O selênio é um mineral essencial para o funcionamento de diversas enzimas antioxidantes, entre elas a glutationa peroxidase, que participa da proteção das células contra o estresse oxidativo.
Como o estresse oxidativo está relacionado a processos envolvidos no envelhecimento cerebral e em doenças neurodegenerativas, pesquisadores vêm investigando se a suplementação de selênio poderia contribuir para a saúde cognitiva.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista Nutrients avaliou justamente os efeitos da suplementação de selênio em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou doença de Alzheimer.
O que os pesquisadores avaliaram?
Foram selecionados 11 estudos controlados, nos quais a suplementação de selênio foi utilizada isoladamente ou em combinação com outros nutrientes.
Desses trabalhos, 6 foram incluídos na meta-análise.
Os pesquisadores avaliaram principalmente:
- níveis de selênio no organismo;
- atividade da glutationa peroxidase;
- desempenho em testes de função cognitiva.
E quais foram os resultados?
Nos estudos que avaliaram o selênio isoladamente, a suplementação aumentou os níveis do mineral em diferentes compartimentos do organismo.
Na meta-análise, o aumento médio observado foi de aproximadamente:
- 4 vezes no plasma;
- 1,88 vez no soro;
- 3,73 vezes nos glóbulos vermelhos;
- 2,18 vezes no líquido cefalorraquidiano.
Além disso, os estudos que avaliaram a glutationa peroxidase demonstraram aumento significativo da atividade dessa enzima após a suplementação.
E a função cognitiva?
Esse foi um dos achados mais interessantes da revisão.
As pontuações dos diferentes testes utilizados para avaliar função cognitiva apresentaram melhora nos grupos que receberam selênio, tanto quando utilizado isoladamente quanto quando combinado com outros nutrientes.
Os resultados sugerem que a melhora da disponibilidade de selênio e da atividade antioxidante pode estar relacionada a efeitos favoráveis sobre parâmetros cognitivos.
O que podemos concluir?
A revisão sugere que a suplementação de selênio pode melhorar os níveis do mineral, aumentar a atividade da glutationa peroxidase e estar associada à melhora de parâmetros cognitivos em indivíduos com comprometimento cognitivo leve ou doença de Alzheimer.
Entretanto, é importante interpretar esses resultados com cautela. Parte dos estudos utilizou combinações de nutrientes, o que dificulta atribuir todos os efeitos exclusivamente ao selênio.
Além disso, a evidência disponível ainda não permite afirmar que a suplementação de selênio trate ou interrompa a progressão da doença de Alzheimer.
Mais estudos clínicos são necessários para determinar quais pacientes podem se beneficiar, especialmente considerando o estado nutricional e a presença ou não de deficiência de selênio.
Relevância para a prática magistral
O estudo é especialmente interessante para a prática magistral por destacar a relação entre nutrição, estresse oxidativo e saúde cognitiva.
Para a farmácia de manipulação, esse tipo de evidência pode contribuir para o desenvolvimento de materiais técnicos direcionados à neurologia, longevidade e envelhecimento saudável, apresentando ao prescritor o papel do selênio na atividade de enzimas antioxidantes e os resultados encontrados em estudos com comprometimento cognitivo.
A possibilidade de desenvolver formulações individualizadas e associações de nutrientes também permite adequar a estratégia nutricional às necessidades específicas do paciente, sempre considerando avaliação clínica, estado nutricional e evidências disponíveis.
Na prática magistral, entender o papel de um nutriente no organismo é apenas o primeiro passo. O diferencial está em saber quando, para quem e em qual contexto a evidência pode ser aplicada.
Bibliografia consultada:
Pereira ME; et al. Effects of Selenium Supplementation in Patients with Mild Cognitive Impairment or Alzheimer’s Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients, 2022.
