Os ácidos graxos ômega-3, especialmente EPA e DHA, são conhecidos por seu papel na saúde cardiovascular. Nos últimos anos, porém, pesquisas vêm investigando sua participação em outras funções do organismo, incluindo saúde mental, função cerebral e sono.
Nesse contexto, um estudo publicado na revista Sleep Health avaliou a relação entre os níveis sanguíneos de ômega-3 e diferentes características do sono em adultos.
O que os pesquisadores avaliaram?
O estudo incluiu 1.314 adultos, com idade média de 47 anos.
Os pesquisadores analisaram as concentrações sanguíneas de:
- EPA;
- DHA;
- ômega-3 total.
Esses dados foram comparados com informações relacionadas à duração e à qualidade do sono dos participantes.
E quais foram os resultados?
Os níveis sanguíneos de EPA, DHA e ômega-3 total foram consistentemente menores entre os adultos que apresentavam sono muito curto, definido como menos de 5 horas por noite, quando comparados aos participantes que dormiam entre 7 e 9 horas.
Por outro lado, quando os pesquisadores avaliaram especificamente a dificuldade para adormecer e os distúrbios do sono, não encontraram associações significativas com os níveis circulantes de ômega-3 total.
Isso indica que a relação observada parece estar mais ligada à duração do sono do que necessariamente à presença de insônia ou dificuldade para dormir.
O que pode explicar essa relação?
Os ácidos graxos ômega-3 participam de importantes processos fisiológicos e podem influenciar mecanismos relacionados à inflamação e à função cerebral, o que levanta hipóteses sobre sua possível participação na regulação do sono.
Entretanto, como o estudo avaliou uma associação entre os níveis sanguíneos de ômega-3 e o sono, não é possível determinar se níveis mais baixos de EPA e DHA contribuem para o sono curto ou se dormir pouco influencia os níveis desses ácidos graxos.
Relevância para a prática magistral
O estudo amplia o interesse pelos ômega-3 dentro das estratégias nutricionais voltadas à saúde integral, especialmente por sua possível relação com aspectos além da saúde cardiovascular.
Para a prática magistral, EPA e DHA podem ser considerados em formulações individualizadas quando houver indicação profissional, levando em conta objetivo terapêutico, perfil nutricional e características do paciente.
No entanto, os resultados deste estudo não permitem recomendar a suplementação de ômega-3 especificamente para melhorar o sono. São necessários ensaios clínicos que avaliem diretamente se a suplementação é capaz de modificar a duração ou a qualidade do sono.
Do coração ao cérebro — e talvez também ao sono: o ômega-3 continua revelando novas possibilidades de investigação.
Bibliografia consultada:
Murphy RA; et al. Association of omega-3 levels and sleep in US adults, National Health and Nutrition Examination Survey, 2011-2012. Sleep health, 2022.
