Medicamentos que podem aumentar o risco de osteoporose: estudo identifica classes já conhecidas e novos possíveis envolvidos

Medicamentos que podem aumentar o risco de osteoporose: estudo identifica classes já conhecidas e novos possíveis envolvidos

A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada pela redução da densidade mineral óssea, deterioração da microarquitetura do tecido ósseo e aumento da fragilidade dos ossos, elevando significativamente o risco de fraturas. Embora o envelhecimento seja o principal fator de risco, diversos medicamentos também podem contribuir para a perda óssea quando utilizados por períodos prolongados.

Um estudo publicado recentemente na revista Bone analisou milhões de notificações do banco mundial de farmacovigilância VigiBase®, da Organização Mundial da Saúde (OMS), identificando tanto fármacos já reconhecidos por aumentar o risco de osteoporose quanto medicamentos que merecem investigação adicional.

O que aumenta o risco de osteoporose?

Além da idade avançada, diversos fatores podem favorecer o desenvolvimento da osteoporose, entre eles:

  • Sexo feminino;
  • Raça;
  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Baixo peso corporal;
  • Má nutrição;
  • Baixa ingestão de cálcio e vitamina D;
  • Síndromes de má absorção intestinal;
  • Doenças reumáticas inflamatórias, especialmente artrite reumatoide;
  • Doenças endócrinas;
  • Doenças da medula óssea;
  • Uso crônico de determinados medicamentos.

Como o estudo foi realizado?

Os pesquisadores realizaram uma análise de desproporcionalidade utilizando o VigiBase®, o maior banco de farmacovigilância do mundo, mantido pela Organização Mundial da Saúde.

Foram avaliadas:

  • 7.594.968 notificações espontâneas de eventos adversos;
  • 4.758 casos relacionados à osteoporose.

O objetivo foi identificar associações entre medicamentos e relatos de osteoporose, comparando a frequência desses eventos entre diferentes classes farmacológicas.

Medicamentos já associados à osteoporose

Os resultados confirmaram diversos medicamentos cuja associação com osteoporose ou aumento do risco de fraturas já está bem estabelecida na literatura científica.

Entre eles destacam-se:

Medicamentos já relatados em literaturaMedicamentos que necessitam de mais estudos para confirmação
GlicocorticoidesAgonistas 5-HT seletivos, levodopa e memantina
Análogos do hormônio liberador de gonadotrofinaRomiplostim
Inibidor da aromataseMacitentano
Bloqueadores do receptor de androgênioRanibizumabe
Hormônios da tireoideTofacitinibe
Inibidor da bomba de prótons 
Tiazolidinedionas 
Antagonistas da vitamina K 
Diurético de alça 
Inibidor da protease 
Nucleotídeos 
Opioides 
Anticonvulsvantes indutor de enzimas 
Benzodiazepínicos 
Heparina 
Dicloreto de rádio 223 
Metotrexato em altas doses 

Por que alguns medicamentos favorecem a perda óssea?

Os mecanismos variam conforme a classe farmacológica, podendo incluir:

  • redução da formação óssea;
  • aumento da reabsorção pelos osteoclastos;
  • diminuição da absorção intestinal de cálcio;
  • alterações hormonais;
  • redução da massa muscular, aumentando o risco de quedas;
  • interferência no metabolismo da vitamina D.

Em muitos casos, mais de um desses mecanismos pode ocorrer simultaneamente.


Conclusão

A análise do banco mundial de farmacovigilância da OMS confirmou que diversas classes de medicamentos já conhecidas continuam apresentando forte associação com osteoporose e aumento do risco de fraturas. Além disso, o estudo identificou novos sinais envolvendo alguns fármacos que ainda precisam ser investigados em ensaios clínicos.

Os resultados reforçam a importância do monitoramento da saúde óssea em pacientes submetidos a tratamentos prolongados e evidenciam a necessidade de estratégias preventivas para reduzir o risco de osteoporose e suas complicações.


Relevância para a prática magistral

Além da orientação quanto à ingestão adequada de cálcio, vitamina D, atividade física e hábitos saudáveis, a farmácia magistral pode desenvolver formulações individualizadas contendo nutrientes e compostos bioativos frequentemente utilizados como suporte à saúde óssea, como vitamina D, vitamina K2 (MK-7), cálcio, magnésio, boro, silício orgânico, colágeno hidrolisado, peptídeos de colágeno, entre outros, conforme a necessidade clínica e as evidências disponíveis para cada paciente.

O estudo também reforça a importância da atenção farmacêutica durante o acompanhamento de pacientes que utilizam glicocorticoides, inibidores da aromatase, inibidores da bomba de prótons e outros medicamentos já reconhecidamente associados ao aumento do risco de osteoporose.

 

Bibliografia consultada:

Batteux B; et al. Associations between osteoporosis and drug exposure: A post-marketing study of the World Health Organization pharmacovigilance database (VigiBase®). Bone, 2021.

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