Menor quantidade de vitamina D sérica associada a sintomas depressivos entre idosos no sul do Brasil

Menor quantidade de vitamina D sérica associada a sintomas depressivos entre idosos no sul do Brasil

A vitamina D desempenha funções muito além da saúde óssea. Nos últimos anos, diversas pesquisas têm investigado sua participação no funcionamento do sistema nervoso central e sua possível relação com transtornos neuropsiquiátricos, incluindo a depressão. Em idosos, essa associação desperta ainda mais interesse, já que essa população apresenta maior risco tanto para deficiência de vitamina D quanto para sintomas depressivos.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) encontrou uma associação entre baixos níveis séricos de vitamina D e maior prevalência de sintomas depressivos em idosos residentes no sul do Brasil.


Como o estudo foi realizado?

A pesquisa utilizou dados de um estudo transversal realizado entre 2013 e 2014, envolvendo 557 participantes com 60 anos ou mais.

Foram avaliadas as concentrações séricas de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], classificadas conforme os critérios da Sociedade Endócrina:

  • Suficiência: ≥ 30 ng/mL;
  • Insuficiência: entre 21 e 29 ng/mL;
  • Deficiência: ≤ 20 ng/mL.

Os sintomas depressivos foram avaliados utilizando a Escala de Depressão Geriátrica (GDS – 15 itens).

Além disso, a análise estatística considerou diversos fatores que poderiam influenciar os resultados, incluindo:

  • sexo;
  • idade;
  • cor da pele;
  • renda familiar;
  • prática de atividade física;
  • participação em grupos sociais ou religiosos;
  • presença de doenças crônicas;
  • déficit cognitivo;
  • dependência nas atividades da vida diária.

Qual era o perfil dos participantes?

Entre os 557 idosos avaliados:

  • 63,1% eram mulheres;
  • 42,2% tinham entre 60 e 69 anos;
  • 85,1% apresentavam pele branca;
  • cerca de 50,7% das amostras sanguíneas foram coletadas durante o outono.

A prevalência de sintomas depressivos na população estudada foi de 15,8%.


O que os pesquisadores encontraram?

Os sintomas depressivos foram mais frequentes entre os participantes classificados com deficiência ou insuficiência de vitamina D.

Na análise inicial, os idosos com deficiência de vitamina D apresentaram 3,08 vezes mais chance de apresentar sintomas depressivos quando comparados aos indivíduos com níveis considerados suficientes.

Essa associação permaneceu significativa mesmo após o ajuste para diversos fatores clínicos, demográficos e comportamentais avaliados no estudo.


Qual pode ser a relação entre vitamina D e depressão?

A vitamina D participa de diversos processos no sistema nervoso central, incluindo mecanismos relacionados à neurotransmissão, neuroproteção e modulação da resposta inflamatória.

Por esse motivo, pesquisadores vêm investigando seu possível papel na saúde mental, especialmente em populações mais vulneráveis, como os idosos.

Os resultados deste estudo reforçam essa associação observacional entre baixos níveis de vitamina D e maior frequência de sintomas depressivos.


Conclusão

Neste estudo brasileiro, baixos níveis séricos de 25-hidroxivitamina D estiveram associados a maior prevalência de sintomas depressivos em idosos residentes no sul do Brasil. Os resultados contribuem para ampliar a compreensão sobre a relação entre vitamina D e saúde mental, destacando a importância da avaliação do estado nutricional desse micronutriente na população idosa.


Relevância para a prática magistral

A deficiência de vitamina D é relativamente frequente na população idosa e sua avaliação faz parte da rotina clínica em diversas especialidades. Na prática magistral, a individualização da suplementação de vitamina D é uma estratégia amplamente utilizada, especialmente em pacientes com deficiência laboratorial documentada ou maior risco de hipovitaminose.

Além da suplementação isolada, a vitamina D frequentemente integra formulações voltadas à saúde óssea, imunológica e ao envelhecimento saudável, sendo importante que sua utilização esteja associada ao acompanhamento clínico e laboratorial adequado.

 

Bibliografia consultada:

Ceolin G; et al. Lower serum 25-hydroxycholecalciferol is associated with depressive symptoms in older adults in Southern Brazil. Nutrition Journal, 2020

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