Como manipular base para óvulos vaginais

Como manipular base para óvulos vaginais

Os óvulos vaginais são formas farmacêuticas sólidas, de dose única, destinadas à administração no trato genital feminino. Em contato com a temperatura corporal, amolecem ou se dissolvem, promovendo a liberação do princípio ativo, que pode exercer efeito local ou sistêmico.

Por apresentarem facilidade de manipulação e aplicação, os óvulos podem ser utilizados como veículo para diferentes insumos empregados em formulações destinadas ao trato geniturinário feminino e à restauração da mucosa vaginal. Entre os insumos que podem ser incorporados estão ácido bórico, Lactobacillus, miconazol, sulfato de zinco e alantoína, entre outros.


Como escolher uma base para óvulos?

Uma base ideal para óvulos vaginais deve apresentar algumas características importantes:

  • ser atóxica e não irritante aos tecidos;
  • ser química e fisicamente inerte;
  • apresentar estabilidade durante o armazenamento;
  • não reagir com os fármacos incorporados;
  • apresentar resistência à ação de agentes externos;
  • ser resistente à ação de microrganismos;
  • possuir consistência adequada;
  • solidificar em uma faixa de temperatura suficientemente reduzida para garantir a homogeneidade da preparação;
  • dissolver-se ou fundir-se próximo à temperatura corporal, em torno de 37 °C, permitindo a liberação do ativo no local de aplicação.

De maneira geral, as bases utilizadas no desenvolvimento de óvulos e supositórios podem ser classificadas em lipofílicas e hidrofílicas.

Bases lipofílicas

As bases lipofílicas ou oleosas são tradicionalmente desenvolvidas utilizando manteiga de cacau como base.

Bases hidrofílicas

Entre as bases hidrofílicas, destacam-se aquelas desenvolvidas com polietilenoglicóis (PEGs) ou com gelatina glicerinada.


Base de gelatina glicerinada

Uma possibilidade de formulação é:

InsumoQuantidade
Gelatina15%
Glicerina65%
Água20%

Técnica de preparo: aquecer os componentes da base a aproximadamente 60 °C. Transferir a preparação para molde previamente adaptado e lubrificado com óleo mineral e aguardar aproximadamente 24 horas para a solidificação.


Bases de PEG

Os PEGs podem ser combinados em diferentes proporções para modificar as características físicas da base.

Opção 1

InsumoQuantidade
PEG 40010%
PEG 150090%

Opção 2

InsumoQuantidade
PEG 40025%
PEG 400075%

Opção 3

InsumoQuantidade
PEG 40020%
PEG 400010%
PEG 150070%

Para o preparo, as bases de PEG são aquecidas a aproximadamente 60 °C, sob mistura até completa homogeneização. Em seguida, a preparação é transferida para os moldes previamente lubrificados com óleo mineral e mantida até a solidificação.


Atenção às incompatibilidades

Um ponto importante durante o desenvolvimento da formulação é verificar a compatibilidade entre o ativo e a base escolhida.

De acordo com o material apresentado, as bases de PEG são incompatíveis com:

  • sais de prata;
  • quinina;
  • aminopirina;
  • benzocaína;
  • ácido tânico;
  • cloridroxiquinina iodada;
  • ácido acetilsalicílico;
  • sulfonamidas.

Por isso, antes de escolher a base, é fundamental avaliar as características físico-químicas do insumo que será incorporado e a possibilidade de interação com os componentes da formulação.


Relevância para a prática magistral

O desenvolvimento de óvulos vaginais permite trabalhar com diferentes bases, ativos e combinações, mas a escolha da base não deve considerar apenas a capacidade de moldagem. Temperatura de fusão ou dissolução, compatibilidade, estabilidade e características do ativo são fatores essenciais para obter uma preparação homogênea e adequada à administração vaginal.

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Bibliografia consultada:

Ferreira CS; Leitenberg R. Elaboração de óvulos para o tratamento de vulvovaginites. Disciplinarum Scientia, 2013.

Rodrigues FPLM. Desenvolvimento e Caracterização de Óvulos de Lactobacillus Acidophilus. Faculdade de Farmácia Universidade do Porto, 2011.

 

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