A Centella asiatica, também conhecida como gotu kola, é uma planta medicinal amplamente utilizada na medicina tradicional asiática. Seu uso é tradicionalmente associado à melhora da circulação periférica, ação diurética, cicatrização e suporte à função cognitiva. Nos últimos anos, entretanto, seu potencial neuroprotetor tem despertado grande interesse da comunidade científica, especialmente no contexto das doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.
Estudos anteriores já haviam demonstrado que apenas duas semanas de suplementação com extrato de Centella asiatica são capazes de melhorar parâmetros cognitivos e estimular mecanismos antioxidantes endógenos. Diante desses resultados, pesquisadores investigaram se a administração prolongada do extrato poderia proporcionar benefícios ainda maiores em modelos experimentais da doença de Alzheimer.
O que mostrou o estudo?
O estudo avaliou animais geneticamente modificados para desenvolver alterações semelhantes às observadas na doença de Alzheimer humana.
Os animais receberam tratamento com extrato de Centella asiatica durante três meses, sendo posteriormente submetidos a testes de memória e análises cerebrais.
Os pesquisadores observaram que o tratamento promoveu:
- melhora significativa da memória espacial;
- melhora da memória contextual;
- melhora da função executiva;
- aumento da capacidade antioxidante cerebral;
- redução da deposição de placas beta-amiloide.
Esses resultados sugerem um efeito neuroprotetor importante após a administração prolongada da planta.
Como a Centella asiatica pode atuar?
Os benefícios observados parecem estar relacionados principalmente à ativação da via NRF2 (Nuclear factor erythroid 2-related factor 2).
O NRF2 é considerado um dos principais reguladores da defesa antioxidante celular. Quando ativado, estimula a expressão de diversas enzimas responsáveis por proteger as células contra o estresse oxidativo.
Entre seus principais efeitos estão:
- aumento da produção de enzimas antioxidantes endógenas;
- redução dos danos causados pelos radicais livres;
- proteção neuronal;
- redução da neuroinflamação;
- preservação da função mitocondrial.
Como o estresse oxidativo desempenha papel importante na progressão da doença de Alzheimer, a ativação dessa via representa um mecanismo promissor para futuras estratégias terapêuticas.
Redução das placas beta-amiloide
Outro achado relevante foi a diminuição das placas beta-amiloide.
Essas placas constituem uma das principais alterações neuropatológicas da doença de Alzheimer e estão associadas à perda progressiva de neurônios e ao comprometimento da memória.
Embora o estudo não tenha esclarecido completamente o mecanismo responsável por essa redução, os resultados sugerem que o efeito antioxidante promovido pela ativação do NRF2 possa contribuir para diminuir a progressão dessas alterações.
Os resultados já podem ser aplicados em humanos?
Ainda não.
Os resultados são bastante promissores, porém foram obtidos em modelo experimental animal. Embora esses estudos sejam fundamentais para compreender os mecanismos de ação da Centella asiatica, eles não permitem concluir que os mesmos benefícios ocorrerão em pacientes com doença de Alzheimer.
Ensaios clínicos controlados em humanos ainda são necessários para confirmar sua eficácia, estabelecer doses ideais, tempo de tratamento e perfil de segurança nessa população.
Conclusão
A suplementação prolongada com extrato de Centella asiatica promoveu melhora da memória, da função executiva, aumento da defesa antioxidante e redução das placas beta-amiloide em modelos experimentais da doença de Alzheimer. Os resultados sugerem que a ativação da via NRF2 possa ser um dos principais mecanismos responsáveis por esses efeitos neuroprotetores. Apesar do potencial observado, ainda são necessários estudos clínicos para confirmar sua eficácia em pacientes com Alzheimer.
Relevância para a prática magistral
A Centella asiatica já é amplamente utilizada na farmácia magistral por suas propriedades venotônicas e cicatrizantes. Os estudos recentes ampliam seu potencial de utilização ao demonstrar efeitos neuroprotetores relacionados à ativação da via NRF2, melhora da função antioxidante e redução das placas beta-amiloide em modelos experimentais de Alzheimer. Esses achados reforçam o interesse científico pela planta como um possível coadjuvante em estratégias voltadas ao envelhecimento saudável e à saúde cognitiva, embora sua aplicação clínica para doença de Alzheimer ainda dependa de confirmação por estudos em humanos.
Bibliografia consultada:
Zweig JA; et al. Prolonged Treatment with Centella asiatica Improves Memory, Reduces Amyloid-β Pathology, and Activates NRF2-Regulated Antioxidant Response Pathway in 5xFAD Mice. Journal of Alzheimer’s Disease, 2021
