Associação de romã, tâmaras e mel demonstra efeito neuroprotetor em modelo experimental de doença de Alzheimer

Associação de romã, tâmaras e mel demonstra efeito neuroprotetor em modelo experimental de doença de Alzheimer

Diversos alimentos funcionais vêm sendo investigados pelo seu potencial efeito neuroprotetor. Entre eles, a romã, as tâmaras e o mel têm despertado interesse devido à elevada concentração de compostos bioativos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Embora estudos individuais já tenham demonstrado benefícios desses alimentos sobre a saúde cerebral, pesquisadores decidiram avaliar se a associação entre eles poderia exercer um efeito ainda mais expressivo na doença de Alzheimer.

O estudo mostrou que a combinação de romã, tâmaras e mel foi capaz de melhorar o aprendizado e a memória em ratos com doença de Alzheimer induzida experimentalmente, apresentando resultados semelhantes aos observados com a N-acetilcisteína (NAC).


Como o estudo foi realizado?

Foram utilizados 45 ratos Wistar machos, distribuídos aleatoriamente em cinco grupos experimentais:

  • Grupo controle: solução salina e solução tampão;
  • Grupo beta-amiloide: solução salina + infusão intracerebral de beta-amiloide 1-42;
  • Grupo alimentos funcionais: associação de romã, tâmaras e mel (4 mL/kg);
  • Grupo beta-amiloide + alimentos funcionais: associação de romã, tâmaras e mel (4 mL/kg) + infusão intracerebral de beta-amiloide 1-42;
  • Grupo beta-amiloide + N-acetilcisteína: N-acetilcisteína (150 mg/kg) + infusão intracerebral de beta-amiloide 1-42.

Além da avaliação comportamental, os pesquisadores utilizaram espectroscopia de RMN de hidrogênio (^1H-NMR) para investigar alterações metabólicas relacionadas ao possível mecanismo neuroprotetor da intervenção.


Quais foram os resultados?

Os animais que receberam a associação de romã, tâmaras e mel apresentaram melhora significativa na memória espacial e na capacidade de aprendizagem quando comparados aos animais que receberam apenas a infusão de beta-amiloide.

Esses resultados foram observados por meio do teste do labirinto em Y, amplamente utilizado para avaliar memória e desempenho cognitivo em modelos experimentais.

Os efeitos também foram semelhantes aos encontrados no grupo tratado com N-acetilcisteína, substância frequentemente utilizada em estudos devido às suas propriedades antioxidantes.


Qual pode ser o mecanismo envolvido?

A análise metabólica realizada por espectroscopia de ^1H-NMR permitiu aos pesquisadores investigar alterações bioquímicas associadas ao tratamento.

Segundo os autores, os resultados sugerem que a combinação dos alimentos funcionais promove alterações metabólicas compatíveis com um efeito neuroprotetor, contribuindo para reduzir os danos induzidos pela deposição de beta-amiloide no cérebro.

Os compostos fenólicos presentes na romã, os antioxidantes naturais das tâmaras e os componentes bioativos do mel podem atuar de forma complementar na proteção neuronal, embora o estudo tenha sido conduzido em modelo experimental.


O que esses achados representam?

A doença de Alzheimer é caracterizada, entre outros mecanismos, pelo acúmulo de placas de beta-amiloide, processo associado à neuroinflamação, estresse oxidativo e perda progressiva da função cognitiva.

Os resultados deste estudo sugerem que alimentos ricos em compostos bioativos podem exercer efeito protetor frente a essas alterações, reforçando o interesse crescente pelos alimentos funcionais como estratégia complementar na saúde cerebral.


Conclusão

Neste modelo experimental de doença de Alzheimer, a associação de romã, tâmaras e mel promoveu melhora da memória espacial e da aprendizagem em ratos submetidos à infusão intracerebral de beta-amiloide 1-42. Os resultados foram semelhantes aos observados com a N-acetilcisteína, sugerindo potencial efeito neuroprotetor dessa combinação de alimentos funcionais.


Relevância para a prática magistral

Romã, tâmaras e mel são ingredientes frequentemente utilizados em formulações nutracêuticas e alimentos funcionais devido ao seu elevado teor de compostos antioxidantes. Os resultados deste estudo reforçam o potencial interesse desses ingredientes em estratégias voltadas ao envelhecimento saudável e à saúde cognitiva.

Além disso, a associação observada com a N-acetilcisteína amplia as possibilidades de desenvolvimento de formulações individualizadas contendo antioxidantes e compostos bioativos direcionados à proteção neuronal, sempre conforme a avaliação clínica e os objetivos terapêuticos do prescritor.

 

Bibliografia consultada:

Rosli NHM; et al. Serum Metabolomics Profiling of Commercially Mixed Functional Foods—Effects in Beta-Amyloid Induced Rats Measured Using 1H NMR Spectroscopy. Nutrients, 2020.

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