientes com SPI.
Por que o fluxo sanguíneo pode ser relevante?
Uma das hipóteses levantadas é que alterações na circulação possam participar dos sintomas apresentados por alguns pacientes.
Assim, os efeitos do Pycnogenol® sobre a circulação podem representar um mecanismo potencialmente relevante para a melhora observada.
Entretanto, ainda não é possível afirmar que a alteração do fluxo sanguíneo seja a causa direta da melhora dos sintomas. São necessários estudos maiores e com acompanhamento mais prolongado para esclarecer essa relação.
Relevância para a prática magistral
O estudo desperta interesse para a prática magistral por investigar um extrato vegetal padronizado em uma condição na qual fatores neurológicos e circulatórios podem estar envolvidos.
Para o prescritor, o resultado pode ser considerado como uma evidência preliminar do potencial do Pycnogenol® como estratégia adjuvante para o manejo dos sintomas da síndrome das pernas inquietas.
Na farmácia de manipulação, é importante considerar a padronização do extrato, dose utilizada no estudo e indicação individualizada, sem extrapolar os resultados para qualquer apresentação de Pinus pinaster.
Também é importante destacar que o estudo foi realizado com apenas 45 participantes e durante quatro semanas, portanto, os resultados ainda precisam ser confirmados em pesquisas maiores e de maior duração.
Um pequeno estudo pode abrir uma grande pergunta: será que a modulação da circulação pode ser mais uma peça no complexo mecanismo por trás da síndrome das pernas inquietas?
Bibliografia consultada:
Belcaro G; et al. Restless legs syndrome: prevention with Pycnogenol® and improvement of the venoarteriolar response. Panminerva Med, 2022.
