Entre as formas farmacêuticas diferenciadas disponíveis em uma farmácia de manipulação, a goma é uma das que mais agradam crianças e adultos. Além de facilitar a administração, permite veicular diferentes tipos de insumos e criar apresentações mais atrativas para o paciente.
Apesar de o desenvolvimento parecer relativamente simples, alguns detalhes fazem diferença no resultado final. Sabor, quantidade de água e concentração de ativos são alguns dos principais pontos que precisam ser avaliados durante os testes.
O preparo da base
Uma sugestão de base para iniciar os testes é:
| Insumo | Quantidade |
|---|---|
| Gelatina | 20% |
| Glicerina | 40% |
| Conservante | q.s. |
| Edulcorante | q.s. |
| Aroma e corante líquido | q.s. |
| Ácido cítrico | se optar por aromas cítricos |
| Água destilada | q.s.p. |
Técnica de preparo
Aquecer a água e acrescentar a gelatina, glicerina, edulcorante e conservante, mantendo o aquecimento até completa dissolução.
Retirar do aquecimento e aguardar a preparação ficar morna, quase fria. Nesse momento, adicionar os aromas e corantes e, na sequência, realizar a moldagem.
O segredo está no sabor
Uma boa goma não depende apenas da textura. O sabor é um dos principais diferenciais da formulação.
A combinação entre edulcorante, aroma, corante e, quando necessário, ácido cítrico pode transformar completamente o resultado final.
No caso de aromas cítricos, por exemplo, o ácido cítrico pode ajudar a construir um perfil de sabor mais agradável.
Por isso, vale a pena testar diferentes combinações e também comparar aromas de diferentes fornecedores. Na prática, os aromas líquidos tendem a ser mais fáceis de incorporar à base.
O menos é mais
Depois de encontrar uma combinação de sabor agradável, chega o momento de incorporar os ativos.
E aqui existe uma regra importante para o desenvolvimento: quanto maior a quantidade de insumos adicionados, maior pode ser a dificuldade para manter as características da goma.
Isso acontece porque a gelatina depende da quantidade adequada de água para formar a estrutura da goma. À medida que outros insumos são incorporados, a quantidade de água disponível na formulação diminui e o processo de gelificação pode ser prejudicado.
Algumas dicas para os testes
- Para uma goma de aproximadamente 15 g, utilizar como referência no máximo 1 g de insumo.
- Ter em mente que nem todo insumo será compatível com essa forma farmacêutica.
- Priorizar insumos mais insípidos e com boa solubilidade em água.
- Evitar ativos muito amargos e determinados fitoterápicos, que podem ser difíceis de mascarar pelo sabor.
- Alguns fitoterápicos também podem conferir aspecto arenoso à goma.
- Ter atenção especial aos insumos utilizados em formulações para emagrecimento. Algumas fibras apresentam elevada capacidade de absorção de água e podem modificar a textura da preparação ao longo do tempo.
- Uma goma que sai perfeita da farmácia pode apresentar alteração de aspecto posteriormente, por isso a estabilidade deve fazer parte do desenvolvimento.
Registre seus testes
Uma das melhores ferramentas para desenvolver gomas é manter um registro organizado dos testes realizados.
Anote as proporções utilizadas, aroma, edulcorante, concentração dos insumos, textura, sabor, facilidade de moldagem e comportamento da goma ao longo do tempo.
Com o acúmulo desses registros, a farmácia passa a construir seu próprio histórico de desenvolvimento e consegue identificar com mais facilidade quais combinações funcionam, quais apresentam problemas e quais insumos são mais adequados para essa forma farmacêutica.
Conclusão
Desenvolver uma boa goma vai muito além de simplesmente misturar os ingredientes. A escolha dos componentes, o equilíbrio entre água e gelatina, a quantidade de ativos e o desenvolvimento do sabor são determinantes para o resultado final.
Por isso, antes de incorporar um novo ativo à base, faça pequenos testes e acompanhe o comportamento da preparação. Na manipulação magistral, um bom desenvolvimento começa no laboratório e termina quando a formulação mantém suas características até chegar ao paciente.
