O início da menopausa costuma ser acompanhado por mudanças na composição corporal e na distribuição da gordura, especialmente com maior tendência ao acúmulo de gordura abdominal e visceral.
Essas alterações podem estar relacionadas a mudanças hormonais e metabólicas e, consequentemente, aumentar o risco de alterações cardiometabólicas.
Nesse contexto, os compostos bioativos presentes no chá verde (Camellia sinensis), especialmente as catequinas, vêm sendo estudados por seus possíveis efeitos sobre o metabolismo energético e o tecido adiposo.
Por que as catequinas despertam interesse?
As catequinas do chá verde podem atuar sobre diferentes mecanismos relacionados ao equilíbrio energético.
Uma das hipóteses é que esses compostos influenciem a atividade do sistema nervoso simpático, favorecendo o gasto energético e a oxidação de ácidos graxos.
Por esse motivo, extratos de Camellia sinensis vêm sendo investigados como possíveis estratégias complementares para o controle do peso e da composição corporal.
O que o estudo avaliou?
Um ensaio clínico randomizado avaliou os efeitos de 60 dias de suplementação com um extrato de Camellia sinensis formulado em fosfolipídios em mulheres sedentárias na pós-menopausa com sobrepeso ou obesidade classe I.
Participaram 28 mulheres, divididas em dois grupos:
- 14 mulheres: receberam duas doses diárias de 150 mg de Greenselect® Phytosome®, padronizado para 19–25% de catequinas, mais de 13% de epigalocatequina-3-O-galato (EGCG) e menos de 0,1% de cafeína;
- 14 mulheres: receberam placebo.
As doses foram administradas antes do almoço e do jantar durante 60 dias.
E quais foram os resultados?
Após o período de intervenção, o grupo que recebeu o extrato de chá verde formulado em fosfolipídios apresentou mudanças favoráveis relacionadas à lipólise, acompanhadas de redução de peso e gordura corporal em comparação ao grupo placebo.
Os resultados sugerem que a formulação avaliada pode influenciar mecanismos relacionados ao funcionamento do tecido adiposo em mulheres pós-menopáusicas com sobrepeso ou obesidade classe I.
O que isso significa na prática?
Os resultados são interessantes, principalmente porque a população estudada apresenta uma condição em que as alterações na distribuição de gordura são bastante relevantes.
Entretanto, é importante considerar que o estudo contou com apenas 28 participantes e teve duração de 60 dias. Portanto, são necessários estudos maiores e de maior duração para confirmar a magnitude e a manutenção desses efeitos.
Além disso, os resultados foram obtidos com uma formulação específica de extrato de Camellia sinensis em fosfolipídios, não podendo ser automaticamente extrapolados para qualquer suplemento de chá verde.
Relevância para a prática magistral
O estudo chama atenção para a utilização de extratos padronizados de Camellia sinensis em estratégias individualizadas voltadas ao controle da composição corporal durante a pós-menopausa.
Para a prática magistral, um dos pontos mais importantes é justamente a padronização do extrato, considerando a concentração de catequinas, EGCG e cafeína, além da forma farmacêutica e da biodisponibilidade dos compostos.
A escolha do extrato deve levar em consideração o objetivo da formulação e as características individuais da paciente, não sendo adequado extrapolar os resultados de uma formulação específica para todos os produtos à base de chá verde.
Na menopausa, controlar o peso não significa apenas olhar para a balança. A distribuição da gordura e o funcionamento do tecido adiposo também fazem parte dessa equação.
Bibliografia consultada:
Rondanelli M; et al. A 60-Day Green Tea Extract Supplementation Counteracts the Dysfunction of Adipose Tissue in Overweight Post-Menopausal and Class I Obese Women. Nutrients, 2022.
