Probiótico pode ajudar a preservar a memória em idosos?

Probiótico pode ajudar a preservar a memória em idosos?

O sistema nervoso central e o trato gastrointestinal formam uma rede de comunicação bidirecional conhecida como eixo intestino-cérebro.

Essa comunicação envolve diferentes sistemas, incluindo os sistemas nervoso, imunológico e endócrino. Nos últimos anos, a microbiota intestinal passou a receber atenção especial por sua possível participação na regulação dessa comunicação e por sua associação com diferentes condições neurológicas.

Entre os microrganismos estudados está o Lactiplantibacillus plantarum, que apresenta propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias e vem sendo investigado por seu possível papel na relação entre microbiota, inflamação e função cerebral.


O que os pesquisadores investigaram?

Um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com duração de 12 semanas, avaliou idosos com mais de 65 anos que apresentavam declínio de memória.

Os participantes receberam:

  • Lactiplantibacillus plantarum OLL2712 tratado termicamente; ou
  • placebo.

Ao final do estudo, os dados de 78 participantes que concluíram todo o protocolo foram analisados.


E quais foram os resultados?

Os participantes que receberam o L. plantarum apresentaram melhorias significativas em medidas de memória quando comparados ao grupo placebo.

Além disso, foram observadas alterações na composição da microbiota intestinal, incluindo redução na abundância de determinados microrganismos, como o gênero Lachnoclostridium e os gêneros Monoglobus e Oscillibacter, que já foram relacionados em pesquisas anteriores a processos inflamatórios.

Esses achados levantam a possibilidade de que alterações na microbiota possam participar dos efeitos observados sobre a função cognitiva.


Qual seria a relação entre intestino e memória?

Uma das hipóteses investigadas é que a modulação da microbiota possa influenciar processos relacionados à inflamação e ao eixo intestino-cérebro.

Como a neuroinflamação vem sendo estudada em diferentes doenças neurodegenerativas, entender como determinados microrganismos podem interferir nesses mecanismos desperta interesse para a pesquisa em saúde cerebral.

Entretanto, ainda não é possível afirmar que a alteração da microbiota seja a responsável direta pela melhora da memória observada no estudo.


Relevância para a prática magistral

O estudo amplia o interesse pelos probióticos dentro das estratégias relacionadas à saúde cognitiva e ao envelhecimento saudável.

Para a prática magistral, o resultado é especialmente interessante porque reforça que a escolha de um probiótico não deve considerar apenas o gênero ou a espécie, mas também a cepa específica, já que diferentes cepas podem apresentar propriedades e resultados distintos.

Além disso, a relação entre microbiota, inflamação e eixo intestino-cérebro abre possibilidades para o desenvolvimento de materiais técnicos direcionados a profissionais que trabalham com longevidade, saúde intestinal e saúde cerebral.

É importante, porém, destacar que o estudo avaliou uma cepa específica de L. plantarum, durante apenas 12 semanas, em idosos com declínio de memória. Portanto, não é possível extrapolar os resultados para todos os probióticos ou afirmar que a suplementação previna doenças neurodegenerativas.

Intestino e cérebro estão em constante comunicação. E entender essa conversa pode abrir novos caminhos para a pesquisa sobre envelhecimento e memória.

 

Bibliografia consultada:

Sakurai K; et al. Effects of Lactiplantibacillus plantarum OLL2712 on Memory Function in Older Adults with Declining Memory: A Randomized Placebo-Controlled Trial. Nutrients, 2022.

 

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