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Com as temperaturas caindo, as doenças respiratórias surgem com maior frequência. A preocupação é ainda maior pois seus sintomas podem ser muito parecidos com a Covid-19. Um insumo bastante utilizado para trata-las é o zinco. E você sabe como o zinco funciona e quais doses os trabalhos científicos utilizam? Confere aqui conosco uma abordagem sobre esse tema e o porquê esse insumo está sendo alvo de pesquisa para tratamento da Covid-19.

O resfriado comum é uma infecção viral do trato respiratório superior que causa sintomas como coriza, espirros, tosse e dor de garganta. Em alguns casos, pode apresentar também dor de cabeça, fadiga, febre, dores musculares e, em casos mais graves, evoluir para uma pneumonia. Os rinovírus (vírus mais comum em resfriados) se ligam aos receptores nas células da mucosa no trato respiratório superior e começam a replicar de forma descontrolada, produzindo sintomas dentro de 10 a 12 horas. O zinco disputa esses sítios de ligação com os vírus, impedindo a sua entrada nas células [2].

O primeiro estudo utilizando zinco em resfriados comum foi liderado pelo pesquisador Geroge Eby em 1984. No estudo, os pacientes foram divididos em 2 grupos, sendo que um deles tomaram zinco e o outro placebo. Após 7 dias, os sintomas do resfriado desapareceram em 86% das pessoas que tomaram zinco, em comparação com 46% que tomaram pastilhas para placebo. [1]

Dose e forma de zinco utilizada

Em um estudo de 2000, os pesquisadores deram aos pacientes pastilhas contendo 12,8 mg de acetato de zinco, a cada duas a três horas enquanto estavam acordadas, dentro de 24 horas após o desenvolvimento de sintomas comuns de resfriado. Comparado ao grupo placebo, os pacientes que administraram acetato de zinco tiveram redução na duração de seus resfriados (4,5 dias x 8,1 dias), ou seja, 45% de redução [4].

Uma revisão sistemática em 2011, comparou 13 diferentes artigos controlados por placebo sobre os efeitos terapêuticos de pastilhas de zinco em resfriados comuns, e pode concluir que nos 5 ensaios que utilizaram uma dose diária de zinco inferior a 75 mg não encontraram resultados. Outros 3 estudos que utilizaram acetato de zinco em doses acima de 75 mg, promoveu uma redução de 42% na duração dos resfriados. E, outros 5 ensaios que utilizaram zinco, não na forma de acetato, em doses superiores a 75 mg, obtiveram redução mais modesta de 20% na duração dos sintomas de resfriado [5].

Uma meta-análise mais recente (2017), confirmou que o uso de acetato de zinco é a forma mais eficaz para ser usada na redução da duração e gravidade dos sintomas de resfriados comum e, devem ser administrados dentro das 24 horas após o início dos sintomas. No estudo, os pesquisadores selecionaram três ensaios controlados, duplo-cegos, que avaliaram o efeito de pastilhas de acetato de zinco sobre resfriados entre um total de 199 participantes. As dosagens variaram de 80 mg a 92 mg por dia. No quinto dia de tratamento, 70% dos indivíduos que receberam o acetato de zinco se recuperaram de seus resfriados, contra 27% do grupo placebo. Assim o trabalho pode concluir que o zinco aumentou em 3 vezes a taxa de recuperação do resfriado comum [3].

COVID-19 e Zinco

Principalmente pelo fato do zinco estar relacionado ao aumento da imunidade e pelo seu mecanismo de ação nas infecções do trato respiratório, evitando a ligação do vírus ao sítio de ligação ao longo do epitélio nasal, o uso de zinco está sendo amplamente discutido no meio acadêmico com a expectativa que ele possa evitar que o vírus SARS-COV-2 se ligue também aos receptores. Dessa forma, pesquisadores da Austrália estão liderando a pesquisa do uso de zinco, na forma intravenosa, em pacientes com COVID-19 mas o ensaio ainda encontra-se em andamento [6].

Bibliografia consultada:

[1] Eby GA, Davis DR, Halcomb WW. Reduction in duration of common colds by zinc gluconate lozenges in a double-blind study. Antimicrob Agents Chemother. 1984

[2] Hulisz D. Efficacy of zinc against common cold viruses: an overview. J Am Pharm Assoc (2003). 2004

[3] Hemila H, Fitzgerald JT, Petrus EJ, et al. Zinc Acetate Lozenges May Improve the Recovery Rate of Common Cold Patients: An Individual Patient Data Meta-Analysis. Open Forum Infect Dis. 2017

[4] Prasad AS, Fitzgerald JT, Bao B, et al. Duration of symptoms and plasma cytokine levels in patients with the common cold treated with zinc acetate. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Ann Intern Med. 2000

[5] Hemila H. Zinc lozenges may shorten the duration of colds: a systematic review. Open Respir Med J. 2011

[6] Disponível em: https://www.thailandmedical.news/news/covid-19-supplements-australian-researchers-start-first-clinical-trial-to-test-effects-of-intravenous-zinc-in-covid-19-patients

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