Hidroquinona e câncer de pele: o que mostrou o estudo?

Hidroquinona e câncer de pele: o que mostrou o estudo?

A hidroquinona é um dos ativos mais conhecidos no tratamento de hiperpigmentações. Seu efeito clareador está relacionado à inibição da tirosinase, enzima envolvida na produção de melanina.

Mas será que seu uso pode estar associado a algum risco além das alterações na pigmentação?

Um estudo apresentado na Reunião Anual de 2022 da Society for Investigative Dermatology investigou justamente essa possibilidade.


O que os pesquisadores fizeram?

Os pesquisadores utilizaram dados do TriNetX, uma plataforma com registros médicos anonimizados de aproximadamente 61 milhões de pacientes provenientes de 57 grandes organizações de saúde, principalmente nos Estados Unidos.

Foram formados dois grupos de pacientes com 15 anos ou mais, sem histórico prévio de câncer de pele:

  • pacientes que haviam sido tratados com hidroquinona;
  • pacientes que não haviam sido expostos à hidroquinona.

O que foi observado?

A exposição à hidroquinona foi associada a um aumento significativo no risco dos diferentes tipos de câncer de pele avaliados:

DesfechoRisco relativo
Melanoma3,0 vezes
Câncer de pele não melanoma3,6 vezes
Todos os cânceres de pele3,4 vezes

Ou seja, dentro dos dados analisados, os pacientes expostos à hidroquinona apresentaram uma associação com risco aproximadamente três vezes maior de câncer de pele.


Mas atenção: associação não significa causa

Esse é o ponto mais importante do estudo.

Os próprios autores destacam uma limitação relevante: os dados utilizados não permitiam determinar por quanto tempo, em qual frequência ou em quais condições os pacientes utilizaram hidroquinona.

Por isso, os resultados não permitem afirmar que a hidroquinona cause câncer de pele.

O estudo identificou uma associação, que precisa ser investigada em pesquisas futuras. Ainda é necessário compreender se existe uma relação causal e, caso exista, quais mecanismos poderiam estar envolvidos.


O que esse estudo traz para a prática?

A hidroquinona continua sendo um ativo amplamente utilizado para o tratamento de hiperpigmentações, mas estudos observacionais como esse reforçam a importância de avaliar cuidadosamente segurança, indicação, concentração, duração do tratamento e acompanhamento do paciente.

Para a farmácia magistral, também evidencia a importância de desenvolver materiais técnicos baseados em literatura científica, capazes de apresentar ao prescritor não apenas os benefícios dos ativos, mas também as novas evidências relacionadas à sua segurança.

Atenção: por se tratar de um estudo apresentado em pôster e baseado em dados observacionais, os resultados devem ser interpretados com cautela e não devem ser apresentados como prova de que a hidroquinona provoca câncer de pele.

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