L-citrulina pode melhorar a pressão arterial em mulheres na pós-menopausa?

L-citrulina pode melhorar a pressão arterial em mulheres na pós-menopausa?

O envelhecimento está associado ao aumento do risco cardiovascular, especialmente entre mulheres após a menopausa. A hipertensão torna-se ainda mais prevalente nessa fase da vida e alterações na função dos vasos sanguíneos podem contribuir para esse cenário.

Uma das hipóteses envolve a redução da disponibilidade de L-arginina, aminoácido utilizado como substrato para a produção de óxido nítrico (NO), uma molécula importante para a vasodilatação e para a manutenção da função vascular.

Nesse contexto, a L-citrulina vem sendo estudada como uma estratégia para aumentar a disponibilidade de L-arginina e, consequentemente, favorecer a produção de óxido nítrico.


Por que utilizar L-citrulina?

A L-citrulina pode ser convertida em L-arginina no organismo e apresenta uma vantagem em relação à suplementação direta de L-arginina: não é catabolizada pela arginase intestinal da mesma maneira, o que pode favorecer sua biodisponibilidade.

Com isso, pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, investigaram se a suplementação de L-citrulina poderia melhorar a função vascular e a pressão arterial de mulheres hipertensas na pós-menopausa.


Como foi realizado o estudo?

Participaram 25 mulheres na pós-menopausa com hipertensão, que foram randomizadas para receber:

  • 10 g de L-citrulina por dia; ou
  • placebo.

O período de intervenção foi de 4 semanas.

Os pesquisadores avaliaram a função endotelial, a rigidez aórtica e a pressão arterial braquial e aórtica antes e após a intervenção.


O que os resultados mostraram?

Após quatro semanas de suplementação, o grupo que recebeu L-citrulina apresentou:

  • aumento dos níveis de L-arginina;
  • melhora da dilatação fluxo-mediada da artéria braquial, indicador de função endotelial;
  • redução significativa da pressão arterial.

Os resultados sugerem que a L-citrulina pode aumentar a disponibilidade de L-arginina e favorecer a produção de óxido nítrico, contribuindo para a vasodilatação e melhora da função vascular.


O que podemos concluir?

Os resultados são promissores e indicam que a L-citrulina pode representar uma estratégia nutricional interessante para mulheres hipertensas na pós-menopausa, especialmente pelo potencial de atuar sobre a função endotelial e a pressão arterial.

Entretanto, é importante considerar que o estudo foi realizado com uma amostra pequena, de apenas 25 mulheres, e durante quatro semanas. Portanto, são necessários estudos maiores e de maior duração para confirmar esses efeitos e estabelecer melhor o papel da L-citrulina nesse grupo de pacientes.


Relevância para a prática magistral

A relação entre L-citrulina, L-arginina, óxido nítrico e função endotelial apresenta interesse para a prática magistral, especialmente no desenvolvimento de estratégias individualizadas voltadas à saúde cardiovascular e ao período pós-menopausa.

Para a farmácia de manipulação, estudos como esse fornecem subsídios para a elaboração de materiais técnicos direcionados a cardiologistas, ginecologistas, endocrinologistas e outros prescritores, apresentando os mecanismos fisiológicos e os resultados clínicos disponíveis.

A possibilidade de trabalhar com diferentes doses, formas farmacêuticas e associações de nutrientes também permite individualizar a suplementação de acordo com as necessidades de cada paciente.

Na pós-menopausa, cuidar da saúde cardiovascular também significa olhar para a função dos vasos. E a L-citrulina pode ser mais uma peça nessa estratégia.

 

Bibliograia consultada:

Maharaj A; et al. Effects of L-Citrulline Supplementation on Endothelial Function and Blood Pressure in Hypertensive Postmenopausal Women. Nutrients, 2022.

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